Evolução da pandemia de Covid-19 traz volatilidade às moedas globais

A epidemia de Covid-19 avança em boa parte do mundo e medidas mais severas de contenção social estão sendo adotadas. Impacto na economia global ainda está sendo medido, mas recessão é dada como certa. Dólar, euro e libra se fortalecem diante do real.

Evolução da pandemia de Covid-19 traz volatilidade às moedas globais

O tema é somente um: Coronavírus – ou o seu nome técnico, Sars-CoV-2, causada pelo vírus Covid-19. O ponto de maior preocupação para analistas e economistas, além do próprio impacto sobre as vidas das pessoas, é a profundidade da recessão causada pelo pandemia. Acompanhe os desdobramentos desses acontecimentos sobre as principais moedas globais.

Evolução do Covid-19 faz dólar atingir patamares nunca antes vistos

Entramos em um período muito mais delicado decorrente de toda a crise causada pelo Covid-19. Como ainda não foram desenvolvidas vacinas ou tratamentos para a Sars-CoV-2, o distanciamento social tem sido a recomendação ao redor do mundo.

Regiões inteiras, como na Itália, China e outras, isolaram completamente a população para evitar o contágio. Tardiamente, o Brasil começou a adotar algumas medidas para combater a pandemia.

Ainda que a adoção da quarentena não tenha sido generalizada, pelas mais diversas questões, alguns estados já tornaram a quarentena obrigatória – como é o caso do Ceará – instituindo multas pesadas para estabelecimentos que estiverem abertos e estimulando o trânsito de pessoas.

De todo modo, em linha com o que temos reforçado nas últimas semanas, todo esse movimento em torno do Covid-19 deve ter reflexos muito profundos na economia real. Atualmente o volume de desocupados é de 11,9 milhões, ou seja, 11,2% da população economicamente ativa (PEA).

Estima-se que a queda drástica da demanda provocada pelas medidas de contenção deve gerar um contingente adicional de mais 5 milhões de pessoas desocupadas. O efeito para a economia brasileira é devastador. Já se estima que o PIB para 2020 deve ser 0%. 

Com este cenário à frente, o câmbio atingiu patamares nunca antes imaginados por analistas e economistas brasileiros. Na quarta-feira (18), o dólar atingiu a máxima histórica de R$ 5,2550, tomado pela incerteza e aversão ao risco.

Por fim, não podemos esquecer das medidas de estímulo anunciadas pelo governo de Donald Trump. Além do estímulo monetário anunciado pelo Federal Reserve, levando a taxa-alvo de juros aos 0%, Trump anunciou que distribuirá US$ 1,2 trilhão aos americanos, para conter problemas financeiros e tentar manter a demanda. 

Com a permanente ameaça do Covid-19, o dólar começou a semana cotado a R$ 4,8593 na abertura do pregão de segunda-feira (16) e fechou o pregão de quinta (19) cotado a R$ 5,0960. Contudo, assim como nas semanas anteriores, o mercado precificou certo alívio e, na abertura do pregão desta sexta-feira (20), a moeda estava cotada a R$ 5,0010, uma depreciação de quase 3% do Real ao longo da semana.

Euro é afetado por fraco desempenho da economia europeia

A frágil economia da Zona do Euro já aceitou a recessão que batia na porta. Além de todas as recomendações da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, para que os países utilizassem suas ferramentas de política fiscal para evitar um cenário pior, foi anunciado um pacote de € 750 bilhões de estímulos monetários. 

Lagarde anunciou na sexta-feira (20) que uma parte significativa da economia europeia está temporariamente paralisada, então, em razão desta paralisia, a atividade econômica vai se contrair consideravelmente, por conta do impacto da epidemia de coronavírus. 

A economia europeia já passava por maus bocados com a produção industrial recuando e com a demanda agregada fraca. A Covid-19 praticamente deu o golpe de misericórdia que veio lançar a Zona do Euro na recessão.

Agora, com clareza de que a recessão chegou, o euro abriu o pregão de segunda-feira (16) cotado a R$ 5,3854 e, na abertura desta sexta-feira (20), a cotação era de R$ 5,4303, uma apreciação de aproximadamente 0,83% do euro frente à moeda brasileira. 

Demora do Reino Unido em lidar com o Covid-19 prejudica Libra Esterlina

Por fim, a libra esterlina tem registrou um desempenho pouco usual esta semana – respeitadas as devidas proporções. O real se fortaleceu e a libra se enfraqueceu. Parte significativa da explicação para este movimento foi a demora do Reino Unido em tomar atitudes mais severas para combater o Covid-19.

A semana começou, por exemplo, com a divulgação de um estudo liderado pelo cientista britânico Neil Ferguson com projeções catastróficas: haveria 1,2 milhão de mortes nos Estados Unidos e 250 mil no Reino Unido sem a adoção de restrições severas à circulação.

Somente a partir de quarta-feira (18), que o primeiro ministro britânico, Boris Johnson, anunciou medidas de contenção, mas que passaram a ter efeitos a partir de sexta-feira (20). Assim sendo, a libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (16) cotada a R$ 5,9685 e registrou, na abertura do pregão de sexta-feira, a cotação de R$ 5,8573, uma desvalorização da moeda britânica em relação ao real de 1,86%.

Perspectivas

Novamente, o contexto é delicado e merece atenção e cuidado redobrados. Assim como no caso brasileiro, que a economia vem lutando para se recuperar há anos, a economia global entra numa luta para evitar o pior.

A necessidade de distanciamento social decorrente do Covid-19 afetou bastante a economia mundial e as perspectivas de crescimento continuam se reduzindo. As principais projeções consideram um desemprego em massa, empresas quebrando e economias regredindo.

Isso posto, a ameaça do coronavírus permanece no radar dos mercados até a segunda ordem. O real seguirá se desvalorizando frente ao dólar e moedas mais fortes. 

Seguimos de olho.