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China vai ‘rasgar’ o Brasil com a Ferrovia Bioceânica? Entenda o projeto!

A Ferrovia Bioceânica conecta o Brasil ao Pacífico, facilitando o comércio com a China. Saiba como o isso pode mudar a logística brasileira!

A Ferrovia Bioceânica é uma infraestrutura que pode transformar a logística sul-americana e reduzir custos no escoamento de mercadorias entre os dois continentes
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Em 2025, o Brasil e a China retomaram as discussões sobre o megaprojeto da Ferrovia Bioceânica, uma infraestrutura que pode transformar a logística sul-americana e reduzir custos no escoamento de mercadorias entre os dois continentes. 

Este projeto já está em andamento com a construção de 30% de seu percurso de 4.400 km, com previsão de conclusão para 2028. A ferrovia, que começa em Ilhéus, na Bahia, e atravessa diversos estados brasileiros, como Tocantins e Acre, até o Peru, será um dos maiores empreendimentos do setor ferroviário na América do Sul.

Vale mencionar que a ideia de construir a Ferrovia Bioceânica remonta à década de 1950, mas ganhou impulso em 2014, quando Brasil, Peru e China firmaram uma parceria para financiar e compartilhar os estudos da obra. A ferrovia, central para a operação do megaporto de Chancay, no Peru, recebe um investimento de 1,3 bilhão de dólares da Cosco Shipping, o maior investimento chinês na América do Sul.

Os planos incluem três conexões com a Ferrovia Norte-Sul e a integração com a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), em construção. A Fiol terá 1.527 km de extensão, ligando Figueirópolis (TO) ao Porto de Ilhéus (BA), e visa reduzir o tempo de transporte de produtos brasileiros para a China em até dez dias, comparado ao atual transporte via Oceano Atlântico. O projeto também prevê a criação de um corredor ferroviário, com a concessão das ferrovias de Integração Centro-Oeste (Fico) e Fiol à iniciativa privada, com investimentos de 28,7 bilhões de reais.

Qual será o impacto da Ferrovia Bioceânica?

A Ferrovia Bioceânica facilitará o transporte de mercadorias do agronegócio e da mineração no Brasil, além de abrir novas rotas de exportação para a China. A construção da ferrovia também vai acelerar o comércio entre os dois países, reduzindo em até 10 dias o tempo de transporte de produtos que atualmente são enviados via Oceano Atlântico. 

Vale mencionar que o Brasil já possui um forte vínculo comercial com a China, e o megaporto de Chancay, no Peru, se tornou um ponto-chave para as exportações brasileiras, visando conectar o Brasil ao Pacífico.

A construção da ferrovia, contudo, exige investimentos massivos em infraestrutura, diz ministra do Planejamento e Orçamento

As autoridades brasileiras, incluindo a ministra Simone Tebet, estão trabalhando para garantir a participação do capital chinês nesse projeto de grandes dimensões, que requer enormes investimentos em infraestrutura. “Já estamos tratando disso com a China desde o primeiro mês do governo Lula”, disse a ministra do Planejamento e Orçamento. 

Na primeira reunião com o presidente Xi Jinping, percebi que eles estão muito interessados na questão das ferrovias. Eles querem rasgar o Brasil com ferrovias. Não existe dinheiro público suficiente para fazer isso, é muito caro”, complementou.

É possível notar que proposta de ligar o Atlântico ao Pacífico, atravessando a Cordilheira dos Andes, é um desafio monumental que exige uma colaboração entre os governos brasileiro e chinês. 

A partir disso, o governo brasileiro pretende garantir a viabilidade financeira do projeto, dado que o investimento necessário é altíssimo, e os recursos nacionais são insuficientes para financiar tais obras sozinhos.

Outras iniciativas no setor ferroviário estão em análise, como a CRCC e CREC

Além da Ferrovia Bioceânica, outras iniciativas no setor ferroviário também estão sendo avaliadas por empresas chinesas, como a China Railway Construction Corporation (CRCC) e a China Railway Engineering Corporation (CREC). 

Um exemplo disso é a proposta de construção de uma nova rota ferroviária ligando o Porto do Açu, no Rio de Janeiro, a Porto Velho, em Rondônia, passando por Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. Outra proposta ainda em discussão ligaria o Porto de Santos, em São Paulo, a Antofagasta, no Chile, atravessando Paraguai e Argentina.

A Ferrovia Bioceânica pode reduzir a dependência brasileira em transporte rodoviário

O projeto da Ferrovia Bioceânica deve trazer grande impacto político e econômico. Em primeiro momento, ele faz parte do interesse da China na criação de uma rede de infraestrutura global, para consolidar ainda mais sua liderança econômica na Ásia e expandir sua influência na América Latina. 

Ao mesmo tempo, a construção dessa ferrovia pode reduzir a dependência histórica do Brasil do transporte rodoviário, tendo implicações notáveis para o setor de caminhões e pode até afetar a indústria automotiva brasileira. Dessa forma, com a parceria com a China, o Brasil também pode se beneficiar de avanços tecnológicos no setor ferroviário, como a implementação de trens de alta velocidade e o uso de fontes de energia mais sustentáveis. 

Além disso, o transporte ferroviário é uma alternativa mais eficiente e menos poluente em comparação com os caminhões, que ocupam grande espaço nas estradas e são responsáveis por altos custos logísticos.

Por isso, sse movimento está alinhado com os objetivos do governo brasileiro de reduzir as emissões de gases poluentes e promover a mobilidade sustentável. 

A ferrovia não representa o fim da indústria de caminhões

Em relação à indústria de caminhões, embora o projeto da Ferrovia Bioceânica traga benefícios para o Brasil, ele também apresenta desafios. A Anfavea, que representa as montadoras de veículos no país, pode ser impactada, pois a demanda por caminhões de grandes dimensões pode diminuir. 

No entanto, a transição para o transporte ferroviário não significa o fim da indústria de caminhões. Na verdade, ela pode impulsionar o desenvolvimento de caminhões urbanos ou de menor porte, adequados para cobrir distâncias mais curtas. Isso também pode abrir caminho para uma maior adoção de tecnologias limpas, como caminhões elétricos ou híbridos, e gerar novas oportunidades no mercado.

Embora o Brasil e a China ainda estejam em fase de negociação para definir os detalhes e os investimentos do projeto, a Ferrovia Bioceânica já se mostra como um marco para a integração dos dois países. Ela tem o potencial de transformar a infraestrutura de transporte da América do Sul, facilitar o comércio internacional e impulsionar o crescimento econômico no Brasil e em outros países da região.

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Resumindo

O que é o projeto “Ferrovia Bioceânica”?

O projeto da Ferrovia Bioceânica é uma iniciativa de infraestrutura ferroviária que visa conectar o litoral do Brasil ao Peru, criando uma rota direta entre os oceanos Atlântico e Pacífico. Com aproximadamente 4.400 km de extensão, a ferrovia atravessará estados brasileiros como Bahia, Goiás, Mato Grosso, Rondônia e Acre, e seguirá até o porto de Chancay, no Peru. Este projeto é resultado de uma parceria entre os governos do Brasil, Peru e China, com investimentos significativos da parte chinesa.

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