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No chamado “Liberation Day”, em abril, os Estados Unidos anunciaram uma tarifa mínima de 10% para a maior parte dos países da América Latina. O Brasil estava nesse grupo. Além disso, estas mesmas tarifas que haviam sido anunciadas, foram postergadas por 90 dias. 

Passado este período, tudo mudou . A partir de julho, Trump decidiu reorganizar toda a estrutura tarifária. As 25 cartas que foram enviadas desde então substituem o que havia sido anunciado anteriormente, e as novas tarifas entram em vigor a partir de 1º de agosto.

Trump quer, com isso, atacar o déficit comercial americano. Mas a proposta tem pouco de racionalidade econômica e muito de cálculo político. Faz sentido penalizar todos os parceiros comerciais, prejudicar a população com preços mais altos e romper cadeias globais que hoje são interligadas e complexas?

Hoje, a lógica da produção global é outra. Os EUA exportam serviços sofisticados, mas muitas vezes importam de volta produtos fabricados por empresas americanas em outros países. É o caso de setores como tecnologia, farmacêutico e bens duráveis. O valor agregado e a inteligência continuam nos EUA, a montagem, nem sempre. E isso não é um problema. Pelo contrário: reduz custo, melhora a margem de lucro e sustenta a competitividade americana.

Faz sentido então taxar suco de laranja do Brasil, ou café, e provocar inflação ao consumidor americano? Trump insiste em um raciocínio econômico que parece mais emocional do que técnico — e os riscos dessa política já começaram a aparecer.

Como isso pode afetar a economia brasileira?

A nova tarifa anunciada por Trump afeta diretamente o Brasil. E com força. A medida impõe uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros que entram nos Estados Unidos. Soa inacreditável, mas é isso mesmo: de todos os países citados até aqui, só o Brasil recebeu a alíquota máxima.

O impacto financeiro é pesado. Em 2024, o Brasil exportou cerca de US$40,4 bilhões para os EUA, o equivalente a 12% de tudo o que foi vendido ao exterior no ano. Agora, essa fatia está ameaçada.

Os setores mais atingidos devem ser petróleo e derivados (US$7,5 bilhões), ferro e aço (US$5,3 bilhões), além da indústria aeronáutica, que movimentou US$2,7 bilhões só no ano passado. Com a tarifa, todos esses produtos ficam mais caros nos EUA — e menos competitivos frente a outros exportadores.

O problema vai além do comércio. A diplomacia brasileira resiste, com razão, a entrar nas pressões políticas impostas por Washington, especialmente em temas sensíveis como o funcionamento do Judiciário. Essa tensão crescente gera instabilidade e já começa a ser sentida nos mercados.

Impactos no câmbio

O dólar sentiu o golpe. E o real, mais ainda. Desde o início de junho, quando as tarifas foram anunciadas, a moeda brasileira passou por dias turbulentos. No dia 8 de junho, o dólar fechou a R$5,4474. No dia seguinte, com a tarifa de 50% confirmada, saltou para R$5,5766, uma alta de 2,37% em 24 horas.

Desde então, o câmbio oscila entre R$5,55 e R$5,60. Não foi um movimento extremo, mas a instabilidade persiste. Qualquer notícia nova sobre as negociações entre os dois países pode mexer com os preços de um dia para o outro.

Apesar disso, há fatores de contenção. A taxa Selic em 15% ao ano continua a atrair investidores, o que ajuda a segurar a fuga de capital. Além disso, as incertezas criadas pelas próprias medidas de Trump, ainda que o dólar seja considerado um ativo de segurança, limitam a valorização da moeda americana.

E os criptoativos?

Os criptoativos voltaram a se recuperar nas últimas duas semanas. No primeiro dia de julho, o Bitcoin (BTC) fechou o dia com a cotação em US$105.920,0. Já depois da retomada da política tarifária mais agressiva de Donald Trump, por volta do dia 9 de julho, o BTC voltou a se valorizar . 

Nesta semana, no dia 22 de julho o BTC chegou a US$119.100,00, uma valorização expressiva em relação ao começo do mês. A resistência superior do BTC está próxima de US$120.000, caso o criptoativo supere esta resistência a valorização deve ser ainda mais intensa. De todo modo, a tendência para os ativos digitais é de alta.

E os Dividendos? 

Confira alguns dos pagamentos agendados no mercado brasileiro:

📅 Agenda de Dividendos

EMPRESADATA DE PAGAMENTOTIPOVALOR
TIMS3 (Tim)23/07DividendosR$0,28
TIMS3 (Tim)23/07DividendosR$0,12  
IGTI11 (Jeressati)30/07DividendosR$0,17
IGTI3 (Jeressati)30/07DividendosDividendos
CPFE3 (Cpfl Energia)23/07DividendosR$0,43
BBDC3(Bradesco ON)31/07JCPR$0,27
BBDC4 (Bradesco PN)31/07JCPR$0,29
CATA4 (Cia Industrial Cataguases)31/07DividendosR$5,66
CATA331/07DividendosR$1,97
Smartfit (SMFT3)31/07JCPR$0,05

De olho no câmbio

A imposição de tarifas por parte dos Estados Unidos deve dominar o noticiário econômico nas próximas semanas e tende a pesar sobre o real, principalmente se houver retaliações ou escalada da guerra comercial. Apesar disso, os juros brasileiros estão em 15%, o que garante certa manutenção do nível de fluxos de capitais ao Brasil e sustenta a cotação do dólar próxima a R$5,60. Caso Brasil e EUA cheguem a algum acordo comercial menos nocivo e mais racional economicamente, é esperado uma nova valorização do real – todavia, não parece que um novo acordo ocorrerá antes de primeiro de agosto.

Seguimos de olho.