|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
O real teve desempenho misto na semana: ganhou terreno frente ao euro (+0,5%) e à libra (+1,4%), mas perdeu força em relação ao dólar após o Federal Reserve adotar um tom mais duro, sinalizando que novos cortes de juros nos EUA não estão garantidos e fortalecendo a moeda americana. Apesar de dados domésticos que sugerem resiliência parcial da economia brasileira — criação de vagas formais acima do esperado e desemprego ainda no piso histórico — o fluxo global se deslocou para o dólar. Na Europa, o BCE manteve juros estáveis e a inflação caminha para 2%, reforçando a narrativa de desaceleração, enquanto no Reino Unido a libra perdeu valor diante de indicadores mistos e da recomposição da atratividade do dólar após o alívio geopolítico entre EUA e China.
Quer saber mais sobre Brasil, EUA, Zona do Euro e Reino Unido? Acompanhe a seguir os desdobramentos destes e outros acontecimentos.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,3904 na segunda-feira (27/out), um nível 0,3% inferior à abertura da semana anterior (20/out). A cotação da moeda estrangeira registrou desvalorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (31/out) cotado a R$5,3812, patamar 0,02% inferior à abertura da sexta-feira anterior (24/out). Entre as aberturas desta sexta (31/out) e da segunda-feira da semana anterior (20/out), vimos uma valorização do real em relação ao dólar de 0,4%.
A semana foi marcada por uma desvalorização do real frente ao dólar, intensificada após a decisão do Federal Reserve. O corte de 0,25% veio em linha com o esperado, mas o tom de Jerome Powell foi firme. Ao afirmar que um novo corte em dezembro “não está garantido”, o presidente do Fed reforçou o dólar globalmente e elevou a aversão ao risco.
No cenário doméstico, a melhora parcial dos indicadores de confiança não foi suficiente para sustentar a moeda brasileira. A alta da confiança do consumidor e do comércio indica resiliência, mas a queda na indústria e na construção revela fraqueza na atividade.
A deflação mais intensa do IGP-M, de -0,36% em outubro, reforça a ausência de pressões inflacionárias internas. Ainda assim, o déficit primário e as dúvidas fiscais mantêm o prêmio de risco elevado. O real acabou reagindo mais à cautela externa do que aos fundamentos domésticos, com fluxos de capitais se direcionando ao dólar.
Por fim, os dados mais recentes do mercado de trabalho indicam que a economia brasileira segue parcialmente resiliente. O resultado do Caged ficou acima das projeções do mercado financeiro e, por mais que a taxa de desocupação tenha ficado acima do esperado, o percentual segue no piso histórico, em 5,6%.
Neste sentido, apesar da desvalorização do real ao longo desta semana, a resiliência relativa do mercado de trabalho segue afastando, por ora, a possibilidade de o Copom operar um corte de juros na última reunião do ano, em dezembro. Esse comportamento conservador do Copom tende a favorecer a moeda brasileira no curto prazo.
Aproveite e confira a cotação do dólar hoje e se inscreva em nosso sistema de alertas para ser notificado sobre variações importantes.
Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (27/out) cotado a R$6,2669. Na abertura desta sexta-feira (31/out), a cotação foi de R$6,2344. Portanto, houve uma valorização de 0,5% do real frente à moeda europeia, mantendo a apreciação observada na semana anterior.
Com relação ao dólar, a moeda europeia perdeu força esta semana, revertendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1626 na segunda (27/out) para US$1,1572, nesta sexta (31/out). Portanto, vimos uma desvalorização do euro de aproximadamente 0,5% (leia-se: é preciso menos dólares para comprar um euro).
A semana na Zona do Euro foi marcada pela decisão de política monetária do Banco Central Europeu. Como previsto pelo mercado, a autoridade monetária do bloco manteve as três taxas de juros: 2,00% a taxa de depósitos, 2,15% a taxa de refinanciamento e 2,40% a taxa de empréstimo.
A manutenção mostra que a grande preocupação da autoridade monetária da Zona do Euro é com a maior convergência da inflação com a meta (ao redor de 2,0%), mesmo com fortes sinais de desaceleração da atividade econômica, principalmente na maior economia do bloco, a Alemanha.
A execução da política monetária parece estar rendendo os frutos desejados, uma vez que a taxa de inflação (IPC) caminha em direção aos 2,0%. O dado preliminar da inflação no bloco para o mês de outubro aponta para uma desaceleração na comparação anual: 2,1% ante 2,2% no mês de setembro.
Embora a inflação dê sinais de convergência para os 2,0%, o Banco Central Europeu deve manter a taxa de juros nas próximas reuniões. A autoridade monetária do bloco é conhecida pela sua prudência e deve manter os juros até que tenha confiança suficiente para iniciar um novo ciclo de afrouxamento monetário.
Aproveite e confira a cotação do euro hoje e se inscreva em nosso sistema de alertas para ser notificado sobre variações importantes.
Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (27/out) cotada a R$7,1763, patamar mais alto que o registrado nesta sexta-feira (31/out), R$7,0756. Trata-se de uma valorização de 1,4% do real em relação à moeda britânica. Portanto, a semana foi marcada por um movimento de valorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa perdeu força no decorrer da semana, mantendo a tendência de desvalorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (31/out) cotada a US$1,3159 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3313, uma desvalorização de 1,2% da moeda britânica em relação ao dólar.
A libra encerrou a semana em queda frente ao real e ao dólar, pressionada por dados mistos do Reino Unido. O forte avanço no licenciamento de veículos endossou a aceleração da massa monetária e os preços dos imóveis. Esse quadro reforçou a percepção de uma economia ainda resiliente, apesar da taxa de juros elevada.
Os números de crédito e hipotecas mostraram melhora pontual na demanda, mas sem força para impulsionar a moeda. A variação dos preços dos imóveis reforça a maior pressão sobre os juros futuros. Apesar disso, a libra sofreu forte ajuste ao longo da semana.
A principal explicação para a perda de valor da libra ao longo da semana está no acordo recente entre China e Estados Unidos. Parte da valorização anterior da libra e do euro vinha do enfraquecimento do dólar como reserva de valor, em meio à escalada da guerra comercial. Com a melhora do ambiente geopolítico, o dólar recuperou fôlego, pressionando as demais moedas conversíveis.
Aproveite e confira a cotação da libra esterlina hoje e se inscreva em nosso sistema de alertas para ser notificado sobre variações importantes.
Perspectivas
Na próxima semana teremos duas decisões de política monetária, uma no Brasil e outra no Reino Unido; ambas devem manter as taxas de juros nos atuais patamares. Em ambos os casos, as preocupações com a inflação é maior do que com a possível desaceleração da atividade econômica.
A manutenção das taxas de juros aliada à redução de juros promovida pelo FED abre um diferencial de juros que tende a desvalorizar o dólar com relação às principais moedas do mundo, inclusive o real. No entanto, a fala de Powell sobre os próximos passos do FED, deixa uma interrogação se haverá um novo corte em dezembro ou se o ciclo será encerrado.
Além disso, para além dos juros, a melhora no ambiente comercial, sobretudo entre China e EUA, pode abrir caminho para uma melhora da cotação do dólar em relação às moedas fortes, em particular, euro e libra.
Seguimos de olho