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No “De Olho no Câmbio” dessa semana, mesmo diante do aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã e da possibilidade de novas tarifas contra produtos brasileiros, o real manteve força frente ao dólar, sustentado pelo bom desempenho das exportações, pelo ingresso de investimentos produtivos e pelo elevado diferencial de juros. A balança comercial deve fechar maio com superávit próximo de US$7 bilhões, levando o saldo acumulado no ano a mais de US$32,5 bilhões. O mesmo movimento favoreceu o real frente ao euro e à libra, apesar da postura mais dura do BCE e do BoE diante da piora inflacionária. Nesse cenário, a manutenção dos juros elevados no Brasil segue como fator decisivo para a valorização relativa da moeda brasileira.
Quer saber mais sobre Brasil, EUA, Zona do Euro e Reino Unido? Acompanhe a seguir os desdobramentos destes e outros acontecimentos na edição #384 do “De Olho no Câmbio“.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,0439 na segunda-feira (01/jun), um nível 0,1% superior à abertura da semana anterior (25/mai). Ao longo da semana, a moeda norte-americana perdeu força frente ao real, e o dólar abriu o pregão desta quarta-feira (03/jun) cotado a R$5,0222, patamar 0,6% inferior à abertura da sexta-feira anterior (29/mai). Entre as aberturas desta quarta (03/jun) e da segunda-feira da semana anterior (25/mai), vimos uma valorização do real em relação ao dólar de 0,4%.
O aumento das tensões entre os Estados Unidos e o Irã e a possibilidade de uma nova rodada de tarifas comerciais contra os produtos brasileiros não foram suficientes para alterar a dinâmica cambial da moeda brasileira contra a moeda norte-americana.
A explicação para essa força adicional da divisa brasileira está no volume de exportações, no ingresso de investimentos produtivos no país e no diferencial de juros.
A balança comercial de maio deve registrar um superávit de cerca de US$7 bilhões. Com este resultado, o superávit acumulado nos cinco primeiros meses do ano deve superar os US$32,5 bilhões, um crescimento superior a 33% em relação ao mesmo período do ano passado.
O volume de investimento produtivo segue a mesma dinâmica e o resultado do primeiro quadrimestre de 2026 supera o que foi registrado nos quatro primeiros meses de 2025. Por fim, os riscos inflacionários oriundos do conflito no Oriente Médio sugerem que o BC tenha que manter os juros elevados por mais tempo, o que tem favorecido a moeda brasileira.
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Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (01/jun) cotado a R$5,8839. Na abertura desta quarta-feira (03/jun), a cotação foi de R$5,8442. Portanto, observou-se uma valorização do real frente ao euro de aproximadamente 0,7% no período, revertendo o movimento de desvalorização registrado na semana anterior.
Em relação ao dólar, a moeda europeia apresentou valorização nesta semana, mantendo a tendência de valorização observada na semana anterior. A cotação do euro em dólar passou de US$1,1663 na segunda-feira (01/jun) para US$1,1632 nesta quarta-feira (03/jun). Assim, observou-se uma valorização de 0,3% do euro, isto é, são necessários mais dólares para adquirir um euro.
Apesar dos sinais cada vez mais evidentes de que o Banco Central Europeu terá que aumentar os juros nas próximas reuniões de política monetária, o euro voltou a perder valor em relação à moeda brasileira.
A ata da última reunião de política monetária e as falas de diversos dirigentes do BCE sugerem uma postura mais conservadora da autoridade monetária europeia ao longo dos próximos meses. Dados preliminares mostram que a inflação na Zona do Euro subiu de 3,0% em abril para 3,2% nos 12 meses encerrados em maio.
Embora tenha havido uma importante desaceleração da variação dos preços na passagem de abril para maio, de 1,0% para 0,1%, o resultado do mês passado sugere uma piora nos dados qualitativos da inflação na Europa. O núcleo do IPC, por exemplo, subiu de 2,2% para 2,5%, acima das projeções do mercado financeiro.
A piora nas condições de inflação torna o movimento do real ainda mais importante e mostra a força que o diferencial de juros tem oferecido à moeda brasileira.
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Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (01/jun) cotada a R$6,7918, nível superior ao registrado na abertura desta quarta-feira (03/jun), de R$6,7670. Portanto, houve uma valorização do real de aproximadamente 0,4% em relação à moeda britânica ao longo da semana.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa ganhou força no decorrer da semana, mantendo a tendência de valorização observada na semana anterior, e abriu esta quarta-feira (03/jun) cotada a US$1,3466 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3460, uma valorização de 0,04% da moeda britânica em relação ao dólar.
A exemplo do que aconteceu com o euro, a libra foi influenciada por declarações de membros do Bank of England. O presidente do BoE, Andrew Bailey, falou ao parlamento inglês ao longo da semana e destacou as principais preocupações do Banco Central local.
Bailey disse que um corte de juros está fora de questões para este ano. Bailey disse ainda que a autoridade monetária britânica não irá esperar por evidências concretas antes de tomar uma atitude e que um aumento de juros pode ocorrer nas próximas reuniões do Banco.
O presidente do BoE também expressou preocupação com o ritmo da economia do Reino Unido em função dos efeitos econômicos da guerra sobre a atividade econômica europeia como um todo. Dados da S&P Global divulgados ao longo desta semana sustentam essa preocupação. Os índices de gerentes de compras de maio sugerem forte perda de ritmo do setor de serviços em relação ao mês de abril.
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Perspectivas
A expectativa para a próxima semana é de relativa estabilidade no câmbio, apoiada pelo elevado diferencial de juros no Brasil. Esse cenário permanece favorecendo a entrada de capital e ajuda a limitar movimentos mais bruscos de desvalorização do real.
Por outro lado, investidores seguem atentos a riscos fiscais domésticos e tensões geopolíticas externas. A sinalização de uma política monetária mais restritiva nos EUA e na Zona do Euro tende a sustentar as forças dessas moedas. Ainda assim, o viés predominante permanece de estabilidade, embora com atenção constante de ruídos políticos internos.
Seguimos de olho.