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Na terça-feira, 23 de setembro, acontece a abertura da Assembleia Geral da ONU e os olhares do mundo inteiro se voltam para o primeiro discurso que, desde 1955, é feito pelo Brasil. O privilégio de abrir os debates faz parte de uma tradição histórica que destaca o papel do Brasil na ONU, reforçando sua atuação diplomática e simbólica no cenário internacional.

Confira abaixo quais teorias explicam a escolha e por que essa posição tem tanta importância para a diplomacia brasileira.

O que é a Assembleia Geral da ONU

A Assembleia Geral da ONU é o espaço central de deliberação das Nações Unidas e reúne todos os 193 países-membros em pé de igualdade, cada um com direito a um voto. Criada em 1946, ela funciona como um fórum universal para discutir temas que vão da segurança internacional à defesa dos direitos humanos, passando também por questões ambientais e de desenvolvimento global.

Além de ser responsável por aprovar o orçamento da organização e admitir novos membros, a Assembleia pode recomendar medidas para promover a cooperação entre os países. Embora não tenha poder de decisão em assuntos de segurança (competência atribuída ao Conselho de Segurança), o órgão exerce grande influência política, já que suas resoluções refletem o posicionamento da comunidade internacional.

Por que o Brasil sempre fala primeiro na ONU

O Brasil é o primeiro orador na Assembleia Geral da ONU desde 1955, e, apesar de a escolha não estar prevista em nenhum regulamento oficial, ela consolidou-se ao longo do tempo. Existem três principais hipóteses que ajudam a entender como esse costume ganhou força.

O Brasil como voluntário nos primeiros debates

A explicação mais aceita é que o Brasil se voluntariava para abrir os discursos quando nenhuma outra nação queria assumir a responsabilidade. 

Palestrantes durante reunião do Brasil na ONU
Nos primeiros anos da Assembleia Geral, o Brasil conquistou o direito simbólico de iniciar debates.

Isso porque, nos primeiros anos da Assembleia Geral, iniciar os discursos era visto como uma tarefa difícil, já que nenhum país queria se arriscar a ser o primeiro a se posicionar diante de todos. O Brasil se ofereceu repetidamente para assumir essa função, o que fez com que conquistasse o direito simbólico de abrir o debate geral. 

Neutralidade durante a Guerra Fria

Outra hipótese aponta que o Brasil foi escolhido para abrir os discursos porque era considerado neutro em relação ao confronto entre Estados Unidos e União Soviética. Assim, ao colocar o Brasil como primeiro orador, a ONU evitava que uma das duas potências tivesse a vantagem simbólica de abrir o evento.

Compensação pela ausência no Conselho de Segurança

Há ainda a hipótese de que o posto de primeiro orador funcionou como uma forma de compensação ao Brasil, que, apesar de ser um dos Estados-Membros Fundadores da ONU, não conquistou um assento permanente no Conselho de Segurança. O privilégio de abrir os debates gerais reforçaria o reconhecimento da importância diplomática do Brasil e seu papel como mediador.

Quem fala depois do Brasil na ONU

Os Estados Unidos falam logo após o Brasil, por serem o país anfitrião da Assembleia Geral, sediada em Nova York.

Depois da fala norte-americana, os demais países seguem uma ordem que considera critérios como nível de representação (chefes de Estado, chefes de governo ou chanceleres) e, em muitos casos, a ordem de inscrição das delegações. 

Qual é a ordem dos oradores na Assembleia Geral?

A abertura da Assembleia Geral da ONU segue uma ordem tradicional de discursos:

  1. Presidente da Assembleia Geral;
  2. Secretário-geral da ONU;
  3. Brasil;
  4. Estados Unidos (como país anfitrião);
  5. Demais países.

O Brasil só deixou de abrir os discursos da Assembleia Geral em 1983 e 1984, quando o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, assumiu a primeira fala. Além disso, em 2011, durante a 66ª Assembleia Geral, a ex-presidente Dilma Rousseff se tornou a primeira e única mulher a proferir o discurso de abertura na história da ONU.

Quando acontece o discurso do Brasil na ONU em 2025

O discurso do Brasil na ONU em 2025 acontece na terça-feira, 23 de setembro de manhã, após os discursos do secretário-geral das Nações Unidas e da presidente da 80ª Assembleia Geral

Na fala, o presidente Lula deve reforçar a defesa da democracia e da soberania nacional, posicionando-se contra a guerra tarifária imposta pelos Estados Unidos. Também deve destacar o compromisso do Brasil com o multilateralismo, cobrar avanços nas negociações climáticas às vésperas da COP30 em Belém e reafirmar a meta de zerar o desmatamento até 2030. 

Além disso, o presidente deve se pronunciar sobre conflitos internacionais, pedindo cessar-fogo na guerra da Ucrânia e defendendo a criação de um Estado palestino para coexistir com Israel.

Perguntas frequentes

Por que o Brasil fala primeiro na ONU?

O Brasil é o primeiro a discursar desde 1955. A principal explicação é que a tradição surgiu porque o país se voluntariava para abrir os trabalhos quando nenhuma outra nação queria assumir essa responsabilidade. 

Quem fala depois do Brasil na ONU?

Logo após o discurso brasileiro, falam os Estados Unidos, por serem o país anfitrião da Assembleia Geral em Nova York. Depois, a ordem segue critérios como hierarquia diplomática e ordem de inscrição.

Quando acontece o discurso do Brasil na ONU em 2025?

O discurso será no dia 23 de setembro pela manhã. O presidente Lula deve falar sobre democracia, soberania nacional, multilateralismo, mudanças climáticas, a guerra tarifária com os EUA e os conflitos na Ucrânia e na Faixa de Gaza.