Por que Ray Dalio está mirando em ativos seguros?

Ray Dalio está direcionando seus investimentos para ativos mais seguros

Quando os maiores investidores do mundo, como Ray Dalio, estão seguindo esta ou outra direção, devemos prestar atenção. Por isso, vamos entender porque o gestor de ativos norte-americano Ray Dalio e outros como o brasileiro Luis Stuhlberger, estão apostando seus investimentos em ativos mais seguros como ouro e dólar.

Ray Dalio é um renomado investidor e fundador de um dos maiores fundos de investimento do mundo, o Bridgewater Associates. Seu modelo de gestão, fez com que Ray Dalio se tornasse uma das pessoas mais ricas do mundo. Já Luis Stuhlberger é um dos maiores gestores do Brasil, dono da Verde Asset Management e do maior fundo multimercado do país.

O que os dois têm em comum, além de grandes fortunas, é a ponderação de que a tecnologia promove a deflação e com isso, a queda dos juros e busca por ativos mais seguros, tais quais o dólar. A percepção é que a inflação está baixa ao redor do mundo por causa dos avanços tecnológicos que estamos passando.

Para compreender, é preciso visualizar todo o ciclo. Uma tendência é que os produtos criados por novas tecnologias apareçam inicialmente com custos elevados. Depois, à medida que o seu consumo aumenta, o seu preço cai.

Quer um exemplo? Televisões de tela plana, de plasma quando começaram, que eram artigos de luxo e que agora, já são acessíveis a todos. Além de reduzir os preços de bens e serviços, a demanda por investimento também cai (com tecnologia, fica mais barato investir).

Esta é a nova tendência daqui para frente. Não temos como fugir dessa nova realidade. Se os preços não sobem, a pressão inflacionária não é criada e com isso, os juros tendem a ficar cada vez mais baixos.

Com isso, já temos observado taxas de juros negativas por aí.

Papel limitado do Banco Central

Você, em sã consciência, investiria em títulos públicos de países que não te dão retorno? Pelo contrário, que as suas taxas negativas ainda corroem parte de seu lucro?

Nessa nova conjuntura, o papel dos bancos centrais é limitado. Mesmo vendo os estímulos monetários oferecidos pelas instituições, nada muda.

Aqui entra uma observação interessante de Dalio, explicada em seu último livro. O ponto central é que os governos de países cujas dívidas são denominadas em suas próprias moedas podem gerenciar as consequências de uma crise causada por crédito excessivo. Acima de tudo, eles podem espalhar o ajuste ao longo dos anos, evitando assim uma enorme depressão causada por uma espiral descendente da falência em massa e do colapso da demanda.

Dalio chama isso de “bela desalavancagem”. É alcançado por uma mistura de quatro elementos: austeridade; reestruturação da dívida e inadimplência definitiva; “impressão” de dinheiro pelos bancos centrais, inclusive para sustentar os preços dos ativos; e outras transferências de renda e riqueza. Um elemento importante dessa desalavancagem é manter as taxas de juros de longo prazo abaixo do crescimento da renda nominal.

Stuhlberger complementam afirmando que os governos irão imprimir dinheiro e irão gastar mais. Para ele, “os bancos centrais vão comprar títulos, até um dia que as pessoas vão acordar e entender que uma parte muito significativa do dinheiro no mundo é do próprio banco central daquele país. Aí vão se perguntar se o dinheiro vale e se é possível haver aquela teoria: ‘Não quero mais dinheiro, quero ter ativos reais, como o ouro e terras’. No Japão, 43% da dívida está com o banco central, na Europa, é 22% e agora pode ir para 33%”.

Portanto, temos um cenário de instabilidade internacional com os receios com a guerra comercial entre os EUA e China, e mais do que isso, o temor de quão baixa a inflação possa ficar e quais serão os impactos para as economias ao redor do mundo.

Estagnação do século?

Com tantas dúvidas, o refúgio certeiro são ativos reais. Além dos já citados, ouro e terras, as moedas fortes também são buscadas. O dólar, o euro e o franco suíço são alguns exemplos. Mesmo porque, não custa lembrar que em 2018, nos EUA, o dinheiro em caixa foi o ativo com a melhor performance do ano de acordo com o banco Merrill Lynch.

Glenda Mara Ferreira é Economista, bacharel em Relações Internacionais com experiência em planejamento financeiro. Atualmente é especialista em investimentos na Levante. Possui uma conta no Instagram sobre finanças pessoais e economia: @glendamara_ferreira