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A relação comercial entre Brasil e China segue aquecida em 2025, com a corrente de comércio ultrapassando os US$38 bilhões no primeiro trimestre. Enquanto o Brasil mantém superávit no balanço, as importações da China avançaram de forma expressiva, impulsionadas por plataformas de petróleo, veículos elétricos e eletroeletrônicos. Paralelamente, a guerra tarifária entre EUA e China gera um ambiente de incertezas e oportunidades para o mercado brasileiro. O desafio está em equilibrar as importações chinesas sem comprometer a indústria nacional, enquanto se busca ampliar e diversificar as exportações.
Acompanhe a seguir os detalhes e implicações desse cenário.
Qual é o papel da China no comércio internacional?
A China ocupa um papel central no comércio global, sendo a maior exportadora de bens do mundo e uma das principais importadoras de insumos e commodities. Com uma economia fortemente industrializada e moderna, o país asiático é conhecido como “a fábrica do mundo” pela sua enorme capacidade produtiva, principalmente em segmentos como eletrônicos, máquinas, veículos, produtos químicos e itens de consumo.
Nos últimos anos, a China também ampliou sua presença no setor de serviços e em tecnologias de ponta, reforçando seu peso estratégico no comércio internacional e sua influência sobre cadeias globais de produção e logística.
Como é o momento recente entre Brasil e China?
O comércio entre Brasil e China manteve-se aquecido no primeiro trimestre de 2025. De janeiro a março, a corrente de comércio entre os dois países somou US$38,8 bilhões, com destaque para as exportações brasileiras, que alcançaram US$19,8 bilhões, enquanto as importações da China somaram US$19 bilhões.
Um dado que chamou atenção foi o crescimento expressivo das compras brasileiras de produtos chineses, que avançaram 35% no período. O destaque ficou por conta do grupo “Plataformas, embarcações e outras estruturas flutuantes”, que movimentou US$2,7 bilhões, muito acima dos US$4 milhões registrados em igual período de 2024.
O que o Brasil exporta para a China?
A China é o principal destino das exportações brasileiras há mais de uma década, e em 2024 esse volume atingiu US$116,09 bilhões, apesar de uma leve retração de 3,5% em relação a 2023.
As principais exportações brasileiras para a China são concentradas em commodities, especialmente produtos agrícolas e minerais. Em 2024, o Brasil embarcou:
- 74,65 milhões de toneladas de soja, no valor de US$ 36,48 bilhões
- 6,47 milhões de toneladas de milho
- 1,34 milhão de toneladas de carne bovina
- 75.630 toneladas de café
Entre os setores que mais contribuíram para a pauta exportadora em valor FOB:
- Sementes e frutos oleaginosos e grãos: US$31,5 bilhões
- Minérios, escórias e cinzas: US$21,4 bilhões
- Combustíveis minerais e derivados: US$20,7 bilhões
- Carnes e miudezas comestíveis: US$7,8 bilhões
O que o Brasil importa da China?
Do outro lado da balança, o Brasil importou da China o equivalente a US$72,1 bilhões em 2024, um crescimento anual de 22%. As compras foram lideradas por equipamentos industriais, eletroeletrônicos e veículos elétricos, segmento que vem ganhando força no mercado brasileiro.
Entre os principais produtos importados, em valor FOB:
- Máquinas, aparelhos e materiais elétricos: US$16,6 bilhões
- Reatores nucleares, caldeiras, máquinas e instrumentos mecânicos: US$11 bilhões
- Veículos automóveis e peças: US$5,7 bilhões
- Produtos químicos orgânicos: US$5,0 bilhões
Só no segmento de veículos, em 2024 houve crescimento de 140% nas importações de carros. A BYD, marca chinesa de destaque, teve 76.810 veículos importados para o Brasil, segundo a Abeifa.
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Como a Guerra tarifária pode afetar essa relação?
Apesar de a relação comercial entre Brasil e China ser sólida e estratégica, a guerra tarifária entre Estados Unidos e China abre um cenário de desafios e oportunidades. Com as tarifas impostas pelo governo americano, a China precisa redirecionar parte de seus produtos, antes destinados aos EUA, para outros mercados.
O Brasil, nesse contexto, pode se beneficiar ao ampliar suas exportações para o gigante asiático, especialmente em setores agrícolas e minerais. Contudo, o risco é tornar-se excessivamente dependente das importações da China, principalmente de bens industrializados, o que poderia afetar a competitividade da indústria nacional.
O ideal seria aproveitar o momento para diversificar a pauta exportadora para a China e manter uma política de importação equilibrada, evitando que a guerra tarifária transforme o Brasil em um mercado excessivamente abastecido por produtos chineses, em detrimento da produção local.
Perguntas frequentes
Sim. A parceria comercial entre Brasil e China é sólida e se mantém como uma das mais relevantes para a economia brasileira.
Nos primeiros meses de 2025, a corrente de comércio entre Brasil e China ultrapassou os US$38 bilhões, com superávit para o Brasil.
A escalada da guerra tarifária entre Estados Unidos e China traz riscos indiretos para o Brasil. Com barreiras americanas mais severas, a China buscará novos mercados para escoar sua produção, o que pode resultar em maior entrada de produtos chineses no Brasil.