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A semana foi marcada por uma valorização expressiva do dólar no mercado internacional, refletindo principalmente o aumento da aversão ao risco provocado pela escalada do conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos. O salto dos preços do petróleo e o temor de que o choque energético se traduza em pressões inflacionárias globais elevaram os rendimentos dos Treasuries e reforçaram a demanda pela moeda americana. Nesse ambiente, as principais divisas internacionais, como o euro e a libra esterlina, registraram desvalorização frente ao dólar.

Quer saber mais sobre Brasil, EUA, Zona do Euro e Reino Unido? Acompanhe a seguir os desdobramentos destes e outros acontecimentos na edição #370 do “De Olho no Câmbio”.

Real x dólar

Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,1293 na segunda-feira (02/mar), um nível 0,09% inferior à abertura da semana anterior (23/fev). Ao longo da semana, a moeda norte-americana perdeu força frente ao real, e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (06/mar) cotado a R$5,2639, patamar 2,4% superior à abertura da sexta-feira anterior (27/fev). Entre as aberturas desta sexta (06/mar) e da segunda-feira da semana anterior (23/fev), vimos uma desvalorização do real em relação ao dólar de 1,6%.

A semana foi marcada por forte valorização global do dólar, movimento impulsionado principalmente pela escalada do conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos. A intensificação das tensões elevou os preços do petróleo e ampliou a percepção de risco inflacionário global. Esse ambiente contribuiu para a alta dos rendimentos dos Treasuries e fortaleceu a demanda internacional pela moeda americana.

No cenário doméstico, os indicadores mostraram sinais mistos da atividade econômica. O PIB avançou 0,1% no quarto trimestre de 2025 e fechou o ano com crescimento de 2,3%, enquanto os PMIs industriais seguiram apontando retração do setor manufatureiro. Em contrapartida, o setor de serviços permaneceu em expansão, sugerindo uma desaceleração assimétrica da economia brasileira.

Os indicadores de inflação e atividade também contribuíram para a dinâmica do câmbio ao longo da semana. O IPC-Fipe registrou leve aceleração em fevereiro e o Índice de Preços ao Produtor avançou acima das expectativas, enquanto a produção industrial surpreendeu positivamente em janeiro. Apesar disso, a queda do IGP-DI e sinais de moderação da atividade limitaram pressões mais intensas sobre as expectativas inflacionárias domésticas.

No exterior, a resiliência da economia americana também reforçou o movimento de valorização do dólar. Os pedidos de seguro-desemprego permaneceram baixos e o PMI industrial dos EUA seguiu em território expansionista, ainda que em ritmo mais moderado. Em conjunto com o choque geopolítico no Oriente Médio e a elevação dos rendimentos dos Treasuries, esse cenário sustentou a apreciação global da moeda americana frente às demais divisas, incluindo o real.

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Real x euro

O euro abriu o pregão de segunda-feira (02/mar) cotado a R$6,0491. Na abertura desta sexta-feira (06/mar), a cotação foi de R$6,1087. Portanto, observou-se uma desvalorização do real frente ao euro de aproximadamente 0,9% no período, refletindo fortalecimento do euro no mercado doméstico.

Em relação ao dólar, a moeda europeia apresentou valorização nesta semana, revertendo a tendência de desvalorização observada na semana anterior. A cotação do euro em dólar passou de US$1,1791 na segunda-feira (02/mar) para US$1,1607 nesta sexta-feira (06/mar). Assim, observou-se uma desvalorização de 1,5% do euro, isto é, são necessários menos dólares para adquirir um euro.

O euro registrou desvalorização frente ao dólar ao longo da semana, refletindo o movimento global de busca por ativos considerados mais seguros diante do aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Em momentos de maior aversão ao risco, a moeda americana tende a concentrar fluxos internacionais. Esse movimento reforçou a apreciação do dólar e pressionou as principais moedas globais.

Na Zona do Euro, os indicadores recentes mostraram um ambiente econômico relativamente equilibrado, mas insuficiente para sustentar uma valorização da moeda europeia diante do cenário global adverso. A inflação ao consumidor recuou para 1,9% em fevereiro, ficando abaixo da meta de médio prazo do banco central. Esse comportamento reforça a percepção de espaço para uma política monetária mais acomodatícia.

Além disso, embora o mercado de trabalho europeu permaneça resiliente e a atividade industrial tenha mostrado alguma recuperação recente, o cenário externo dominou o comportamento do câmbio. A combinação entre menor pressão inflacionária e a migração global de capitais para ativos denominados em dólar contribuiu para a depreciação do euro frente à moeda americana.

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Real x libra esterlina

A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (02/mar) cotada a R$6,9188, nível superior ao registrado na abertura desta sexta-feira (06/mar), cerca de R$7,0268. Portanto, houve desvalorização do real de aproximadamente 1,5% em relação à moeda britânica ao longo da semana.

Em relação ao dólar, a moeda inglesa perdeu força no decorrer da semana, mantendo a tendência de desvalorização observada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (06/mar) cotada a US$1,3356 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3486, uma desvalorização de 0,9% da moeda britânica em relação ao dólar.

A libra esterlina também registrou desvalorização frente ao dólar ao longo da semana, refletindo o ambiente global de maior aversão ao risco. A escalada das tensões geopolíticas e a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano reforçaram a demanda por ativos denominados em dólar. Nesse contexto, moedas de economias avançadas também sofreram pressão frente à divisa americana.

No Reino Unido, os indicadores divulgados sugeriram um quadro de atividade moderada, com alguns sinais de perda de dinamismo. O PMI industrial recuou para 51,7 em fevereiro, ligeiramente abaixo das expectativas, enquanto as aprovações de hipotecas ficaram em 60 mil, também abaixo das projeções do mercado. Esses números indicam um ambiente de crescimento mais contido na economia britânica.

Por outro lado, os dados monetários e de crédito mostraram sinais mistos ao longo do período. Os empréstimos líquidos a indivíduos ficaram abaixo do esperado, enquanto o crédito ao consumidor registrou expansão importante. Em conjunto, esse quadro doméstico relativamente neutro acabou sendo ofuscado pelo movimento global de fortalecimento do dólar.

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Perspectivas

Para a próxima semana, o câmbio deve seguir depreciado devido aos recentes ataques no Oriente Médio e a aversão ao risco, que leva com que moedas emergentes sejam prejudicadas. Muito se discute sobre possíveis crises energéticas, com o petróleo acumulando alta de 15% nesta semana. Isso deve perdurar, principalmente após o anúncio do fechamento do estreito de Ormuz para países aliados, como EUA, Europa e Israel. Cerca de 20% do petróleo mundial passa por lá. Por outro lado, qualquer passo em direção a um cessar-fogo pode renovar – de forma aguda – o movimento de desvalorização da moeda norte-americana.

Seguimos de olho.