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Malabarismo do Copom não impediu ganhos do real

O Copom reduziu a Selic para 14,50% em decisão já esperada, o que limitou impactos nos mercados. Ainda assim, o corte gera dúvidas, pois ocorre em um contexto de deterioração dos indicadores econômicos. Assim, a medida parece desalinhada com o cenário mais pressionado recente.

Malabarismo do Copom não impediu ganhos do real
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A decisão do Copom de reduzir a taxa Selic para 14,50%, já era amplamente esperada e, por isso, teve impacto limitado sobre os mercados. Ainda assim, o movimento levanta questionamentos relevantes diante da deterioração recente dos principais indicadores considerados na política monetária. O corte, nesse contexto, parece destoar do ambiente mais pressionado observado desde a reunião anterior.

Na ata já divulgada, o Copom sinalizou cautela ao destacar o ambiente de maior incerteza e a desancoragem das expectativas de inflação. O Comitê indicou que o corte foi compatível com um ajuste mais fino no grau de restrição monetária, sem compromisso com uma sequência de reduções.

Mesmo com cortes na Selic, diferencial de juros deve seguir alto

Apesar dos cortes recentes na Selic, feitos na segunda e na terceira reunião do Copom no ano, a leitura do mercado é de que o comitê não tenha mais tanta margem de manobra para reduzir os juros.

Por ora, a aposta majoritária do mercado financeiro é de que o Copom opere um novo corte de juros na próxima reunião, em junho. No entanto, mesmo que o Banco Central opte por um ou dois cortes adicionais da Selic, o espaço para cortes ficou limitado diante do aumento dos riscos inflacionários.

Em outras palavras, o chamado ciclo de calibração da taxa básica de juros tende a ser limitado e o Copom deve encerrar esse movimento de redução da Selic de forma prematura, o que, por sua vez, deve continuar atraindo capital ao país e favorecendo a moeda brasileira.

Qual o critério do Copom?

O Copom tentou enquadrar a decisão como um ajuste fino no nível de restrição, mas a leitura mais crítica é de erro de timing. O Brasil emitia sinais claros de desaceleração no fim de 2025, quando o corte faria mais sentido. Optar por agir agora, em um ambiente muito mais adverso, levanta dúvidas sobre o critério da autoridade monetária brasileira.

A ata reforça a preocupação com expectativas desancoradas e reconhece a pressão vinda do petróleo e do cenário global mais instável. Ainda assim, o Comitê decidiu cortar juros justamente no momento em que esses riscos se intensificam. A decisão soa desalinhada com o próprio diagnóstico apresentado.

Além disso, ao destacar uma atividade ainda resiliente e sinais de hiato positivo, o Copom reduz o espaço para flexibilização na própria comunicação. A combinação de inflação pressionada e crescimento sustentado exigiria mais cautela, não menos. No fim, o corte parece menos técnico e mais difícil de justificar à luz do cenário atual.

Não se trata de defender juros altos no país. Essa news é testemunha das nossas críticas em relação ao nível da Selic ao longo dos últimos meses. Trata-se do questionamento do critério que o Copom tem adotado nas suas decisões.

E os criptoativos?

O Bitcoin acumulou ganhos recentes, mas o movimento começa a mostrar sinais de exaustão, especialmente diante da ausência de níveis de suporte mais consistentes, o que pode abrir espaço para uma correção. 

Ao mesmo tempo, o cenário externo impõe limites adicionais: a expectativa de um Federal Reserve mais restritivo, refletida nas apostas da CME, reduz o apetite por ativos de maior risco. Nesse contexto, a continuidade da alta tende a ocorrer de forma mais moderada e com maior volatilidade.

E os Dividendos? 

Confira alguns dos pagamentos de dividendos agendados no mercado brasileiro:

AtivoEmpresaCompraPagamentoProventoValor por ação
SANB11Banco Santander20/04/202607/05/2026JSCPR$ 0,53
SANB3Banco Santander20/04/202607/05/2026JSCPR$ 0,25
SANB4Banco Santander20/04/202607/05/2026JSCPR$ 0,28
MGLU3Magazine Luiza24/04/202608/05/2026DividendosR$ 0,08
POMO3Marcopolo24/04/202608/05/2026JSCPR$ 0,09
POMO4Marcopolo24/04/202608/05/2026JSCPR$ 0,09
JHSF3Jhsf29/04/202611/05/2026DividendosR$ 0,07
WHRL3Whirlpool27/04/202612/05/2026DividendosR$ 0,04
WHRL4Whirlpool27/04/202612/05/2026DividendosR$ 0,04
BEEF3Minerva28/04/202613/05/2026DividendosR$ 0,03
GRND3Grendene23/04/202613/05/2026JSCPR$ 0,09
ALPA3Alpargatas16/12/202515/05/2026JSCPR$ 0,15
ALPA4Alpargatas16/12/202515/05/2026JSCPR$ 0,16
CXSE3Caixa Seguridade30/04/202615/05/2026DividendosR$ 0,33
EGIE3Engie Brasil18/12/202520/05/2026JSCPR$ 0,09
EGIE3Engie Brasil04/05/202620/05/2026DividendosR$ 0,49
EMBJ3Embraer11/05/202620/05/2026JSCPR$ 0,20
EMBJ3Embraer11/05/202620/05/2026JSCPR$ 0,09
EMBJ3Embraer11/05/202620/05/2026JSCPR$ 0,20
EMBJ3Embraer11/05/202620/05/2026DividendosR$ 0,01
EMBR3Embraer11/05/202620/05/2026JSCPR$ 0,20
KLBN11Klabin15/12/202520/05/2026DividendosR$ 0,23
KLBN3Klabin15/12/202520/05/2026DividendosR$ 0,05
KLBN4Klabin15/12/202520/05/2026DividendosR$ 0,05
PETR3Petrobrás22/04/202620/05/2026JSCPR$ 0,31
PETR3Petrobrás22/04/202620/05/2026Rend. Trib.R$ 0,01
PETR4Petrobrás22/04/202620/05/2026JSCPR$ 0,31
PETR4Petrobrás22/04/202620/05/2026Rend. Trib.R$ 0,01

De olho no câmbio

O câmbio apresentou valorização ao longo da semana, com o real acompanhando o movimento global do dólar. As decisões do Fed e do Copom vieram dentro do esperado, reduzindo surpresas e, consequentemente, a volatilidade. No cenário doméstico, a comunicação mais cautelosa do Banco Central contribuiu para ganhos adicionais do real sobre o dólar.

Como os vetores que deram sustentação à desvalorização do dólar em nível global e força ao real ao longo dos últimos dias ainda estão presentes, a expectativa é de distensão do movimento de valorização da moeda brasileira sobre as demais moedas. A depender, é claro, dos desdobramentos geopolíticos.

Seguimos de olho.

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