|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
O real apresentou valorização generalizada nesta semana, ganhando força frente ao dólar, ao euro e à libra esterlina. No caso americano, o movimento refletiu o início do ciclo de cortes do Fed, em contraste com a manutenção da Selic em patamar elevado. Em relação ao euro, a combinação de atividade fraca na Zona do Euro e diferencial de juros favorável ao Brasil pesou contra a moeda comum. Já frente à libra, mesmo com o BoE mantendo os juros em 4%, a taxa real doméstica mais elevada garantiu vantagem à divisa brasileira.
Leia e entenda melhor este cenário.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,3520 na segunda-feira (15/set), um nível 1,2% inferior à abertura da semana anterior (08/set). A cotação da moeda estrangeira registrou queda ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (19/set) cotado a R$5,3020, patamar 1,6% inferior ao da abertura da sexta-feira anterior (12/set). Entre as aberturas desta sexta-feira (19/set) e da segunda-feira da semana anterior (08/set), vimos uma valorização de 2,1% do real em relação ao dólar.
O dólar encerrou a semana em queda frente ao real, refletindo o aumento do diferencial de juros. O Fed iniciou o ciclo de cortes, reduzindo sua taxa em 0,25 ponto, enquanto o Copom manteve a Selic em 15% sem sinalizar flexibilização. Esse contraste sustentou a moeda brasileira.
O comunicado do Copom foi conservador e reafirmou a disposição em retomar a alta da Selic se necessário. Essa postura, combinada ao afrouxamento monetário nos EUA, elevou as taxas reais no Brasil e reforçou a atratividade do real diante do dólar.
Na atividade doméstica, o IBC-Br recuou 0,53% em julho, mostrando perda de ritmo mais forte que o esperado. A desaceleração econômica reduz riscos inflacionários e dá suporte ao aumento das taxas reais de juros, favorecendo a percepção positiva sobre o real.
Por outro lado, o mercado de trabalho permanece firme, com a taxa de desemprego caindo a 5,6%, o menor nível da série. Somado a um superávit comercial e fluxo cambial positivo, o cenário reforçou a oferta de dólares no mercado local.
Nos EUA, dados de emprego, varejo e indústria mostraram alguma resiliência, mas a leitura predominante foi de desaceleração gradual. Nesse contexto, crescem as apostas de novos cortes pelo Fed nas reuniões remanescentes de 2025.
Aproveite e confira a cotação do dólar hoje e se inscreva em nosso sistema de alertas para ser notificado sobre variações importantes.
Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (15/set) cotado a R$6,2808. Na abertura desta sexta-feira (19/set), a cotação foi de R$6,2552. Portanto, a moeda brasileira teve valorização de 0,4% frente ao euro nesta semana.
Com relação ao dólar, a moeda europeia ganhou força esta semana, revertendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1735 na segunda (15/set) para US$1,1788 nesta sexta-feira (19/set). Portanto, vimos uma valorização do euro de aproximadamente 0,5% (leia-se: é preciso mais dólares para comprar um euro).
O real também registrou valorização frente ao euro nesta semana, mesmo após o BCE decidir manter suas taxas inalteradas. O movimento reflete sobretudo a percepção de que, embora o ciclo de cortes tenha sido interrompido, a economia europeia segue sem força suficiente para sair do quadro de semi estagnação.
A produção industrial da Zona do Euro cresceu apenas 0,3% em julho, abaixo das expectativas do mercado. Em termos anuais, o avanço de 1,8% mostrou recuperação modesta, mas insuficiente para alterar a visão de que a atividade ainda enfrenta limitações estruturais.
Com esse quadro, investidores continuam preferindo ativos de maior retorno em mercados emergentes, em especial no Brasil, onde os juros reais seguem elevados. O diferencial de rentabilidade amplia a atratividade do real em relação ao euro, reforçando a valorização da moeda brasileira.
Além disso, a leitura de desaceleração global afeta de forma mais intensa as economias europeias, fortemente expostas ao comércio internacional. Esse ambiente tem mantido o euro pressionado depois de um longo e forte movimento de valorização desde o começo do ano, ao passo que o real se beneficia do fluxo cambial positivo e do respaldo de fundamentos internos mais condizentes com um processo gradual de desaceleração da atividade e da inflação.
Aproveite e confira a cotação do euro hoje e se inscreva em nosso sistema de alertas para ser notificado sobre variações importantes.
Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (15/set) cotada a R$7,2562, patamar mais alto que o registrado nesta sexta-feira (19/set), R$7,1922. Trata-se de uma valorização de 0,9% do real frente à libra. Portanto, a semana foi marcada por uma valorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa perdeu força no decorrer da semana, mantendo a tendência de desvalorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (19/set) cotada a US$1,3554 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3559, uma desvalorização de 0,03% da moeda britânica em relação ao dólar.
O Banco da Inglaterra decidiu manter a taxa básica em 4,0% ao ano, em votação dividida. O resultado, com 7 votos pela manutenção e 2 pelo corte, reforça a percepção de que a autoridade monetária deve adotar cautela, evitando iniciar o ciclo de flexibilização tão cedo.
Ao mesmo tempo, os dados de inflação de agosto confirmaram avanço anual de 3,8%, em linha com as expectativas. Com a inflação ainda elevada, o BoE não teve caminho para retomar o ciclo de cortes de juros, sustentando a visão de que a autoridade monetária britânica tardará em cortar o juros novamente.
Mesmo com a atratividade relativa da taxa britânica, pelos juros altos, a libra perdeu força frente ao real nesta semana. O movimento refletiu o aumento do juro real no Brasil, após o Copom manter a Selic em 15% e emitir um comunicado forte, ampliando o diferencial de retornos e fortalecendo a moeda brasileira em relação à libra.
Aproveite e confira a cotação da libra esterlina hoje e se inscreva em nosso sistema de alertas para ser notificado sobre variações importantes.
Perspectivas
Os fundamentos econômicos seguem sustentando a valorização do real frente às principais moedas globais, com destaque para o diferencial de juros. A Selic permaneceu estável, mas o comunicado conservador do Copom elevou os ramos mais curtos das curva de juros, reforçando a atratividade da moeda brasileira. Esse movimento tende a manter o real em vantagem sobre dólar, euro e libra, embora os riscos diplomáticos e geopolíticos, diante da promessa de novas medidas dos EUA contra o Brasil, possam atenuar ou até reverter parte desses ganhos.
Seguimos de olho.