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No de Olho no Câmbio desta semana destacamos que o mercado cambial foi marcado por fortalecimento do dólar no cenário internacional, movimento associado ao aumento das incertezas geopolíticas e à busca global por ativos considerados mais seguros. A exemplo do que foi visto na semana anterior. Apesar disso, o real ganhou terreno frente à moeda americana, influenciado pelo diferencial de juros. Em relação ao euro, a moeda brasileira também registrou apreciação, refletindo sobretudo a perda de força da divisa europeia diante do dólar e os sinais de fraqueza da atividade industrial na Alemanha. A libra esterlina também se depreciou frente ao real e ao dólar após a divulgação de indicadores econômicos mais fracos no Reino Unido, incluindo estagnação do PIB mensal, recuo da produção industrial e forte desaceleração das vendas no varejo. Em conjunto, os dados reforçam um cenário de fortalecimento global do dólar e maior cautela dos investidores.
Quer saber mais sobre Brasil, EUA, Zona do Euro e Reino Unido? Acompanhe a seguir os desdobramentos destes e outros acontecimentos na edição #372 do “De Olho no Câmbio”.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,2806 na segunda-feira (09/mar), um nível 2,9% superior à abertura da semana anterior (02/mar). Ao longo da semana, a moeda norte-americana perdeu força frente ao real, e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (13/mar) cotado a R$5,2438, patamar 0,6% inferior à abertura da sexta-feira anterior (06/mar). Entre as aberturas desta sexta (13/mar) e da segunda-feira da semana anterior (02/mar), vimos uma valorização do real em relação ao dólar de 2,2%.
A semana foi marcada por uma desvalorização do dólar frente ao real, mas de ganhos da moeda americana em relação à maior das moedas globais. O movimento aconteceu mesmo em meio ao aumento da aversão ao risco e à continuidade das tensões no Oriente Médio, que reforçou a busca global por ativos considerados mais seguros.
Nos Estados Unidos, os dados de inflação vieram em linha com as expectativas, com alta de 0,3% do CPI em fevereiro e núcleo anualizado de 2,5%, o menor desde a pandemia. Mesmo sem surpresas inflacionárias, o ambiente externo seguiu favorecendo a moeda americana.
No Brasil, a saída líquida de US$3,9 bilhões no fluxo cambial da última semana diminuiu o movimento de valorização do real. Embora o país ainda acumule saldo positivo no ano, o movimento recente limitou os ganhos da moeda brasileira sobre o dólar.
Dados mais fortes que o esperado vindos da indústria, comércio varejista e do setor de serviços, aumentam as chances de o Copom realizar um corte de juros mais brando na semana que vem. Essa leitura, de um Copom mais cauteloso, ajudou a limitar os ganhos da divisa norte-americana sobre o real ao longo da semana.
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Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (09/mar) cotado a R$6,0995. Na abertura desta sexta-feira (13/mar), a cotação foi de R$6,0444. Portanto, observou-se uma valorização do real frente ao euro de aproximadamente 0,9% no período, refletindo o enfraquecimento do euro no mercado doméstico.
Em relação ao dólar, a moeda europeia apresentou desvalorização nesta semana, revertendo a tendência de valorização observada na semana anterior. A cotação do euro em dólar passou de US$1,1617 na segunda-feira (09/mar) para US$1,1512 nesta sexta-feira (13/mar). Assim, observou-se uma desvalorização de 0,9% do euro, isto é, são necessários menos dólares para adquirir um euro.
O real conseguiu se valorizar frente ao euro nesta semana, em um movimento influenciado principalmente pela perda de força da moeda europeia no cenário internacional. O euro recuou diante do dólar em meio à crescente percepção de risco associada ao conflito no Oriente Médio.
Os dados econômicos da zona do euro também reforçaram o quadro de fragilidade. Na Alemanha, a produção industrial recuou 0,5% em janeiro e as encomendas à indústria despencaram 11,1%, evidenciando a fraqueza do setor manufatureiro.
Nesse ambiente, o dólar ganhou protagonismo global, enquanto o euro perdeu tração entre investidores. Como resultado, mesmo com alguma volatilidade no mercado doméstico, o real conseguiu se apreciar em relação à moeda europeia ao longo da semana.
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Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (09/mar) cotada a R$7,0629, nível superior ao registrado na abertura desta sexta-feira (13/mar), cerca de R$7,0042. Portanto, houve valorização do real de aproximadamente 0,8% em relação à moeda britânica ao longo da semana.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa perdeu força no decorrer da semana, mantendo a tendência de desvalorização observada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (13/mar) cotada a US$1,3351 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3412, uma desvalorização de 0,4% da moeda britânica em relação ao dólar.
A libra esterlina apresentou desvalorização ao longo da semana tanto frente ao real quanto em relação ao dólar. O movimento refletiu a leitura de que a atividade econômica britânica segue perdendo fôlego, reforçando a percepção de um cenário de crescimento mais moderado no Reino Unido. Além disso, tal como aconteceu com o euro, a divisa britânica perdeu valor em relação ao dólar em função do aumento da aversão ao risco e a busca por ativos de refúgio.
Os dados de atividade confirmaram essa tendência. O PIB mensal de janeiro ficou estagnado (0,0%), abaixo da expectativa de crescimento de 0,2%, enquanto o resultado anual de 0,8% também veio ligeiramente abaixo das projeções, sugerindo ritmo limitado de expansão econômica.
No setor produtivo, os indicadores também mostraram desempenho fraco. A produção industrial recuou 0,1% no mês, frustrando as expectativas de alta de 0,3%, enquanto as vendas no varejo do BRC desaceleraram fortemente para 0,7% na comparação anual em fevereiro, bem abaixo dos 2,0% projetados, reforçando a perda de tração do consumo.
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Perspectivas
Os dados de atividade econômica mais recentes do Brasil mostraram alguma recuperação da economia depois da queda generalizada registrada em dezembro. Embora a alta na produção e nas vendas represente apenas uma recomposição parcial das perdas registradas no último mês de 2025, os números mais recentes podem fazer o Copom adotar uma postura mais cautelosa na próxima reunião, marcada para a semana que vem.
Complementarmente, a elevação do clima de incerteza aumentou as taxas de juros futuros ao longo da semana, o que ajudou a sustentar a força do real mesmo diante de um forte aumento do dólar no mercado internacional.
Esse movimento pode ser mantido ao longo da próxima semana, condicionado, é claro, aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio.
Seguimos de olho.