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Após um ano turbulento para o comércio global de mercadorias, marcado por sucessivos anúncios de tarifas sobre exportações destinadas aos EUA, os mercados passam a conviver com uma nova fonte de apreensão: a possibilidade de uma escalada ainda mais ampla do conflito no Oriente Médio.
Embora o risco de uma guerra regional na região não seja novidade, os desdobramentos mais recentes têm potencial para alterar a dinâmica dos fluxos globais de capitais, com repercussões também sobre a taxa de câmbio real-dólar.
Riscos inflacionários: coisa do passado?
O debate global concentrou-se — com razão — nos possíveis efeitos das tarifas comerciais sobre a inflação nos EUA. Até fevereiro de 2026, contudo, os reflexos das medidas protecionistas adotadas pelo governo norte-americano têm se mostrado limitados sobre os preços pagos pelos consumidores.
Apesar das incertezas em torno dos dados oficiais em razão do shutdown, os indicadores mais recentes continuam apontando inflação contida tanto no nível do consumidor quanto do produtor.
Sabe-se que o Federal Reserve permanece atento aos riscos de médio e longo prazo, aqueles que tendem a se materializar de forma mais gradual, mas, até o momento, os efeitos das tarifas sobre a dinâmica de preços têm sido desprezíveis.
Riscos inflacionários: o problema agora é outro
O vice-presidente dos Estados Unidos, J. D. Vance, afirmou que o Irã teria ignorado um elemento central nas negociações com Washington e que o governo norte-americano passou a avaliar possíveis medidas militares contra o país.
A declaração repercutiu imediatamente nos mercados financeiros: nas primeiras horas desta quarta-feira (18), o barril do petróleo Brent avançava mais de 3,5%, aproximando-se da marca de US$70, um dos níveis mais elevados desde meados do ano passado.
A escalada das tensões entre EUA e Irã pode restringir a oferta global de petróleo e pressionar os preços em escala mundial. Diferentemente das tarifas comerciais, cujos efeitos inflacionários tendem a se concentrar na economia norte-americana, um choque energético possui potencial de transmissão muito mais amplo sobre a inflação global.
E os criptoativos?
A leitura técnica indica predominância de tendência baixista no horizonte mais amplo, com expectativa de continuidade do movimento de enfraquecimento da cotação. No curto prazo, o sinal permanece negativo, sugerindo leve recuo adicional nos próximos dias.
A elevação das tensões militares tem influenciado a dinâmica do BTC ao ampliar a incerteza quanto à trajetória dos juros nos Estados Unidos. Esse ambiente tende a reforçar a cautela dos investidores e sustentar um viés mais defensivo para os criptoativos.
E os Dividendos?
Confira alguns dos pagamentos de dividendos agendados no mercado brasileiro:
| Ativo | Empresa | Data-Compra | Data-Pagamento | Provento | Valor por ação |
| LWSA3 | Lwsa – Locaweb | 09/02/2026 | 20/02/2026 | Red. Cap. | R$ 0,25 |
| PETR3 | Petrobrás | 22/12/2025 | 20/02/2026 | JSCP | R$ 0,47 |
| PETR4 | Petrobrás | 22/12/2025 | 20/02/2026 | JSCP | R$ 0,47 |
| GRND3 | Grendene | 26/12/2025 | 25/02/2026 | Dividendos | R$ 0,33 |
| KLBN11 | Klabin | 15/12/2025 | 27/02/2026 | Dividendos | R$ 0,23 |
| KLBN3 | Klabin | 15/12/2025 | 27/02/2026 | Dividendos | R$ 0,05 |
| KLBN4 | Klabin | 15/12/2025 | 27/02/2026 | Dividendos | R$ 0,05 |
| MDIA3 | M. Dias Branco | 19/02/2026 | 27/02/2026 | Dividendos | R$ 0,03 |
| VBBR3 | Vibra Energia S.a…. | 21/03/2025 | 27/02/2026 | JSCP | R$ 0,31 |
| BBDC3 | Banco Bradesco | 02/02/2026 | 02/03/2026 | JSCP | R$ 0,02 |
| BBDC4 | Banco Bradesco | 02/02/2026 | 02/03/2026 | JSCP | R$ 0,02 |
| BBSE3 | Bb Seguridade | 12/02/2026 | 02/03/2026 | Dividendos | R$ 2,55 |
| BBSE3 | Bb Seguridade | 12/02/2026 | 02/03/2026 | Rend. Trib. | R$ 0,04 |
| ITUB3 | Banco Itaú | 30/01/2026 | 02/03/2026 | JSCP | R$ 0,02 |
| ITUB4 | Banco Itaú | 30/01/2026 | 02/03/2026 | JSCP | R$ 0,02 |
| VALE3 | Vale | 11/12/2025 | 04/03/2026 | Dividendos | R$ 0,77 |
| VALE3 | Vale | 11/12/2025 | 04/03/2026 | JSCP | R$ 1,57 |
| BBAS3 | Banco Do Brasil… | 23/02/2026 | 05/03/2026 | JSCP | R$ 0,22 |
| ITSA3 | Itaúsa | 09/12/2025 | 06/03/2026 | JSCP | R$ 0,02 |
| ITSA4 | Itaúsa | 09/12/2025 | 06/03/2026 | JSCP | R$ 0,02 |
| ITUB3 | Banco Itaú | 09/12/2025 | 06/03/2026 | JSCP | R$ 0,37 |
| ITUB4 | Banco Itaú | 09/12/2025 | 06/03/2026 | JSCP | R$ 0,37 |
De olho no câmbio
Embora consideremos pouco provável uma nova escalada inflacionária nos Estados Unidos, o risco de interrupções no abastecimento global de petróleo é concreto e poderia alterar os planos do Federal Reserve, além de reconfigurar os cenários prospectivos traçados por bancos e consultorias.
Uma trajetória de juros mais elevada nos EUA tenderia a interromper o recente movimento de enfraquecimento do dólar e produzir impactos relevantes sobre moedas emergentes, como o real.
Por ora, a combinação entre Selic elevada, processo de desinflação e um ambiente macroeconômico favorável no Brasil tem sustentado a apreciação da moeda brasileira frente ao dólar e a outras divisas.
Esse movimento deve prevalecer nas próximas semanas, mas continuará condicionado à evolução das negociações entre Irã e Estados Unidos, mais uma vez.
Seguimos de olho.