|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
Ao longo da semana, o real apresentou valorização frente ao dólar, euro e libra, sustentado principalmente por fatores domésticos, como o diferencial de juros ainda elevado. No cenário externo, apesar do tom conservador do Fed e das tensões geopolíticas, o dólar perdeu força globalmente, favorecendo moedas emergentes. Mesmo com a valorização do euro e da libra frente à moeda americana, o real se destacou positivamente, ancorado em sinais de atividade resiliente e inflação mais comportada. A postura cautelosa do Copom reforçou esse movimento, ao indicar juros elevados por mais tempo. O resultado foi um câmbio mais favorável ao real, ainda que inserido em um ambiente global volátil.
Quer saber mais sobre Brasil, EUA, Zona do Euro e Reino Unido? Acompanhe a seguir os desdobramentos destes e outros acontecimentos na edição #373 do “De Olho no Câmbio”.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,3237 na segunda-feira (16/mar), um nível 0,8% superior à abertura da semana anterior (09/mar). Ao longo da semana, a moeda norte-americana perdeu força frente ao real, e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (20/mar) cotado a R$5,2206, patamar 0,4% inferior à abertura da sexta-feira anterior (13/mar). Entre as aberturas desta sexta (20/mar) e da segunda-feira da semana anterior (09/mar), vimos uma valorização do real em relação ao dólar de 1,1%.
A semana foi marcada por valorização do real frente ao dólar, em um movimento que combinou fatores domésticos e externos. Apesar do ambiente global ainda carregado, com tensões geopolíticas e discurso conservador do Fed, a moeda americana perdeu força frente às principais divisas, abrindo espaço para apreciação do câmbio no Brasil.
No cenário doméstico, a combinação de atividade resiliente e sinais de desinflação ajudou a sustentar o real. O avanço de 0,78% do IBC-Br em janeiro, somado à queda do IGP-10 pelo segundo mês consecutivo, reforçou a leitura de economia ainda firme, mas com menor pressão inflacionária, favorecendo a atratividade relativa dos ativos locais.
No Brasil, o Copom optou por um corte de juros mais brando, de 0,25%, que levou a Selic de 15% para 14,75% ao ano. Apesar do início do ciclo de cortes de juros, a taxa permanece em um dos níveis mais elevados dos últimos 20 anos, o que ajuda a atrair capital ao país.
No exterior, mesmo com o Fed mantendo juros elevados e sinalizando cautela, o dólar perdeu força globalmente. As curvas de juros futuros agora sugerem que o primeiro corte de juros nos Estados Unidos ocorrerá apenas no segundo trimestre de 2027. Apesar disso, notícias pontuais sobre o estreito de Ormuz e a guerra no Oriente Médio criaram um ambiente de desvalorização da moeda americana.
Aproveite e confira a cotação do dólar hoje e se inscreva em nosso sistema de alertas para ser notificado sobre variações importantes.
Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (16/mar) cotado a R$6,0833. Na abertura desta sexta-feira (20/mar), a cotação foi de R$6,0423. Portanto, observou-se uma valorização do real frente ao euro de aproximadamente 0,7% no período, refletindo o enfraquecimento do euro no mercado doméstico.
Em relação ao dólar, a moeda europeia apresentou valorização nesta semana, revertendo a tendência de desvalorização observada na semana anterior. A cotação do euro em dólar passou de US$1,1414 na segunda-feira (16/mar) para US$1,1577 nesta sexta-feira (20/mar). Assim, observou-se uma valorização de 1,4% do euro, isto é, são necessários mais dólares para adquirir um euro.
A semana foi marcada por valorização do real frente ao euro, mesmo com a moeda europeia ganhando força no cenário global. O movimento reflete, em grande medida, fatores domésticos, com o câmbio reagindo mais à condução da política monetária brasileira do que ao ambiente externo.
A postura cautelosa do Copom, mesmo diante do início do ciclo de cortes, reforçou a percepção de que os juros permanecerão elevados por mais tempo. Esse sinal contribuiu para sustentar o diferencial de juros e aumentar a atratividade do real, especialmente em um contexto de busca por rendimento.
Além disso, a dinâmica inflacionária doméstica mais comportada, com índices de preços ainda em terreno negativo no atacado, ajudou a consolidar a leitura de menor risco inflacionário no curto prazo. Isso reduz prêmios de risco e favorece a apreciação cambial, mesmo em meio a sinais mistos da atividade.
Do lado externo, a valorização do euro frente ao dólar foi influenciada por dados de inflação mais firmes na Zona do Euro. O que poderia exigir do Banco Central Europeu uma postura mais conservadora ao longo de 2026, mantendo os juros no atual patamar por mais tempo.
Aproveite e confira a cotação do euro hoje e se inscreva em nosso sistema de alertas para ser notificado sobre variações importantes.
Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (16/mar) cotada a R$7,0526, nível superior ao registrado na abertura desta sexta-feira (20/mar), cerca de R$7,0103. Portanto, houve valorização do real de aproximadamente 0,6% em relação à moeda britânica ao longo da semana.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa ganhou força no decorrer da semana, revertendo a tendência de desvalorização observada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (20/mar) cotada a US$1,3424 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3233, uma valorização de 1,4% da moeda britânica em relação ao dólar.
A semana foi marcada por valorização do real frente à libra, mesmo com a moeda britânica ganhando força contra o dólar. No Reino Unido, o Banco da Inglaterra manteve os juros em 3,75%, com votação amplamente favorável à manutenção, reforçando o tom cauteloso.
No mercado de trabalho, a taxa de desemprego ficou em 5,2%, uma queda em relação à leitura anterior. Ainda assim, o real se apreciou frente à libra, sustentado pelo diferencial de juros e pelo fluxo de dólares em direção ao país, fruto da própria escalada dos preços de commodities que o país exporta, como o petróleo.
Aproveite e confira a cotação da libra esterlina hoje e se inscreva em nosso sistema de alertas para ser notificado sobre variações importantes.
Perspectivas
O diferencial de juros continua estimulando a entrada de capitais no país, o que, em condições normais, favoreceria o real frente ao dólar e a outras moedas. Ainda assim, a dinâmica cambial tem sido fortemente influenciada pelos desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio.
A escalada do conflito tende a elevar a aversão ao risco e reforçar a busca por ativos de proteção, como o dólar. Dessa forma, mesmo com a Selic em 14,75% e a expectativa de manutenção de uma postura conservadora pelo Copom, o ambiente externo pode limitar a continuidade da apreciação do real observada desde meados do ano passado.
Seguimos de olho.