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A valorização do real nesta semana refletiu um ambiente externo mais favorável às moedas emergentes, impulsionado pela reprecificação das expectativas sobre a política monetária dos EUA e pela possibilidade de novo corte de juros pelo Federal Reserve em dezembro, ao mesmo tempo em que dados domésticos sólidos, como inflação moderada, melhora da confiança, forte ingresso de IDP e recuo do desemprego, reforçaram a percepção de estabilidade macroeconômica no Brasil. Nesse contexto, o real superou marginalmente o euro, apesar do fortalecimento da moeda europeia diante do dólar, em meio à estagnação do PIB do bloco e ao tom mais conservador do BCE, enquanto a libra, embora tenha ganhado força frente ao dólar apoiada por sinais fiscais ligeiramente melhores no Reino Unido e por pressões inflacionárias persistentes, perdeu valor ante a moeda brasileira, influenciada também pelas recentes sinalizações do Banco Central do Brasil quanto à manutenção da Selic no curto prazo.
Quer saber mais sobre Brasil, EUA, Zona do Euro e Reino Unido? Acompanhe a seguir os desdobramentos destes e outros acontecimentos.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,4033 na segunda-feira (24/nov), um nível 2,0% superior à abertura da semana anterior (17/nov). A cotação da moeda estrangeira registrou desvalorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (28/nov) cotado a R$5,3507, patamar 0,4% superior à abertura da sexta-feira anterior (21/nov). Entre as aberturas desta sexta (28/nov) e da segunda-feira da semana anterior (17/nov), vimos uma desvalorização do real em relação ao dólar de 1,1%.
A moeda brasileira ganhou força nesta semana, favorecida pela reprecificação das expectativas de política monetária nos EUA. O sentimento renovado de que o Fed poderá cortar juros novamente em dezembro reduziu a atratividade do dólar. Com menor aversão ao risco, moedas emergentes, incluindo o real, se valorizaram.
No cenário doméstico, o IPCA-15 de novembro em 0,20% e a desaceleração da inflação em 12 meses para 4,50% ajudaram a ancorar expectativas. A melhora dos índices de confiança do comércio e dos consumidores reforçou um ambiente econômico mais estável. Esses dados aumentaram a percepção de menor risco local.
Os números fiscais e de fluxo cambial também favoreceram o real. O Governo Central registrou superávit de R$36,5 bilhões e o IDP somou US$11 bilhões, maior ingresso para outubro desde 2011. A queda da taxa de desemprego para 5,4% completou o quadro doméstico positivo.
Externamente, a atividade mais fraca nos EUA, evidenciada pela queda da confiança do consumidor e pelo recuo do índice do Fed de Dallas, fortaleceu apostas de cortes de juros. Falas recentes de membros que compõem o comitê de política monetária do Federal Reserve também sugerem inclinação da autoridade monetária a um novo corte de juros no mês que vem.
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Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (24/nov) cotado a R$6,2220. Na abertura desta sexta-feira (28/nov), a cotação foi de R$6,2115. Portanto, houve uma valorização de 0,2% do real frente à moeda europeia, mantendo a apreciação observada na semana anterior.
Com relação ao dólar, a moeda europeia ganhou força esta semana, revertendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1514 na segunda (24/nov) para US$1,1597, nesta sexta (28/nov). Portanto, vimos uma valorização do euro de aproximadamente 0,7% (leia-se: é preciso mais dólares para comprar um euro).
A moeda brasileira registrou leve ganho frente ao euro nesta semana, apesar de a moeda europeia ter se fortalecido em relação ao dólar. O real foi sustentado principalmente pelo conjunto de dados domésticos positivos. Assim, mesmo com algum impulso externo, o euro não conseguiu avançar sobre à moeda brasileira.
Na Europa, o PIB do terceiro trimestre ficou estagnado, refletindo perda de dinamismo no bloco. Embora o euro tenha ganhado força frente ao dólar, a falta de impulso econômico limitou esse movimento. Nesse contexto, o real conseguiu superar marginalmente o euro na semana.
O comportamento do euro em relação à moeda dos Estados Unidos foi favorecido sobretudo pela fala do vice-presidente do Banco Central Europeu, Luis de Guindos. Segundo Guindos, o nível atual da taxa básica de juros na Zona do Euro é adequado, descartando, ao menos por ora, mudanças na política monetária europeia.
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Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (24/nov) cotada a R$7,0745, patamar mais baixo que o registrado nesta sexta-feira (28/nov), R$7,0897. Trata-se de uma desvalorização de 0,2% do real em relação à moeda britânica. Portanto, a semana foi marcada por um movimento de desvalorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa ganhou força no decorrer da semana, revertendo a tendência de desvalorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (28/nov) cotada a US$1,3236 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3098, uma valorização de 1,1% da moeda britânica em relação ao dólar.
A libra esterlina perdeu valor frente ao real nesta semana, mesmo tendo se fortalecido – fortemente – em relação ao dólar. O movimento em relação ao real reflete as falas recentes dos membros do Banco Central do Brasil, que afastam qualquer mudança na taxa básica de juros na próxima reunião e trazem dúvida quanto a um eventual corte em janeiro.
O relatório do Escritório de Orçamento do Reino Unido (OBR) indicou que o cumprimento do mandato fiscal até 2029-30 ocorrerá com uma margem maior que a estimada anteriormente. A probabilidade de atingir a meta subiu para 59%, mas segue mostrando fragilidades estruturais. Esse melhore incipiente e relativo do quadro fiscal britânico ajuda a explicar a valorização da libra em relação ao dólar.
No campo inflacionário, o OBR revisou a projeção do CPI para 3,65% em 2025, aumento em relação à projeção feita em março (3,3%), mas ainda acima da meta de 2% prevista para 2027. A projeção altista das projeções indicam maior dificuldade para cortes de juros pelo Bank of England nas próximas reuniões.
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Perspectivas
A queda recente da taxa de desemprego reacende dúvidas sobre a possibilidade de o Copom iniciar cortes da Selic já na primeira reunião de 2026. Como o mercado de trabalho é um dos pilares das decisões do comitê, o recuo da desocupação para o menor nível da série histórica pode levar o Copom a adiar o tão aguardado ciclo de flexibilização monetária. Essa leitura de um Copom ainda mais conservador, combinada à expectativa de que o Fed reduza os juros em dezembro, pode fortalecer ainda mais o real frente ao dólar, ao euro e à libra.
Seguimos de olho.