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O título desta newsletter é propositalmente ambíguo. Por um lado, após a forte perda de valor registrada em dezembro, o real volta a se destacar como uma das moedas com melhor desempenho nos primeiros dias de 2026, repetindo, em grande medida, o enredo observado no início de 2025.

Por outro lado, o mercado espera com expectativa o  tardio início do ciclo de cortes de juros pelo Banco Central do Brasil, movimento que tende a reduzir, ao menos parcialmente, a atratividade dos ativos domésticos. Somam-se a isso as ações militares na Venezuela e as ameaças à Colômbia e à Dinamarca, fatores que podem limitar os ganhos das moedas frente ao dólar.

Copom inerte mais uma vez?

O Copom quase não tem mais argumentos para manter a taxa de juros no atual patamar de 15% ao ano. O processo de desinflação continua firme e forte: o IPCA-15 de dezembro (+0,25%), foi o mais baixo para o mês desde 2018, enquanto os sinais de desaceleração da atividade econômica são cada vez mais evidentes. 

Não, caro leitor, eu não acho que a política monetária não serve pra nada. Ela é importante para ancorar as expectativas, esfriar a economia e combater efeitos inflacionários indesejados, no entanto, o Copom perdeu a mão ao elevar a Selic ao maior nível em 15 anos e ignorar, quase por completo, os movimentos desinflacionários dos últimos meses.

Cenário externo piorou muito para países em desenvolvimento

Apesar da valorização de diversas divisas latino-americanas em relação ao dólar, com destaque para a moeda brasileira e para o peso colombiano, as ações militares na Venezuela e as ameaças à Colômbia e à Dinamarca, podem tornar o ambiente menos favorável para essas moedas.

A deterioração do quadro geopolítico traz incertezas aos investidores globais, que podem preferir aportar os seus recursos em ativos defensivos, como o ouro, a prata e o próprio dólar. As ações na Venezuela podem desencadear ações chinesas em Taiwan, podem prolongar o conflito na Ucrânia e desgastar a relação dos EUA com a Rússia.

Apenas por curiosidade e para evidenciar o potencial desgaste na relação EUA – Rússia, neste momento, um submarino russo está escoltando um petroleiro venezuelano que havia sido perseguido por uma embarcação da Marinha americana.

E os criptoativos?

Após a forte correção recente, o Bitcoin encontrou suporte técnico na região dos US$90 mil, sinalizando estabilização no curto prazo. Há espaço para um repique, sustentado pela recomposição de posições, mas o movimento ainda é frágil. Apesar da expectativa de mais valorização, a divulgação dos dados do mercado de trabalho dos EUA pode elevar a volatilidade e limitar a continuidade da recuperação.

E os Dividendos? 

Confira alguns dos pagamentos de dividendos agendados no mercado brasileiro:

AtivoEmpresaData-CompraData-PagamentoProventoValor por Ação 
BRSR3Banco Banrisul26/12/202509/01/2026JSCPR$ 0,44
BRSR5Banco Banrisul26/12/202509/01/2026JSCPR$ 0,46
BRSR6Banco Banrisul26/12/202509/01/2026JSCPR$ 0,44
B3SA3B330/12/202512/01/2026JSCPR$ 0,08
B3SA3B330/12/202512/01/2026JSCPR$ 0,07
LREN3Lojas Renner11/12/202513/01/2026JSCPR$ 0,23
MLAS3Multilaser05/01/202613/01/2026DividendosR$ 0,05
SMFT3Smartfit05/12/202513/01/2026JSCPR$ 0,84
EMBJ3Embraer15/12/202514/01/2026JSCPR$ 0,11
GRND3Grendene26/12/202514/01/2026DividendosR$ 0,44
PFRM3Profarma30/12/202515/01/2026DividendosR$ 0,32
CXSE3Caixa Seguridade02/01/202616/01/2026DividendosR$ 0,35
CXSE3Caixa Seguridade02/01/202616/01/2026Rend. Trib.R$ 0,00
FRAS3Fras-le16/12/202516/01/2026JSCPR$ 0,37
TIMS3Tim26/09/202521/01/2026JSCPR$ 0,20
JHSF3Jhsf20/01/202629/01/2026DividendosR$ 0,07
MDIA3M. Dias Branco22/01/202630/01/2026DividendosR$ 0,03
POSI3Positivo06/01/202630/01/2026DividendosR$ 0,18
BBDC3Banco Bradesco30/06/202531/01/2026JSCPR$ 0,27
BBDC4Banco Bradesco30/06/202531/01/2026JSCPR$ 0,30
JSLG3Jsl29/12/202531/01/2026JSCPR$ 0,43

De olho no câmbio

O real inicia o ano com desempenho positivo frente ao dólar, ao euro e à libra, beneficiado pela Selic em 15%, pela desinflação e por um movimento de correção após a forte desvalorização do mês anterior; contudo, o cenário exige cautela, já que a força da economia norte-americana pode levar o Federal Reserve a manter juros elevados por mais tempo, fortalecendo o dólar, enquanto tensões geopolíticas adicionam volatilidade, limitando o potencial de apreciação do real, ainda que, no curto prazo, haja espaço para a continuidade desse ajuste, inclusive com possibilidade de aproximação das barreiras psicológicas dos R$7,00 por libra, R$5,30 por dólar e R$6,15 por euro.

Seguimos de olho.