Fases e sintomas do Hantavírus: “Isso não é Covid”, afirma médica da OMS.
OMS investiga surto de hantavírus no navio MV Hondius após mortes e casos suspeitos entre passageiros durante expedição no Atlântico Sul.
|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
O surto de Hantavírus a bordo do MV Hondius colocou autoridades sanitárias internacionais em alerta após a confirmação de mortes e casos suspeitos entre passageiros e tripulantes.
Embora a Organização Mundial da Saúde reforce que o risco de disseminação global permanece baixo, o episódio chama atenção por envolver uma cepa rara, associada a possíveis transmissões entre humanos em ambientes fechados e de longa convivência.
Neste conteúdo, você vai entender como o vírus age, quais os riscos sanitários em cruzeiros e o que se sabe até agora sobre a investigação conduzida pela OMS. “Isso não é covid, não é influenza, e se propaga de forma muito diferente”, alertou a epidemiologista Maria Van Kerkhove ao descartar qualquer cenário semelhante ao de uma nova pandemia.
Especialistas também destacam que ainda é cedo para conclusões definitivas sobre a origem das infecções dentro da embarcação. “O que aconteceu foi algo inusitado”, afirmou a infectologista Elba Lemos, ao defender cautela e investigação epidemiológica detalhada antes de confirmar se houve transmissão a bordo do navio.
O que aconteceu com o surto de hantavírus no navio de cruzeiro?
Em 5 de maio de 2026, passageiros do cruzeiro MV Hondius, que fazia uma travessia da Argentina para Cabo Verde, enfrentaram um surto de hantavírus, uma infecção rara e grave, que pode levar a doenças respiratórias severas. O caso gerou grande alarde quando três pessoas foram confirmadas como mortas devido à infecção, enquanto outros cinco passageiros estão sendo investigados.

O surto começou a bordo do navio, que estava atracado em Praia, Cabo Verde, e se espalhou rapidamente entre os passageiros. Imagens feitas no local mostraram um barco transportando os passageiros doentes para a costa, onde ambulâncias aéreas os aguardavam para um transporte seguro para os hospitais locais. A evacuação foi feita com extrema urgência para evitar maiores contágios, e o navio foi isolado enquanto as autoridades trabalhavam para controlar a situação.

De acordo com o Ministério da Saúde de Cabo Verde, os três passageiros afetados mais gravemente serão transferidos via ambulâncias aéreas para o tratamento em hospitais especializados. O foco está em evitar a disseminação do hantavírus, dado que ele possui uma taxa de letalidade significativa, especialmente em casos graves.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e autoridades de saúde de diferentes países continuam a acompanhar o caso, que está sendo considerado um alerta para os protocolos de saúde pública a bordo de cruzeiros internacionais. A companhia de cruzeiros ainda não se pronunciou oficialmente sobre a origem do surto ou se mais casos foram identificados, mas a investigação está em andamento.
Quais países estão monitorando os casos?
A OMS notificou vários países devido aos passageiros afetados. Os países envolvidos são:
- Canadá
- Dinamarca
- Alemanha
- Holanda
- Nova Zelândia
- São Cristóvão e Nevis
- Singapura
- Suécia
- Suíça
- Turquia
- Reino Unido
- Estados Unidos
Esses países estão monitorando os possíveis casos de hantavírus entre os cidadãos que desembarcaram do cruzeiro e outros passageiros em risco, conforme indicados pelos respectivos governos.
Por que o surto de hantavírus em um cruzeiro é considerado atípico?
A doença costuma estar associada a áreas rurais e ao contato com partículas contaminadas por fezes, urina ou saliva de roedores silvestres, e não a ambientes marítimos ou urbanos.
Segundo a infectologista Elba Lemos, o contexto do surto é incomum justamente pela localização e pelas possíveis formas de transmissão investigadas. “Não é um ambiente esperado para hantavírus dentro de um navio”, afirmou a especialista.
A principal hipótese analisada pela Organização Mundial da Saúde envolve a cepa Andes, encontrada principalmente na Argentina e no Chile, considerada rara por permitir, em situações específicas, transmissão entre humanos. “O vírus Andes tem uma peculiaridade: há possibilidade de transmissão pessoa a pessoa”, explicou Lemos.

