|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
Com o avanço da tecnologia no sistema penal, a tornozeleira eletrônica passou a ser uma ferramenta comum no monitoramento de pessoas em liberdade provisória, prisão domiciliar ou sob medidas protetivas. Mais do que um equipamento de rastreamento, o dispositivo representa uma alternativa ao encarceramento, permitindo que o indivíduo mantenha parte de sua rotina sob vigilância judicial.
Veja como funciona a tornozeleira eletrônica, o que ela permite ou proíbe e como seu uso tem sido aplicado no Brasil e em outros países.
Como funciona a tornozeleira eletrônica?
A tornozeleira eletrônica é equipada com GPS e um modem celular. Ela rastreia em tempo real a localização da pessoa que a utiliza, enviando os dados diretamente para uma central de monitoramento, que opera 24 horas por dia. Caso o monitorado ultrapasse a área permitida, definida judicialmente, ou descumpra qualquer outra condição imposta, a central é imediatamente alertada.
O aparelho pode pesar entre 128 e 200 gramas, é resistente à água (norma IP68) e possui autonomia de bateria entre 19h e 30h, dependendo do modelo. A recarga é feita com um carregador bivolt conectado à tomada. Alguns modelos mais modernos, como os da empresa brasileira Spacecom, têm detecção de impactos, alerta de rompimento da cinta e memória interna para registro de dados.
O que não pode fazer com tornozeleira eletrônica?
As restrições impostas ao uso da tornozeleira eletrônica variam de acordo com a sentença judicial, mas, em geral, incluem:
- Não se afastar das áreas permitidas;
- Não remover, danificar ou tentar burlar o dispositivo;
- Cumprir horários pré-estabelecidos de permanência em casa ou local autorizado;
- Manter o equipamento carregado e funcional;
- Atender ligações ou visitas de fiscais da Central de Monitoramento.
A violação dessas condições pode configurar falta grave. Nesses casos, o juiz pode determinar a regressão do regime, a revogação da prisão domiciliar ou do benefício da saída temporária.
O que acontece, caso as regras sejam descumpridas?
Quando há descumprimento das condições de monitoramento, a central é notificada por meio de alarmes. A depender do caso, a Polícia Militar pode ser acionada e o juiz responsável decide a penalidade, que pode incluir advertência, regressão do regime ou retorno imediato ao sistema prisional. Em casos de reincidência, o indivíduo pode perder o direito à progressão de pena.
O que pode fazer com tornozeleira eletrônica?
Apesar das restrições, a tornozeleira permite certa liberdade ao monitorado. As regras, impostas pelo juiz, costumam autorizar:
- Trabalho com horário fixo ou comprovado;
- Estudos presenciais;
- Deslocamento para consultas médicas, audiências ou compromissos judiciais;
- Permanência em domicílio no período noturno e nos fins de semana.
Cada caso é analisado individualmente, com base na gravidade do crime, histórico do acusado e objetivos de ressocialização.
Quais países usam tornozeleira eletrônica?
O uso da tornozeleira eletrônica já está presente em dezenas de países como alternativa ao encarceramento. Veja alguns exemplos:
- Estados Unidos: utilizada para monitorar presos em liberdade condicional, acusados de crimes não violentos e imigrantes aguardando julgamento.
- Brasil: foco em prisão domiciliar, medidas cautelares e violência doméstica.
- Canadá: uso crescente para monitorar reincidentes e acusados de crimes leves.
- Reino Unido: monitora tanto presos quanto agressores sob medida protetiva.
- França e Alemanha: utilizam em casos de liberdade condicional e prevenção de reincidência.
- Austrália: aplicada especialmente em casos de violência doméstica e abuso infantil.
- Espanha: usada especialmente em casos de violência doméstica, com monitoramento de agressores para garantir o distanciamento da vítima.
- Suécia: adota o monitoramento eletrônico para casos de prisão domiciliar e em regimes abertos.
- Noruega: usada amplamente como alternativa à prisão, com foco na reintegração social. O país prioriza o cumprimento de pena fora do sistema fechado.
- Itália: implementa principalmente para prisão domiciliar, com foco em reduzir a superlotação carcerária.
- Argentina: monitora pessoas em prisão domiciliar e também agressores em casos de violência contra a mulher.
- México: tem expandido o uso para reduzir o número de presos provisórios, especialmente em estados com superlotação.
O que acontece se a tornozeleira for violada?
Remover ou danificar a tornozeleira é considerado violação grave. Quando isso ocorre, a central de monitoramento dispara um alerta imediato. A Justiça pode aplicar punições como:
- Regressão de regime;
- Cancelamento de benefícios;
- Prisão imediata;
- Novo processo judicial por descumprimento de medida cautelar.
Até mesmo deixar o dispositivo sem bateria, intencionalmente, pode ser interpretado como tentativa de fraude e gerar consequências.
Qual é o valor de uma tornozeleira eletrônica?
O custo mensal médio da tornozeleira eletrônica gira em torno de R$ 200 por pessoa monitorada, podendo variar conforme o estado. No Distrito Federal, o valor é de aproximadamente R$ 211, enquanto em estados como Mato Grosso do Sul pode ultrapassar os R$ 250.
Esses dispositivos não são comprados, mas alugados pelos governos estaduais, o que permite a atualização constante da tecnologia e o reaproveitamento entre os monitorados após higienização e reconfiguração.
Seja como medida de ressocialização ou estratégia de controle, a tornozeleira eletrônica se firmou como uma alternativa menos onerosa e, muitas vezes, mais eficiente do que o encarceramento.
Ficou interessado nesse tema e não quer perder mais atualizações? Então, siga a Remessa Online no Instagram, LinkedIn, Facebook e YouTube.
Resumindo
Como funciona a tornozeleira eletrônica?
Ela opera por meio de GPS e redes de telefonia móvel. O equipamento transmite dados criptografados sobre a localização do usuário para uma central de monitoramento 24 horas por dia. Se houver violação das regras, como sair da área permitida, a central é imediatamente alertada.
Quanto tempo dura a bateria da tornozeleira eletrônica?
Em média, a bateria dura entre 19h e 30h, dependendo do modelo e da intensidade de transmissão de dados. O equipamento deve ser recarregado diariamente.
Qual o valor de uma tornozeleira eletrônica?
O custo mensal gira em torno de R$ 200 por pessoa monitorada, sendo pago pelo Estado. O valor pode variar conforme o contrato com as empresas fornecedoras em cada estado.
Quais países utilizam a tornozeleira eletrônica?
Além do Brasil, o monitoramento eletrônico é adotado nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Espanha, Portugal, Suécia, Alemanha, Argentina e outros. Cada país aplica o dispositivo em situações distintas, como alternativas penais ou medidas cautelares.