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Entre dados, política e Fed — o que moldou o mercado

Acompanhe o impacto dos acontecimentos mais relevantes sobre o real versus dólar, euro e libra esterlina, no ‘De Olho no Câmbio’ de 24 a 28 de novembro.

Homem contando dólares
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A primeira semana de dezembro trouxe um mercado de câmbio marcado por movimentos contidos, mas cheios de sinais importantes sobre o que vem pela frente. Dados de atividade no Brasil, indicadores mistos na Europa e expectativas crescentes por um corte de juros nos Estados Unidos redefiniram o humor global dia após dia. 

Entre volatilidade moderada e ajustes técnicos, o real navegou uma semana guiada mais pelo cenário internacional do que por fatores domésticos — enquanto investidores já começavam a reposicionar suas apostas para as decisões mais aguardadas do mês.

Quer saber mais sobre Brasil, EUA, Zona do Euro e Reino Unido? Acompanhe a seguir os desdobramentos destes e outros acontecimentos na edição #358 do “De Olho no Câmbio”.

Real x dólar

Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,3363 na segunda-feira (01/dez), um nível 1,2% inferior à abertura da semana anterior (24/nov). A cotação da moeda estrangeira registrou desvalorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (05/dez) cotado a R$5,3108, patamar 0,9% inferior à abertura da sexta-feira anterior (28/nov). Entre as aberturas desta sexta (05/dez) e da segunda-feira da semana anterior (24/nov), vimos uma valorização do real em relação ao dólar de 1,7%.

O real passou a semana alternando momentos de apreciação e leve pressão, com o dólar oscilando entre R$5,30 e R$5,36. O câmbio foi influenciado principalmente por três fatores: 

(1) a expectativa pela decisão do Federal Reserve, especialmente diante de sinais de inflação mais branda nos EUA e apostas crescentes de corte de juros ainda em dezembro; 

(2) a volatilidade trazida pelas declarações sobre a sucessão no Fed, com Kevin Hassett ganhando força como possível presidente; e 

(3) o comportamento dos Treasuries, que recuaram ao longo da semana, favorecendo moedas emergentes.

No cenário doméstico, o mercado monitorou a produção industrial e o PIB do 3º tri (+0,1%), além das falas do presidente do Banco Central, que reforçou um tom conservador e a possibilidade de maior atuação no mercado de câmbio, o que ajudou a conter movimentos abruptos na taxa de câmbio. O fluxo comercial também deu suporte ao real.

Aproveite e confira a cotação do dólar hoje e se inscreva em nosso sistema de alertas para ser notificado sobre variações importantes.

Real x euro

O euro abriu o pregão de segunda-feira (01/dez) cotado a R$6,1885. Na abertura desta sexta-feira (05/dez), a cotação foi de R$6,1881. Portanto, houve uma variação de 0,0% do real frente à moeda europeia, mantendo uma estabilidade.

Com relação ao dólar, a moeda europeia ganhou força esta semana, revertendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1601 na segunda (01/dez) para US$1,1645, nesta sexta (05/dez). Portanto, vimos uma valorização do euro de aproximadamente 0,4% (leia-se: é preciso mais dólares para comprar um euro).

O euro teve semana de leve fortalecimento global, refletindo sinais mistos — porém, na média, menos negativos — da economia europeia. Os PMIs industriais seguiram fracos, mas os PMIs de serviços surpreenderam positivamente, especialmente na Zona do Euro, o que deu algum suporte à moeda.

Além disso, indicadores como vendas no varejo, produção industrial e a leitura revisada do PIB europeu reforçaram um quadro de desaceleração, mas não de recessão profunda. Para o real, esse contexto significou uma semana de volatilidade moderada, mas sem grandes tendências estruturais no par BRL/EUR, já que o fluxo global de risco esteve mais atento aos EUA do que à Europa.

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Real x libra esterlina

A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (01/dez) cotada a R$7,0611, patamar mais baixo que o registrado nesta sexta-feira (05/dez), R$7,0745. Trata-se de uma desvalorização de 0,3% do real em relação à moeda britânica. Portanto, a semana foi marcada por um movimento de desvalorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.

Em relação ao dólar, a moeda inglesa ganhou força no decorrer da semana, mantendo a tendência de valorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (05/dez) cotada a US$1,3326 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3237, uma valorização de 0,67% da moeda britânica em relação ao dólar.

A libra esterlina enfrentou uma semana de volatilidade moderada, influenciada por incertezas fiscais no Reino Unido, discussões sobre políticas para sociedades mútuas e leituras de PMI que alternaram surpresas positivas e negativas. A moeda britânica reagiu também ao ambiente global de expectativa pelo Fed, que ditou grande parte do apetite — ou falta dele — por risco.

Para o real, a libra não apresentou movimentos disruptivos: o par BRL/GBP seguiu acompahando o comportamento global do dólar e dos Treasuries, com suaves ajustes pontuais. O fortalecimento do iene ao longo da semana acabou atraindo parte da atenção do mercado cambial e tirando protagonismo da libra.

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Perspectivas

O início da segunda semana de dezembro deve ser marcado por elevada sensibilidade aos dados dos EUA, em especial após o PCE reafirmar a tendência de inflação moderada. O foco absoluto será a decisão do Federal Reserve, que pode realizar o primeiro corte de juros do ciclo — cenário que hoje é precificado com probabilidade superior a 80%.

No Brasil, o mercado seguirá atento aos desdobramentos da LDO, às discussões fiscais e à dinâmica da atividade após os dados recentes do PIB. Os leilões de swap do Banco Central podem continuar funcionando como estabilizadores importantes, especialmente com a liquidez global reduzida próxima ao fim do ano.

Para o real, o balanço de riscos segue misto:

(1) corte de juros nos EUA favorece moedas emergentes;

(2) ruídos fiscais domésticos podem limitar ganhos;

 (3) menor liquidez típica de dezembro tende a amplificar movimentos pontuais.

Em síntese, o câmbio deve iniciar a próxima semana com viés de estabilidade, mas com chances de apreciação caso o Fed confirme cortes ou sinalize trajetória mais suave de juros.

Seguimos de olho.

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