Além disso, especialistas investigam se os passageiros podem ter embarcado já infectados após passarem por regiões rurais da Patagônia argentina. “O período de incubação pode variar de três a 60 dias”, destacou a infectologista, reforçando que ainda existem muitas hipóteses em aberto.
O risco é motivo de preocupação? O que dizem especialistas e a OMS
Apesar da repercussão internacional do caso, autoridades sanitárias afirmam que o risco de uma disseminação ampla permanece baixo. A Organização Mundial da Saúde declarou que não há indícios de uma nova pandemia e reforçou que o hantavírus possui dinâmica de transmissão muito diferente de doenças altamente contagiosas.
“Isso não é covid, não é influenza, e se propaga de forma muito, muito diferente”, afirmou a epidemiologista Maria Van Kerkhove ao comentar o episódio.
Ainda assim, o caso colocou os holofotes sobre riscos sanitários em ambientes fechados, como navios de cruzeiro. Para Elba Lemos, espaços confinados naturalmente favorecem a circulação de doenças respiratórias e exigem protocolos rigorosos de ventilação, higiene e monitoramento. “Estamos falando de um cruzeiro que tem toda uma exigência sanitária. Agora imagina ambientes em que você nem sabe se existe manutenção adequada do sistema de ar-condicionado”, alertou.
A especialista também defende que passageiros sejam mais orientados sobre doenças endêmicas dos destinos visitados. “Informação faz parte da prevenção”, ressaltou.
Quais são os sintomas do Hantavírus?
O hantavírus se manifesta em duas fases distintas, sendo a primeira uma fase inicial com sintomas inespecíficos e a segunda, uma fase mais grave, onde a infecção pode levar a complicações pulmonares e cardiovasculares. O período de incubação pode ir de 5 a 60 dias.
À medida que o vírus evolui, os sintomas se intensificam e podem afetar o sistema respiratório e cardiovascular de forma aguda. Em alguns casos, a hantavirose pode ser assintomática.
Fase inicial (prodrômica)
Na fase inicial, os sintomas podem se assemelhar aos de uma gripe, mas com algumas diferenças específicas:
- Febre.
- Dor nas articulações.
- Dor de cabeça.
- Dor lombar.
- Dor abdominal e sintomas gastrointestinais.
Fase cardiopulmonar (fase aguda)
Após a fase inicial, a doença pode evoluir rapidamente para a fase cardiopulmonar, onde os sintomas tornam-se mais graves:
- Febre persistente.
- Dificuldade de respirar (dispneia) ou acúmulo de líquido nos pulmões (edema).
- Respiração acelerada.
- Aceleração dos batimentos cardíacos.
- Tosse seca.
- Pressão baixa.
O hantavírus pode causar complicações graves, como insuficiência respiratória e choque cardiovascular, e exige atendimento médico imediato para controle e suporte.
O que causa o hantavírus?
O hantavírus é causado por uma infecção viral transmitida por roedores. Os vírus dessa família podem ser encontrados principalmente na urina, fezes ou saliva de roedores infectados. Quando essas partículas entram em contato com as vias respiratórias humanas, seja pelo ar ou por contato com superfícies contaminadas, o vírus pode ser transmitido para as pessoas.
Em ambientes fechados, como armazéns ou áreas mal ventiladas, a exposição a esses materiais tende a ser mais comum, aumentando o risco de infecção.
Que animal transmite hantavirose?
O principal transmissor do hantavírus são roedores, especialmente as espécies de camundongos e ratos. Esses roedores carregam o vírus sem apresentar sintomas, mas podem espalhá-lo em seu habitat através de suas secreções corporais. As pessoas podem ser infectadas ao inalarem partículas de urina, fezes ou saliva de roedores contaminados.
Algumas espécies específicas de roedores, como o camundongo-de-cauda-curta e o rato-de-barriga-branca, são mais frequentemente associadas à transmissão do hantavírus.
Como curar a hantavirose?
O tratamento para o hantavírus é essencialmente de suporte, pois não existe um medicamento específico para a infecção. A cura depende de cuidados intensivos realizados em ambiente hospitalar, especialmente quando os sintomas se agravam. Se o tratamento for iniciado precocemente e a pessoa receber a assistência adequada, há chances significativas de recuperação.
No entanto, a doença pode deixar sequelas como insuficiência renal crônica ou problemas de pressão alta.
Ficou interessado nesse tema e não quer perder mais atualizações? Então, siga a Remessa Online no Google News e Discover.
Resumindo
O que o hantavírus causa?
O hantavírus causa a hantavirose, uma infecção viral grave que, nas Américas, se manifesta principalmente como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH). A doença é transmitida por roedores e provoca sintomas como febre, dores no corpo e, em casos graves, evolução rápida para insuficiência respiratória aguda e problemas cardíacos. A taxa de letalidade da doença varia entre 38% e 80%.
Tem cura para hantavirose?
A cura depende de cuidados intensivos realizados em ambiente hospitalar, especialmente quando os sintomas se agravam. Se o tratamento for iniciado precocemente e a pessoa receber a assistência adequada, há chances significativas de recuperação. No entanto, a doença pode deixar sequelas como insuficiência renal crônica ou problemas de pressão alta.
Qual o tipo de rato que transmite a hantavirose?
A hantavirose é transmitida principalmente por roedores silvestres, especialmente os da subfamília Sigmodontinae, como o rato-do-cerrado (Necromys lasiurus) e o rato-do-mato (Oligoryzomys nigripes), comuns no Brasil. Esses roedores carregam o vírus sem adoecer e eliminam partículas virais na urina, fezes e saliva, que ficam suspensas no ar e podem ser inaladas, causando a infecção.
