|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
O Telescópio Espacial James Webb (JWST) registrou a visão mais nítida já obtida da região que circunda um buraco negro supermassivo, revelando detalhes cruciais da estrutura de poeira e gás que envolve o objeto.
A imagem, divulgada em 19 de janeiro de 2026, mostra a área ao redor do buraco negro da galáxia Circinus com precisão, permitindo aos cientistas revisar teorias de mais de três décadas sobre a origem da emissão infravermelha observada nesses núcleos galácticos ativos.
A galáxia Circinus, localizada a cerca de 13 milhões de anos-luz, abriga um buraco negro ativo que já havia sido observado por telescópios anteriores, mas nunca com o nível de resolução alcançado pelo Webb. Utilizando dados combinados de múltiplos instrumentos e observações terrestres, os pesquisadores conseguiram distinguir pela primeira vez a estrutura interna do anel de poeira e mapear a distribuição exata da radiação infravermelha ao redor do núcleo.
O que exatamente o James Webb capturou
Embora nenhum telescópio consiga observar diretamente o horizonte de eventos de um buraco negro, o JWST obteve a visão mais detalhada da periferia desse limite, registrando:
1. O disco de acreção
“O disco de acreção é uma região muito caótica, cheia de turbulência, e o gás fica ainda mais caótico e comprimido à medida que se aproxima do buraco negro, sob gravidade extrema”. – Farhad Yusef‑Zadeh (astrofísico da Universidade Northwestern, autor principal do estudo)
O estudo revelou que 87% da radiação infravermelha na região provém da poeira superaquecida que está caindo em direção ao buraco negro, e não dos jatos de matéria expelidos, como se acreditava anteriormente.
Isso foi confirmado pela análise dos dados publicados em janeiro de 2026 no periódico Nature Communications.
2. O anel espesso de poeira (toro)
A imagem mostrou que o chamado “excesso infravermelho”, observado desde os anos 1990, não se origina de outflows, mas sim da parte interna do “toro” de poeira que alimenta o buraco negro.
Essa região, equivalente ao que se considera a “borda observável” do buraco negro, é formada por material que espirala antes de atravessar o horizonte de eventos.
3. Estruturas finas próximas ao núcleo
O Webb também distinguiu turbilhões de poeira, regiões de choque e variações de brilho muito sutis, impossíveis de serem detectadas em observações anteriores, permitindo entender melhor como o material se comporta nas imediações do buraco negro.
Por que a descoberta é tão importante?
Revisão de um conceito aceito por mais de 30 anos
Desde o final do século passado, acreditava‑se que boa parte do brilho infravermelho observado em torno de buracos negros ativos era causada por matéria sendo expelida em alta velocidade. Os dados do JWST mostraram que menos de 1% da emissão provém desses outflows, enquanto a grande maioria origina-se da poeira do disco de acreção.
Impacto na compreensão do crescimento de buracos negros
A descoberta contribui para o entendimento de como buracos negros supermassivos acumulam massa e influenciam as galáxias ao seu redor. Os pesquisadores agora têm evidências de que a maior parte da radiação é gerada pelo material que está sendo absorvido, e não por ventos externos.
A imagem mais detalhada já obtida da área ao redor de um buraco negro
Segundo os pesquisadores responsáveis pelo estudo, esta é a visão mais precisa já registrada da área interna que circunda um buraco negro supermassivo, algo que só foi possível devido à capacidade do Webb de captar luz infravermelha e separar elementos que antes eram sobrepostos pela luminosidade intensa da galáxia.
Como o James Webb conseguiu esse nível de detalhe
O JWST combina sua sensibilidade ao infravermelho com instrumentos de alta resolução que permitem enxergar estruturas escondidas pela poeira. Isso inclui:
- NIRCam (Near Infrared Camera), responsável pelas imagens de alta resolução.
- MIRI (Mid-Infrared Instrument), que detecta emissões de poeira aquecida.
A união desses instrumentos permitiu filtrar o brilho das estrelas, isolar a poeira e reconstruir a estrutura próxima ao buraco negro, algo impossível para telescópios ópticos como o Hubble.
O que os cientistas esperam descobrir daqui para frente
O avanço abre caminho para uma compreensão mais profunda sobre os processos de alimentação dos buracos negros. Com as novas técnicas aplicadas à galáxia Circinus, será possível replicar o estudo em:
- M87*, o buraco negro da famosa imagem de 2019.
- Sagittarius A*, o buraco negro central da Via Láctea.
- Outros buracos negros ativos em galáxias próximas.
Os pesquisadores acreditam que novas observações podem ajudar a construir um modelo unificado do comportamento das regiões internas de núcleos ativos.
Ficou interessado nesse tema e não quer perder mais atualizações? Então, siga a Remessa Online no Google News, Discover, Instagram e LinkedIn.
Resumindo
Quantos anos-luz o James Webb consegue ver?
O Telescópio Espacial James Webb consegue observar luz emitida há cerca de 13,5 bilhões de anos, o que equivale a enxergar objetos localizados a aproximadamente 13,5 bilhões de anos-luz. Na prática, isso significa captar galáxias formadas nos primeiros 300 a 400 milhões de anos após o Big Bang, quase no limite do Universo observável.
O que tem do outro lado do buraco negro?
Do ponto de vista científico, não sabemos o que existe além do interior de um buraco negro. Não há evidências de um “outro lado” acessível. Quando algo ultrapassa o horizonte de eventos, nem luz consegue retornar, impedindo qualquer observação direta. A física atual descreve o interior como uma singularidade, uma região onde a densidade seria infinita e as leis conhecidas da física deixam de valer.
O que exatamente é um buraco negro?
Um buraco negro é uma região do espaço onde a gravidade é tão intensa que nada consegue escapar, nem mesmo a luz. Ele geralmente se forma quando uma estrela muito massiva colapsa após esgotar seu combustível nuclear. No centro fica a singularidade, onde a matéria estaria comprimida em extrema densidade, e ao redor dela está o horizonte de eventos, a fronteira que nada atravessa de volta.
Onde está o James Webb hoje?
O Telescópio Espacial James Webb (JWST) está atualmente localizado no ponto de Lagrange 2 do sistema Sol‑Terra, conhecido como L2, a aproximadamente 1,5 milhão de quilômetros da Terra. Nesse local, ele mantém uma órbita em halo ao redor do ponto gravitacional, onde a atração do Sol e da Terra se equilibra, permitindo ao telescópio operar com estabilidade térmica e energética