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Incentivos, redução das taxas de juros, recompra de títulos, estímulos monetários…qualquer uma dessas palavras dita por um dos Bancos Centrais, é motivo de euforia mundo afora. Cada nova autoridade monetária que opta por virar a mão e mudar o discurso é capaz de reacender a esperança dos investidores de que uma recessão global ficará para depois.

Nesta semana, a onda de otimismo ficou por conta do surpreendente discurso do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi. Na terça-feira (18), ele animou os mercados com a sinalização de que pode voltar a dar estímulos monetários, via corte de juros ou recompra de títulos, caso a inflação e o ritmo de crescimento da zona do euro continue como está: frágil.

O resultado? Fortes altas, não apenas nas Bolsas europeias, mas também nas asiáticas e americanas. Outros fatores corroboraram a euforia, mas não podemos tirar o mérito de Draghi.

O presidente do BCE tinha uma fala bem diferente há apenas alguns meses atrás. Ainda no dia seis deste mês, ele havia afirmado que não faria mudanças devido a incertezas.

Agora, pretende até retomar o quantative easing, que havia encerrado em dezembro de 2018. Este foi um movimento global de rodada de estímulos em 2015 para evitar os contágios da crise. Dessa vez, não será diferente e o BCE não está sozinho.

Os mercados estão sincronizados

Mário Draghi anunciou a retomada dos estímulos monetários pelo Banco Central Europeu

O movimento de redução de juros é sincronizado. No mundo todo, países desenvolvidos e emergentes estão nesta toada. Diante de um mundo com menor crescimento e mais incertezas (como a guerra comercial entre EUA e China e EUA e outros países), tem feito com que políticas mais estimulativas sejam praticadas pelos poderosos bancos centrais.

No entanto, é essencial que um contraponto seja feito. Se por um lado, os investidores mundo afora pedem por taxas de juros mais baixas e liquidez – que tem como efeito para o Brasil a possibilidade de migrar parte do capital para cá, em vista que somos um país emergente de destaque. Por outro, quando olhamos para onde o capital realmente está alocado, averiguamos que o otimismo não está tão alto assim.

O que acontece realmente é que grandes players estão com boa parte de seu capital em caixa. Ou seja, com o dinheiro parado. Apesar de clamarem por mais estímulos, já que há o risco eminente de uma desaceleração, ao mesmo tempo eles evitam tomar mais risco ou realmente investir por – ao que tudo indica – sentirmos os efeitos ao longo do tempo.

Por acharem que os estímulos dos bancos centrais não serão suficientes ou por estarem diante de incertezas em meio a uma guerra comercial, esses dois fatores em conjunto fazem com que a percepção seja de que, no curto prazo, os estímulos podem até resolver, mas seriam necessárias medidas não convencionais logo após.

Portanto, apesar da onda de incentivos vista, ainda observamos muito receio e aversão ao risco devido aos efeitos no longo prazo. Neste contexto, o dólar é um refúgio certeiro dos investidores. Fica mais difícil observarmos o dólar afundar por aqui, na mesma velocidade que a Bolsa sobe, por exemplo.

Glenda Mara Ferreira é Economista, bacharel em Relações Internacionais com experiência em planejamento financeiro. Atualmente é especialista em investimentos na Levante e acabou de inaugurar um Instagram sobre finanças pessoais e economia:@glendamaraf.