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No Brasil, a divulgação de dados de atividade e inflação confirmam a tendência de desaceleração da economia e arrefecimento de preços. No exterior, os Estados Unidos estiveram em destaque por conta dos diálogos de Trump com os presidente da Ucrânia e da Rússia. Na Europa, os números de comércio, inflação e atividade reforçaram a visão de uma recuperação ainda tímida, enquanto no Reino Unido a inflação e os PMIs ofereceram sinais importantes sobre o futuro da política monetária do Banco da Inglaterra. Nesse ambiente de múltiplas forças, o real seguiu reagindo tanto às condições domésticas quanto às tendências globais.
Leia e entenda melhor este cenário.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,4015 na segunda-feira (18/ago), um nível 0,6% inferior à abertura da semana anterior (11/ago). A cotação da moeda estrangeira registrou valorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (22/ago) cotado a R$5,4673, patamar 1,1% superior ao da abertura da sexta-feira anterior (15/ago). Entre as aberturas desta sexta-feira (22/ago) e da segunda-feira da semana anterior (11/ago), vimos uma desvalorização de 0,7% do real em relação ao dólar.
O Monitor do PIB-FGV mostrou que a economia brasileira manteve crescimento no segundo trimestre, ainda que em ritmo mais moderado. A atividade avançou 0,5% frente ao primeiro trimestre, já descontados os efeitos sazonais. O desempenho positivo esteve concentrado nos setores de serviços e indústria.
O IBC-Br, prévia do PIB calculada pelo Banco Central, reforçou essa leitura ao recuar 0,1% em junho. No acumulado do segundo trimestre, o indicador cresceu 0,3%, abaixo do ritmo sugerido pelos dados da FGV. A retração foi puxada pela agropecuária e pela indústria, enquanto os serviços apresentaram leve avanço.
Em relação à inflação, o IGP-10 voltou a subir em agosto, após quatro meses consecutivos de queda. O índice registrou alta de 0,16%, frente à deflação de 1,65% em julho, acumulando queda de 1,27% no ano. A reversão foi influenciada pela alta do minério de ferro e, em menor grau, da soja em grãos.
No âmbito fiscal, o aumento do IOF começa a surtir efeitos. A arrecadação do governo federal teve alta real de 4,6% em julho em relação a junho. O dado se confirmou para o recorde histórico de arrecadação para meses de julho. No acumulado do ano, a arrecadação foi de R$1,68 trilhão, alta real de 4,4% em relação a 2024
No campo externo, as conversas de paz na Ucrânia ganharam novo fôlego após a reunião em Washington entre Donald Trump e Volodymyr Zelenski, com os EUA sinalizando apoio à segurança ucraniana. O presidente americano também mencionou a possibilidade de conversas trilaterais com Vladimir Putin, após o encontro realizado no Alasca.
No mercado de trabalho dos EUA, os pedidos iniciais por seguro-desemprego subiram para 235 mil, enquanto o PMI Composto preliminar avançou para 55,4 pontos, reforçando a percepção de atividade robusta.
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Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (18/ago) cotado a R$6,3176. Na abertura desta sexta-feira (22/ago), a cotação foi de R$6,3443. Portanto, a moeda brasileira teve desvalorização de 0,4% frente ao euro nesta semana.
Com relação ao dólar, a moeda europeia perdeu força esta semana, revertendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1695 na segunda (18/ago) para US$1,1606 nesta sexta-feira (22/ago). Portanto, vimos uma desvalorização do euro de aproximadamente 0,8% (leia-se: é preciso menos dólares para comprar um euro).
O bloco do euro registrou superávit comercial de 2,8 bilhões de euros em junho, bem abaixo do saldo de 15,6 bilhões observado em maio, após revisão. Na comparação mensal, as exportações caíram 2,4%, enquanto as importações subiram 3,1%, ambos já ajustados sazonalmente.
Quanto à inflação, a taxa anual ao consumidor permaneceu em 2% em julho, inalterada em relação a junho, com estabilidade também na leitura mensal.
Em relação à atividade, o PMI Composto de agosto avançou levemente para 51,1, após marcar 50,9 no mês anterior, ainda sugerindo expansão tímida e uma economia que caminha sem maior tração.
Esses dados reforçam a visão de que o Banco Central Europeu deve operar um afrouxamento da política monetária cauteloso durante este semestre, avaliando o equilíbrio entre inflação ancorada e crescimento limitado.
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Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (18/ago) cotada a R$7,3182, patamar mais baixo que o registrado nesta sexta-feira (22/ago), R$7,3318. Trata-se de uma desvalorização de 0,2% do real frente à libra. Portanto, a semana foi marcada por uma desvalorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa perdeu força no decorrer da semana, revertendo a tendência de valorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (22/ago) cotada a US$1,3411 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3552, uma desvalorização de 1,0% da moeda britânica em relação ao dólar.
No Reino Unido, os dados mais recentes trouxeram uma leitura importante sobre o ritmo da economia e as perspectivas para a política monetária. Quanto à inflação, o índice de preços ao consumidor subiu 3,8% em julho na comparação anual, acima da expectativa de 3,7% e também superior à leitura anterior de 3,6%. Na variação mensal, houve alta de 0,1%, desacelerando frente a leitura anterior (+0,3%).
No âmbito de atividade, o PMI Composto subiu para 53,0 pontos em agosto, acima tanto das expectativas quanto do resultado anterior, indicando expansão mais sólida da economia. O PMI de serviços também surpreendeu positivamente, atingindo 53,6 pontos.
Esses dados sugerem resiliência do setor de serviços, o que tende a manter o Banco da Inglaterra em posição cautelosa quanto ao ritmo de flexibilização monetária. Novos cortes devem ser definidos com base, principalmente, nos dados de emprego que seguem apresentando perda de ímpeto no mercado de trabalho.
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Perspectivas
Olhando adiante, o real deve seguir influenciado pela combinação de fatores internos e externos, com tendência para valorização. A moeda americana tende a permanecer sensível aos dados de atividade e mercado de trabalho nos EUA, mesmo com o provável corte de juros em setembro. Em relação ao euro, a estabilidade dos preços e ímpeto de atividade limitado, devem dar ao BCE espaço para cortar juros. Já no caso da libra, a persistência da inflação em patamares relativamente elevados e a resiliência do setor de serviços devem manter a moeda apoiada, uma vez que o Banco da Inglaterra seguirá prudente com relação a cortes de juros.
O único grande sinal de alerta ao Brasil é uma eventual escalada das tensões geopolíticas com os Estados Unidos, que pode materializar uma tendência mais prolongada de desvalorização da moeda brasileira em relação ao dólar.
Seguimos de olho.