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O diagnóstico de Síndrome de Guillain-Barré (SGB) em uma paciente de Belo Horizonte, após o uso de um medicamento ilegal, acendeu um alerta sobre os perigos de substâncias sem registro e a gravidade dessa condição neurológica. 

A síndrome é um distúrbio autoimune raro em que o sistema imunológico ataca os nervos periféricos, podendo causar paralisia. 

Entenda como a doença se manifesta, suas causas e o que aconteceu no caso recente.

O que aconteceu no caso da paciente de Belo Horizonte após utilizar uma caneta-emagrecedora

A auxiliar administrativa Kellen Oliveira Bretas Antunes, de 42 anos, foi diagnosticada com Síndrome de Guillain-Barré após utilizar uma “caneta emagrecedora” vinda do Paraguai. O produto foi adquirido de forma ilegal e utilizado sem qualquer prescrição médica.

Inicialmente, a paciente apresentou dores abdominais, mas o quadro evoluiu rapidamente para problemas neurológicos, fraqueza muscular severa e insuficiência respiratória

“Ela está estável. Deu uma melhora significativa, mas o processo vai ser longo, né?! Como ela foi diagnosticada com a Síndrome de Guillain-Barré, aí são, pelo menos, 12 meses de tratamento, com fisioterapia, fonoaudiólogo e outros especialistas”, explicou Dhulia, enteada da paciente.

Atualmente, ela segue internada no Hospital das Clínicas da UFMG, apresentando melhoras gradativas e quadro estável. A família estima que o processo de recuperação e fisioterapia possa durar pelo menos 12 meses.

Sintomas da Síndrome de Guillain-Barré

A principal característica da SGB é a fraqueza muscular progressiva, que geralmente ocorre de forma ascendente, começando pelos membros inferiores e subindo pelo corpo.

Os pacientes costumam perceber os primeiros sinais através de sensações sensoriais e motoras.

Lista de sintomas comuns da síndrome de Guillain-Barré:

  • Dormência, queimação ou formigamento nos pés e mãos.
  • Fraqueza muscular que começa nas pernas e pode atingir braços e face.
  • Dificuldade para andar ou manusear objetos.
  • Redução ou ausência total de reflexos.
  • Dor neuropática na região lombar ou nas pernas.
  • Visão dupla e tremores.
  • Em casos graves, paralisia da face e dos músculos respiratórios.

Fonte: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/g/sindrome-de-guillain-barre

O que provoca a doença e como é feito o diagnóstico?

Embora a causa exata não seja totalmente esclarecida, a síndrome é frequentemente desencadeada por um processo infeccioso anterior.

A bactéria Campylobacter, que causa diarreia, é associada a cerca de 30% dos casos. Vírus como Zika, Dengue, Chikungunya e Influenza também são gatilhos conhecidos.

O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado no reconhecimento dos sintomas pelo médico. Exames complementares podem ajudar a confirmar a suspeita após alguns dias do início dos sintomas, como a análise do líquido cefalorraquidiano (líquor) e a eletroneuromiografia, que avalia a lesão nos nervos.

Tratamento e recuperação pelo SUS

O tratamento para a Síndrome de Guillain-Barré visa acelerar a recuperação e reduzir sequelas a longo prazo. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece o tratamento completo, que inclui internação hospitalar e suporte em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) quando necessário.

As principais terapias disponíveis são a administração de imunoglobulina intravenosa e a plasmaférese (técnica de limpeza do plasma sanguíneo). A fisioterapia é fundamental durante e após a fase aguda para manter a motricidade e evitar a atrofia dos músculos.

A maioria dos pacientes atinge a recuperação completa, embora cerca de 15% possam apresentar sequelas permanentes.

Anvisa alerta sobre riscos das canetas emagrecedoras sem registro

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), nem todas as canetas emagrecedoras podem ser vendidas no Brasil. Quando um medicamento não possui registro no país, não há garantias sobre sua procedência, segurança ou eficácia.

Além disso, há o risco de o consumidor utilizar um produto cujo conteúdo não corresponde ao princípio ativo informado, o que pode representar sérios riscos à saúde.

Em novembro de 2025, a Anvisa determinou a proibição da importação, fabricação, distribuição, comercialização e uso de determinadas canetas emagrecedoras que não possuem registro no Brasil.

Como importar medicamentos e produtos de saúde com segurança no Brasil?

A importação de medicamentos e produtos sujeitos à vigilância sanitária exige atenção redobrada. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), toda compra internacional é considerada uma importação e deve obedecer às regras sanitárias brasileiras.

Pessoas físicas só podem importar esses produtos para uso próprio, em quantidade limitada e desde que não sejam proibidos no país.

Por que medicamentos sem registro representam risco à saúde

No caso de medicamentos, a Anvisa alerta que produtos sem registro no Brasil ou adquiridos ilegalmente, como canetas emagrecedoras não autorizadas, não oferecem garantias de procedência, segurança ou eficácia.

Em muitos casos, pode ser exigida prescrição ou relatório médico, além de autorização prévia da Agência, especialmente quando o medicamento contém substâncias sujeitas a controle especial.

Independente da forma de envio — seja por remessa postal, transporte expresso ou bagagem em viagens internacionais —, o produto pode passar por fiscalização sanitária na alfândega.

Caso esteja em desacordo com a legislação, a mercadoria pode ser retida, devolvida ao país de origem ou destruída. Por isso, antes de importar qualquer medicamento ou produto para a saúde, a recomendação é consultar o site oficial da Anvisa e evitar aquisições feitas por vias informais ou sem orientação médica.

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Resumindo

O que provoca a doença Guillain-Barré?

Geralmente é desencadeada por infecções virais ou bacterianas prévias que ativam o sistema imune contra os nervos.

Quem tem Guillain-Barré volta a andar?

Sim, a maioria dos pacientes tem recuperação completa com o tratamento adequado e fisioterapia.

Quanto tempo dura a síndrome de Guillain-Barré?

O tratamento e a reabilitação podem durar meses; no caso citado, a previsão é de 12 meses.

Como é transmitida a Guillain-Barré?

A síndrome não é transmissível; ela é uma reação autoimune individual após infecções ou gatilhos ambientais.

Crédito de imagem: Envato Elements