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De Olho no Câmbio #380: Dólar atinge menor nível em mais de 2 anos

Acompanhe o impacto dos acontecimentos mais relevantes sobre o real versus dólar, euro e libra esterlina, no ‘De Olho no Câmbio’ de 04 a 08 de maio.

Acompanhe o impacto dos acontecimentos mais relevantes sobre o real versus dólar, euro e libra esterlina, no ‘De Olho no Câmbio’ de 04 a 08 de maio.
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No De Olho no Câmbio desta semana, destacamos a forte valorização do real frente ao dólar, que atingiu o menor nível em mais de dois anos diante da melhora do ambiente internacional e do avanço das negociações entre EUA e Irã. Mesmo com a elevada volatilidade geopolítica, o DXY permaneceu praticamente estável, enquanto moedas emergentes ganharam força. No Brasil, a ata do Copom reforçou uma leitura mais conservadora para a política monetária, aumentando a percepção de juros elevados por mais tempo e favorecendo o real. A atuação do Banco Central com leilões de swap cambial reverso também chamou atenção do mercado, sendo a primeira operação desse tipo desde maio de 2016.

Quer saber mais sobre Brasil, EUA, Zona do Euro e Reino Unido? Acompanhe a seguir os desdobramentos destes e outros acontecimentos na edição #380 do “De Olho no Câmbio”.

Real x dólar

Começamos a semana com o dólar cotado a R$4,9628 na segunda-feira (04/mai), um nível 0,4% inferior à abertura da semana anterior (27/abr). Ao longo da semana, a moeda norte-americana perdeu força frente ao real, e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (08/mai) cotado a R$4,9245, patamar 0,6% inferior à abertura da quinta-feira anterior (30/abr). Entre as aberturas desta sexta (08/mai) e da segunda-feira da semana anterior (27/abr), vimos uma desvalorização do real em relação ao dólar de 1,2%.

O dólar encerrou a semana em queda frente ao real, tocando o menor nível em mais de dois anos. O movimento refletiu a melhora do ambiente internacional, impulsionada pelo avanço das negociações diplomáticas entre EUA e Irã. Com a redução da aversão ao risco, moedas emergentes ganharam força e o real esteve entre os principais destaques.

A ata do Copom reforçou uma leitura mais conservadora para a política monetária brasileira. O mercado passou a interpretar que o ciclo de cortes da Selic pode ser encerrado antes do esperado, mantendo o diferencial de juros elevado por mais tempo. Esse fator aumentou a atratividade do real e ajudou a sustentar a valorização da moeda brasileira.

A atuação do Banco Central também chamou atenção no mercado cambial. A autoridade monetária realizou leilões de swap cambial reverso para corrigir disfuncionalidades e melhorar a liquidez diante da forte queda do dólar. A última operação desse tipo havia ocorrido em maio de 2016, em um contexto econômico e cambial bastante diferente do atual.

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Real x euro

O euro abriu o pregão de segunda-feira (04/mai) cotado a R$5,8116. Na abertura desta sexta-feira (08/mai), a cotação foi de R$5,8005. Portanto, observou-se uma valorização do real frente ao euro de aproximadamente 0,2% no período, mantendo o movimento de valorização registrado na semana anterior.

Em relação ao dólar, a moeda europeia apresentou desvalorização nesta semana, mantendo a tendência de desvalorização observada na semana anterior. A cotação do euro em dólar passou de US$1,1738 na segunda-feira (04/mai) para US$1,1732 nesta sexta-feira (08/mai). Assim, observou-se uma desvalorização de 0,05% do euro, isto é, são necessários menos dólares para adquirir um euro.

O euro encerrou a semana pressionado frente ao real, acompanhando o fortalecimento da moeda brasileira e a melhora do ambiente internacional. A redução da aversão ao risco favoreceu moedas emergentes e diminuiu a demanda por proteção na Europa.

Na zona do euro, os dados de vendas no varejo vieram mais fracos em março, reforçando os sinais de desaceleração econômica no bloco. O consumo mais fraco aumentou a cautela do mercado em relação ao ritmo de recuperação da economia europeia.

Ao mesmo tempo, o mercado segue atento aos próximos passos do Banco Central Europeu diante de uma inflação ainda resistente, com declarações de membros do BCE sugerindo aumento de juros para as próximas reuniões.

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Real x libra esterlina

A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (04/mai) cotada a R$6,7311, nível superior ao registrado na abertura desta sexta-feira (08/mai), de R$6,6716. Portanto, houve uma valorização do real de aproximadamente 0,9% em relação à moeda britânica ao longo da semana.

Em relação ao dólar, a moeda inglesa perdeu força no decorrer da semana, mantendo a tendência de desvalorização observada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (08/mai) cotada a US$1,3556 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3579, uma desvalorização de 0,2% da moeda britânica em relação ao dólar.

Apesar da desvalorização da moeda britânica tanto em relação ao dólar quanto em relação ao real, os sinais da economia europeia sugerem que o Bank of England tem bastante trabalho à frente, o que, por sua vez, pode favorecer a libra mais à frente.

Enquanto o Reino Unido lida para enfrentar os efeitos inflacionários da guerra, a economia emite sinais de resiliência. Os dados definitivos de PMI, divulgados nesta semana, sugerem uma economia forte no encerramento do primeiro quadrimestre. O PMI do setor de serviços saltou de 50,5 pontos em março para 52,7 pontos no mês passado. O PMI composto, que congrega serviços e indústria, também apresentou forte alta no mês passado, a 52,6 pontos, ante 50,3 pontos em março.

A combinação de economia resiliente e inflação em alta por conta do conflito no Oriente Médio, pode obrigar o BoE a manter os juros elevados por mais tempo. Em casos mais extremos, avaliar, tal como o Banco Central Europeu, a possibilidade de algum aumento dos juros nas próximas reuniões de política monetária.

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Perspectivas

A valorização do real nesta semana foi impulsionada, principalmente, pelo alívio nas tensões geopolíticas internacionais, movimento que reduziu a busca global por proteção e enfraqueceu o dólar frente às moedas emergentes. Esse ambiente mais favorável ao risco beneficiou o câmbio brasileiro.

Além disso, ganhou força no mercado a interpretação de que o Copom pode encerrar de forma antecipada o ciclo de cortes de juros, mantendo o diferencial de taxas em patamar elevado e aumentando a atratividade do real. Apesar desse suporte mais positivo para o real, a continuidade de novos ganhos ainda depende da evolução do cenário geopolítico, que segue sendo o principal fator de volatilidade para o dólar.

Seguimos de olho.

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