De Olho no Câmbio #344: Confiança em queda e dívida em alta
Acompanhe o impacto dos acontecimentos mais relevantes sobre o real x dólar, euro e libra, no ‘De Olho no Câmbio’ de 25 a 29 de agosto.
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A semana foi marcada por sinais de desaceleração na economia brasileira, que se somaram a um ambiente internacional cada vez mais desafiador. Indicadores de confiança empresarial mostraram queda expressiva em agosto, refletindo um cenário de estoques elevados, crédito mais restrito e incertezas externas crescentes. Ao mesmo tempo, os dados fiscais reforçaram a pressão sobre a dívida pública, enquanto o setor externo registrou déficit robusto em transações correntes, ainda que compensado por forte entrada de investimentos diretos. No campo inflacionário, o IPCA-15 surpreendeu ao registrar a primeira deflação em dois anos. Contudo, no cenário global, as tensões comerciais ganharam força, com os EUA ampliando tarifas sobre a Índia e aprofundando incertezas geopolíticas. Esse conjunto de fatores alimentou movimentos importantes no câmbio, que seguiu oscilando ao sabor das notícias.
Leia e entenda melhor este cenário.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,4234 na segunda-feira (25/ago), um nível 0,4% superior à abertura da semana anterior (18/ago). A cotação da moeda estrangeira registrou desvalorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (29/ago) cotado a R$5,4129, patamar 1,1% inferior ao da abertura da sexta-feira anterior (22/ago). Entre as aberturas desta sexta-feira (29/ago) e da segunda-feira da semana anterior (18/ago), vimos uma desvalorização de 0,2% do real em relação ao dólar.
A queda nos índices de confiança empresarial reforçou a percepção de desaquecimento econômico, o que tende a reduzir o apetite por ativos locais.
Em paralelo, a deflação do IPCA-15 trouxe algum alívio no front inflacionário, mas também reforçou a leitura de que a atividade está perdendo fôlego. Por outro lado, o avanço do IGP-M interrompeu a sequência de quedas, refletindo uma recomposição dos preços ao produtor depois de fortes deflações mensais.
No setor externo, o déficit expressivo em transações correntes acendeu um sinal de alerta, ainda que a forte entrada de investimentos diretos tenha ajudado a equilibrar o balanço de pagamentos. No acumulado de 12 meses, o déficit em transações correntes tem superado o fluxo de ingresso de investimentos diretos no país.
Nas contas públicas o resultado do setor público consolidado foi alarmante. A DBGG atingiu 77,6% do PIB (R$9,6 trilhões) em julho de 2025, aumento de 0,9 p.p. do PIB em relação ao mês anterior. O movimento se explica, em parte, pelo desembolso de mais de R$100 bilhões em juro da dívida pública e pelo déficit primário de R$66 bilhões no mês.
Por fim, no plano internacional, as tensões comerciais entre EUA e Índia e as incertezas sobre a política monetária americana após declarações polêmicas do presidente Donald Trump ampliaram a volatilidade do câmbio.
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Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (25/ago) cotado a R$6,3543. Na abertura desta sexta-feira (29/ago), a cotação foi de R$6,3291. Portanto, a moeda brasileira teve valorização de 0,4% frente ao euro nesta semana.
Com relação ao dólar, a moeda europeia perdeu força esta semana, mantendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1717 na segunda (25/ago) para US$1,1679 nesta sexta-feira (29/ago). Portanto, vimos uma desvalorização do euro de aproximadamente 0,3% (leia-se: é preciso menos dólares para comprar um euro).
Na Alemanha, a taxa de desemprego permaneceu em 6,3%, mas as vendas no varejo recuaram 1,5% em julho, sinalizando perda de dinamismo no consumo. Já na França, o PIB do segundo trimestre avançou 0,3%, em linha com as expectativas, enquanto na Itália houve recuo de 0,1%, também dentro do esperado.
Esses números, ainda que não alarmantes, confirmam que a atividade do bloco segue sem tração significativa, o que limita o espaço para uma recuperação mais consistente. O ponto positivo é a inflação em convergência, o que pode levar o BCE a flexibilizar sua política monetária de forma cautelosa.
Os dados preliminares de inflação vindos das maiores economias do bloco mostram que os preços aos consumidores continuam em relativa desaceleração, o que, em tese, pode abrir caminho para que o BCE faça algum corte adicional na taxa de juros nesta reta final de 2025.
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Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (25/ago) cotada a R$7,3359, patamar mais alto que o registrado nesta sexta-feira (29/ago), R$7,3134. Trata-se de uma valorização de 0,3% do real frente à libra. Portanto, a semana foi marcada por uma valorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa perdeu força no decorrer da semana, rompendo a tendência de valorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (29/ago) cotada a US$1,3508 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3525, uma desvalorização de 0,1% da moeda britânica em relação ao dólar.
Quanto à libra esterlina, a semana foi menos agitada em função do feriado bancário no início do período e da ausência de grandes divulgações macroeconômicas.
No entanto, declarações de Catherine Mann, membro do Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra, trouxeram certo peso ao cenário. Ela defendeu a manutenção dos juros elevados (4%) por mais tempo, destacando que ainda vê riscos de alta para a inflação, embora tenha reconhecido a possibilidade de cortes mais fortes caso a atividade mostre sinais claros de enfraquecimento.
Vale lembrar que o BoE revisou recentemente para cima sua previsão de inflação de curto prazo, projetando 4% em setembro, e indicou que a convergência para a meta de 2% só deve ocorrer em meados de 2027.
Esse quadro reforça a percepção de que o Banco Central britânico seguirá dividido, o que tende a manter a libra mais forte frente às demais moedas.
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Perspectivas
No Brasil, a expectativa recai sobre a continuidade da desaceleração nos indicadores de atividade, que pode gerar espaço para corte de juros em dezembro. Em relação ao dólar, os desdobramentos das tensões comerciais entre Estados Unidos e seus parceiros serão determinantes para o humor dos mercados, em meio também à incerteza sobre os rumos da política monetária americana. No caso do euro, a fragilidade do crescimento europeu limita movimentos mais firmes da moeda, que deve seguir oscilando em compasso de espera pelas próximas sinalizações do BCE. Já para a libra, a combinação de inflação persistente e atividade em risco manterá a política do BoE sob debate intenso, o que tende a se traduzir em volatilidade cambial, mas em favor da libra.
Seguimos de olho.
