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O real aprofundou a apreciação e encerrou a semana com valorização depois de tocar a mínima em cerca de dois anos frente ao dólar, apoiado na fraqueza global da moeda norte-americana, no diferencial de juros elevado e em sinais domésticos de moderação da atividade. A comunicação cautelosa do Banco Central e a percepção de inflação administrável ajudaram a ancorar expectativas e reduzir pressões sobre a curva de juros. No exterior, a leitura de dados fortes de emprego nos EUA aumentou a expectativa de manutenção dos juros pelo Federal Reserve, limitando o avanço do dólar. O euro perdeu força frente à divisa norte-americana, enquanto a libra recuou diante do real.
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Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,2171 na segunda-feira (09/fev), um nível 0,8% inferior à abertura da semana anterior (02/fev). Ao longo da semana, a moeda norte-americana perdeu força frente ao real, e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (13/fev) cotado a R$5,2120, patamar 0,1% inferior à abertura da sexta-feira anterior (06/fev). Entre as aberturas desta sexta (13/fev) e da segunda-feira da semana anterior (02/fev), vimos uma valorização do real em relação ao dólar de 0,9%.
O real encerrou a semana renovando a mínima em cerca de dois anos frente ao dólar, em um movimento consistente de apreciação. A dinâmica refletiu a combinação entre fatores domésticos e a fraqueza adicional da moeda norte-americana no exterior. O dólar acumulou mais uma rodada de perdas globais, ampliando o diferencial favorável às moedas emergentes e conversíveis.
No plano interno, a comunicação cautelosa do presidente do Banco Central contribuiu para sustentar a taxa de câmbio apreciada. Mesmo com o IPCA avançando 0,33% em janeiro e alcançando 4,44% em 12 meses, o mercado interpretou o quadro como administrável. A deflação acumulada no IPP e a desaceleração em alguns índices reforçaram a percepção de descompressão à frente.
Os indicadores de atividade vieram mais fracos e ajudaram a ancorar expectativas. O volume de serviços recuou, enquanto produção e vendas de veículos registraram quedas expressivas em janeiro. Esse ambiente de moderação cíclica reduziu as pressões sobre juros futuros e favoreceu a valorização cambial.
No cenário internacional, apesar do Payroll acima do esperado e da queda da taxa de desemprego nos EUA, o dólar voltou a perder tração. Dados mais fracos no Reino Unido e inflação muito baixa na China reforçaram o pano de fundo desinflacionário global. Nesse contexto, o real se destacou positivamente e consolidou a tendência de apreciação ao longo da semana.
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Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (09/fev) cotado a R$6,1650. Na abertura desta sexta-feira (13/fev), a cotação foi de R$6,1843. Portanto, observou-se uma desvalorização do real frente ao euro de aproximadamente 0,3% no período, refletindo o fortalecimento do euro no mercado doméstico.
Em relação ao dólar, a moeda europeia apresentou desvalorização nesta semana, revertendo a tendência de valorização observada na semana anterior. A cotação do euro em dólar passou de US$1,1817 na segunda-feira (09/fev) para US$1,1869 nesta sexta-feira (13/fev). Assim, observou-se uma desvalorização aproximada de 0,4% do euro, isto é, são necessários menos dólares para adquirir um euro.
Embora os indicadores europeus tenham permanecido no radar, a dinâmica da Zona do Euro foi amplamente condicionada pelos dados dos Estados Unidos ao longo da semana. Os números do mercado de trabalho norte-americano praticamente encerraram a discussão sobre uma retomada do ciclo de cortes antes da saída de Jerome Powell da presidência do Federal Reserve.
Ainda que a inflação nos EUA não represente risco imediato, a resiliência da atividade e do emprego reduz de forma significativa a probabilidade de afrouxamento nas próximas duas reuniões do Federal Open Market Committee. A autoridade monetária tende a manter a taxa inalterada, mesmo diante das pressões políticas da Casa Branca e das declarações de Stephen Miran, que avalia o nível atual de juros como excessivamente restritivo.
A consolidação da expectativa de estabilidade dos juros nos EUA reconfigurou a dinâmica cambial. O euro perdeu força frente ao dólar ao longo da semana, ainda que permaneça em patamar relativamente apreciado em termos históricos.
Em relação ao real, a moeda europeia interrompeu o movimento recente de valorização da divisa brasileira e passou a registrar ganhos. Trata-se, contudo, de um ajuste pontual, compatível com a expressiva apreciação acumulada pelo real desde o início do ano.
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Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (09/fev) cotada a R$7,1023, nível superior ao registrado na abertura desta sexta-feira (13/fev), cerca de R$7,0981. Portanto, houve valorização do real de aproximadamente 0,1% em relação à moeda britânica ao longo da semana.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa ganhou força no decorrer da semana, revertendo a tendência de desvalorização observada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (13/fev) cotada a US$1,3623 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3614, uma valorização de 0,1% da moeda britânica em relação ao dólar.
No ambiente doméstico, a libra encerrou a semana em queda frente ao real, acompanhando o movimento de fortalecimento da moeda brasileira. A combinação entre diferencial de juros elevado e fluxo direcionado a ativos locais manteve a pressão sobre a taxa de câmbio da divisa britânica em reais, consolidando a valorização do real no período.
No cenário internacional, a moeda britânica registrou leve valorização frente ao dólar, embora o movimento tenha sido mais associado a um quadro de estabilidade do que a uma inflexão consistente de tendência. A redução da volatilidade e a ausência de surpresas relevantes no ambiente externo contribuíram para uma acomodação do par.
Entre os fatores do Reino Unido, a divulgação do PIB com avanço de apenas 0,1% evidenciou um quadro de crescimento frágil, próximo da estagnação. O dado reforçou a percepção de economia ainda enfraquecida, limitando um movimento mais consistente de valorização da libra, apesar da leve melhora observada no câmbio frente ao dólar.
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Perspectivas
Os sinais recentes de moderação da atividade doméstica reforçam a avaliação de que o Copom dispõe de espaço para promover uma redução de 0,50 p.p. na taxa Selic na reunião de março. A desaceleração cíclica, combinada a uma trajetória de desinflação mais consistente, contribui para reequilibrar o balanço de riscos e sustenta o início de um ajuste calibrado da política monetária.
Embora, em tese, a flexibilização dos juros possa exercer pressão depreciativa sobre a moeda, o avanço do processo desinflacionário tende a preservar taxas reais ainda elevadas em termos comparativos. Esse diferencial continua a favorecer fluxos direcionados a ativos domésticos, reduzindo a probabilidade de desvalorização cambial relevante
Seguimos de olho.