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Ao longo da semana, o real se fortaleceu frente às principais moedas em um ambiente de menor aversão ao risco. O dólar recuou com dados que reforçam a moderação da economia dos Estados Unidos, enquanto na Europa a inflação mais baixa pressionou o euro. No Reino Unido, sinais de atividade mais fraca também contribuíram para a desvalorização da libra.
Quer saber mais sobre Brasil, EUA, Zona do Euro e Reino Unido? Acompanhe a seguir os desdobramentos destes e outros acontecimentos na edição #375 do “De Olho no Câmbio”.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,2354 na segunda-feira (30/mar), um nível 1,5% inferior à abertura da semana anterior (23/mar). Ao longo da semana, a moeda norte-americana perdeu força frente ao real, e o dólar abriu o pregão desta quinta-feira (02/abr) cotado a R$5,1551, patamar 1,6% inferior à abertura da sexta-feira anterior (27/mar). Entre as aberturas desta sexta (02/abr) e da segunda-feira da semana anterior (23/mar), vimos uma valorização do real em relação ao dólar de 3,0%.
A semana foi marcada por depreciação do dólar frente ao real, refletindo a melhora do apetite por risco em meio à expectativa de cessar-fogo no Oriente Médio. Apesar disso, declarações ainda mais recentes do presidente Donald Trump sobre atacar o Irã com todas as forças trouxeram à tona novos questionamentos se o fim está de fato próximo.
Os dados dos Estados Unidos trouxeram sinais mistos, mas com leve viés de desaceleração no mercado de trabalho. A criação de 62 mil vagas pela ADP superou as expectativas, porém veio abaixo do mês anterior, enquanto as vagas em aberto recuaram para 6,882 milhões. Esse conjunto reforça a percepção de perda gradual de fôlego.
Por outro lado, indicadores de atividade mostraram alguma resiliência, com destaque para o varejo (+0,6%) e o PMI industrial acima de 52 pontos. Ainda assim, esses dados não foram suficientes para reverter o movimento cambial, já que o foco permaneceu na leitura de moderação econômica e no alívio geopolítico.
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Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (30/mar) cotado a R$6,0351. Na abertura desta quinta-feira (02/abr), a cotação foi de R$5,9630. Portanto, observou-se uma valorização do real frente ao euro de aproximadamente 1,2% no período, refletindo o enfraquecimento do euro no mercado doméstico.
Em relação ao dólar, a moeda europeia apresentou valorização nesta semana, revertendo a tendência de desvalorização observada na semana anterior. A cotação do euro em dólar passou de US$1,1518 na segunda-feira (30/mar) para US$1,1525 nesta quinta-feira (02/abr). Assim, observou-se uma valorização de 0,06% do euro, isto é, são necessários mais dólares para adquirir um euro.
O euro apresentou desvalorização ao longo da semana, pressionado por sinais de inflação mais comportada na Zona do Euro. O IPC anual desacelerou em março, enquanto o núcleo também reforçou a percepção de menor pressão. Apesar disso, a aposta continua de que o BCE permanecerá cauteloso nas próximas reuniões.
No campo da atividade, o PMI industrial avançou, indicando expansão moderada e ligeiramente acima das projeções. Apesar disso, o dado não foi suficiente para compensar a leitura mais fraca da inflação, já que o mercado segue priorizando sinais que possam antecipar cortes de juros.
Além disso, a taxa de desemprego subiu acima do esperado, sinalizando um mercado de trabalho um pouco mais frágil. Esse dado reforça a visão de desaceleração econômica na região, limitando pressões salariais e inflacionárias. Com isso, o euro perdeu valor frente a outras moedas.
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Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (30/mar) cotada a R$6,9538, nível superior ao registrado na abertura desta quinta-feira (02/abr), cerca de R$6,8561. Portanto, houve valorização do real de aproximadamente 1,4% em relação à moeda britânica ao longo da semana.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa perdeu força no decorrer da semana, revertendo a tendência de valorização observada na semana anterior, e abriu esta quinta-feira (02/mar) cotada a US$1,3204 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3272, uma desvalorização de 0,5% da moeda britânica em relação ao dólar.
A libra esterlina também apresentou desvalorização frente ao real, refletindo indicadores que reforçam a fragilidade do crescimento no Reino Unido. O PIB trimestral ficou estagnado, enquanto o crescimento anual desacelerou, evidenciando o baixo dinamismo. Esse ambiente reduz o diferencial de atratividade da moeda britânica.
No campo dos investimentos, houve nova contração no trimestre, ainda que ligeiramente melhor que o esperado, o que mostra a cautela das empresas diante do cenário econômico. Por outro lado, o déficit em transações correntes diminuiu, trazendo algum alívio externo, mas insuficiente para sustentar a libra.
Apesar disso, o setor imobiliário mostrou resiliência. Ainda assim, esse fator positivo não compensou o restante dos indicadores, especialmente diante de um crescimento econômico limitado. Com isso, a libra perdeu força frente ao real, acompanhando o movimento global de enfraquecimento de moedas desenvolvidas.
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Perspectivas
O câmbio deve continuar reagindo principalmente ao ambiente externo, com destaque para a evolução do cenário geopolítico e o apetite global por risco. A manutenção de um quadro mais benigno tende a sustentar a fraqueza do dólar no exterior, favorecendo moedas emergentes como o real. Em contrapartida, qualquer deterioração no ambiente internacional pode rapidamente reverter esse movimento e pressionar o câmbio.
Além disso, os dados econômicos dos Estados Unidos seguem relevantes para calibrar a percepção sobre o ritmo da atividade, influenciando o comportamento do dólar global. No Brasil, o diferencial de juros ainda elevado continua oferecendo suporte ao real, embora com menor intensidade diante de fluxos externos mais voláteis. Assim, a dinâmica do câmbio deve permanecer dependente do balanço entre fluxo internacional e percepção de risco.
Seguimos de olho.