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O real manteve trajetória de valorização frente às principais moedas internacionais ao longo da semana, impulsionado pela combinação de alívio inflacionário doméstico, fluxo cambial positivo e ambiente externo mais favorável ao risco. A desaceleração do IPCA-15 e o corte da gasolina pela Petrobras reforçaram a percepção de inflação controlada, enquanto a resiliência da arrecadação e o superávit comercial sustentaram o ingresso de dólares. No exterior, a melhora dos indicadores chineses e a perspectiva de corte de juros pelo Fed contribuíram para o fortalecimento das moedas emergentes, levando o real a registrar ganhos frente ao dólar, ao euro e à libra esterlina.
Quer saber mais sobre Brasil, EUA, Zona do Euro e Reino Unido? Acompanhe a seguir os desdobramentos destes e outros acontecimentos.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,4044 na segunda-feira (20/out), um nível 2,1% inferior à abertura da semana anterior (13/out). A cotação da moeda estrangeira registrou desvalorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (24/out) cotado a R$5,3804, patamar 0,8% inferior à abertura da sexta-feira anterior (17/out). Entre as aberturas desta sexta (24/out) e da segunda-feira da semana anterior (13/out), vimos uma desvalorização do real em relação ao dólar de 2,1%.
O real se valorizou ao longo da semana, refletindo o alívio nos preços domésticos e o maior apetite por risco no exterior. A desaceleração do IPCA-15 reforçou a percepção de inflação controlada, enquanto o corte da gasolina pela Petrobras ajudou a reduzir as pressões futuras. O cenário interno mais benigno ampliou a atratividade dos ativos brasileiros.
No campo fiscal e externo, a arrecadação mostrou leve alta real e o saldo comercial seguiu positivo, sustentando a entrada de dólares. Apesar do fluxo cambial negativo em outubro, o ingresso de investimento direto ajudou a compensar parte da saída.
No cenário internacional, o PIB e a produção industrial da China vieram acima do esperado, afastando temores de desaceleração mais intensa. A manutenção das taxas de juros chinesas e a ausência de novos choques na guerra comercial EUA-China também sustentaram o sentimento positivo. Esse ambiente impulsionou moedas emergentes, incluindo o real.
Nos EUA, o Escritório de Estatísticas do Trabalho (BLS) reuniu condições para divulgar os dados de inflação relativos ao mês de setembro e a expectativa é de que o indicador venha forte como o de agosto, mas não tão forte o suficiente para demover o Fed da decisão de cortar os juros na semana que vem em 25 bps.
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Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (20/out) cotado a R$6,2970. Na abertura desta sexta-feira (24/out), a cotação foi de R$6,2578. Portanto, houve uma valorização de 0,6% do real frente à moeda europeia, mantendo a apreciação observada na semana anterior.
Com relação ao dólar, a moeda europeia perdeu força esta semana, revertendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1663 na segunda (20/out) para US$1,1618, nesta sexta (24/out). Portanto, vimos uma desvalorização do euro de aproximadamente 0,4% (leia-se: é preciso menos dólares para comprar um euro).
A moeda brasileira ganhou terreno frente à moeda europeia, reflexo, dentre outras coisas, da melhora na percepção dos dados de inflação no país. Essa evolução positiva, tornou o mercado nacional atrativo para aqueles agentes mais ávidos por risco, resultando em um influxo de recursos ao país.
Na Zona do Euro, os destaques da semana foram os discursos de Luís de Guindos e Christine Lagarde. O mercado buscava nas falas dos dirigentes pistas sobre os próximos passos da política monetária dentro do bloco, no entanto, os discursos ficaram dentro do que o mercado esperava.
A fala de Luís de Guindos destacou a necessidade do monitoramento da inflação e do crescimento econômico, reforçando que o BCE atua de modo a garantir a estabilidade financeira do bloco, além de buscar mitigar pressões inflacionárias. O discurso foi interpretado como um sinal de que a política monetária deve manter-se inalterada.
O discurso da presidente do BCE Christine Lagarde caminhou em direção semelhante, reforçando a preocupação da autoridade monetária com a estabilidade nos preços. O equilíbrio entre inflação e atividade econômica é o objetivo do BCE e, portanto, na sua visão, não há necessidade de mudança no curso da política monetária.
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Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (20/out) cotada a R$7,2557, patamar mais alto que o registrado nesta sexta-feira (24/out), R$7,1704. Trata-se de uma valorização de 1,2% do real em relação à moeda britânica. Portanto, a semana foi marcada por um movimento de valorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa perdeu força no decorrer da semana, mantendo a tendência de desvalorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (24/out) cotada a US$1,3327 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3426, uma desvalorização de 1,2% da moeda britânica em relação ao dólar.
A semana foi marcada por uma clara desvalorização da libra esterlina, refletindo dados mistos da economia britânica. Apesar da estabilidade do IPC em setembro, o resultado anual ainda permanece muito acima da meta de inflação, em 3,8%. Esse quadro diminui a possibilidade de o Bank of England operar um corte de juros na próxima reunião.
Outro ponto importante foi a boa evolução do comércio varejista. Dados oficiais mostram crescimento acima do esperado, o que também tende a influenciar a próxima decisão de política monetária.
Apesar de os dados de inflação e consumo diminuírem, ao menos relativamente, a possibilidade de corte de juros pelo BoE na próxima reunião, a libra ainda assim perdeu força. Parte da explicação vem da moderação do tom dos EUA e da China na guerra comercial. Com o abrandamento das tensões, a busca por ativos seguros alternativos ao dólar perde força, e a desvalorização da libra durante esta semana reflete em parte este movimento.
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Perspectivas
Os indicadores de inflação, doméstico e internacional, devem sinalizar os próximos passos da política monetária e por conseguinte a trajetória cambial. No âmbito interno, o IPCA-15 abaixo do que o mercado estava esperando é mais um indício de desinflação em curso, contudo isso não deve ser suficiente para o BC iniciar rapidamente o corte nos juros.
Nos Estados Unidos, embora o shutdown persista, haverá a divulgação do IPC e a perspectiva é de aceleração da inflação no país, o que não deve impedir o FED de reduzir a taxa de juros na próxima reunião, a aposta é de corte de 0,25%. Isso deve aumentar o diferencial de juros entre EUA e Brasil, possibilitando maior fluxo de dólares para o Brasil.
Na Europa, os bancos centrais devem manter a prudência. No Reino Unido, o último dado de inflação foi positivo, mas o patamar anual ainda continua elevado (3,8%), o que deve fazer com que o Banco da Inglaterra mantenha inalterada a taxa de juros; na Zona do Euro, os juros devem manter-se nos atuais patamares dado que a inflação continua acima da meta
Seguimos de olho.