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O início de 2025 surpreendeu analistas e investidores ao contrariar previsões pessimistas feitas no final do ano anterior. Enquanto muitos acreditavam em um iminente colapso das contas públicas e alertavam para um possível quadro de dominância fiscal, os dados divulgados ao longo dos primeiros meses do ano redesenharam o cenário fiscal brasileiro.
O que se viu, na prática, foi um desempenho robusto das contas públicas, valorização cambial e uma economia mais resiliente do que se antecipava. Neste texto, exploramos os elementos que ajudaram a mudar a narrativa, os impactos sobre o real, os desdobramentos sobre juros, o comportamento dos criptoativos e o calendário de dividendos que movimenta o mercado.
Continue a leitura para entender por que o cenário fiscal de 2025 tem sido um fator determinante para a trajetória recente da economia brasileira.
O colapso fiscal postulado em dezembro tinha fundamentação?
Em dezembro de 2024, muitos analistas gritaram a plenos pulmões que o Brasil estava entrando em um cenário fiscal de dominância. Este quadro se caracteriza por uma política monetária ineficaz, que não consegue conter o nível de atividade econômica e não impede a inflação.
Todavia, o ano de 2025 veio para solapar de vez essa possibilidade. Entre os destaques positivos, o setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 3,6 bilhões em março, puxado pelo bom desempenho do Tesouro Nacional, que teve superávit de R$ 1,1 bilhão. Esse resultado ajudou a reduzir a relação entre a dívida bruta e o PIB, que caiu para 75,9%.
Em termos de resultado primário do governo central, aquele que conta para o cumprimento das regras fiscais (Lei de Responsabilidade Fiscal e Novo Arcabouço Fiscal), a melhora foi expressiva. Na comparação com os três primeiros meses de 2024, o resultado melhorou 154% em termos reais — um sinal claro de virada no cenário fiscal.
A resposta do câmbio
Como resposta a essa melhora contínua do cenário fiscal, a moeda brasileira tem tido uma performance notável no mercado de câmbio. Desde o começo do ano até o início do mês de maio, o real registrou valorização de 7,1% em relação ao dólar.
Este é o segundo melhor desempenho em relação à moeda americana no ano. O desempenho do real só não é mais forte que o do rublo russo, cuja valorização já ultrapassa os 26%, diante da possibilidade — ainda que remota — de um acordo de paz junto à Ucrânia.
Em que pesem os riscos fiscais para 2027 e nos anos subsequentes, o desempenho notável das contas públicas nas primeiras divulgações de 2025 foi fundamental para uma correção do movimento extremo e desproporcional registrado em dezembro do ano passado, quando o cenário fiscal parecia mais frágil do que realmente era.
A Selic também foi determinante
Manter uma das taxas reais de juros mais elevadas do mundo precisa, inevitavelmente, trazer algum benefício — e, ao que tudo indica, isso tem se confirmado desde o início do ano. Com a Selic atualmente em 14,25% e previsão de alta para 15% até meados do ano, o Brasil deve continuar ocupando uma posição de destaque global em termos de retorno nominal, o que tende a sustentar o interesse de investidores em busca de rendimento elevado em meio a um cenário fiscal mais equilibrado.
Apesar dos desafios estruturais, a economia brasileira continua sendo percebida como um destino relativamente seguro e atrativo para investimentos — tanto no mercado financeiro quanto em ativos produtivos. Em especial no segmento financeiro, o elevado diferencial de juros tem estimulado o ingresso de capital externo, contribuindo para a valorização do real no curto prazo.
Neste contexto, o mês de abril foi marcado por um fluxo positivo de dólares em direção ao Brasil. Trata-se de um movimento de reversão em relação ao que foi registrado nas primeiras semanas de 2025. Dados fiscais melhores que o esperado e a taxa de juros em níveis muito altos têm contribuído para blindar o real das incertezas gestadas pelos EUA, reforçando a resiliência do cenário fiscal brasileiro.
E os criptoativos?
A divulgação de dados mais fracos nos Estados Unidos — incluindo a leitura preliminar do PIB que sinalizou contração da economia no primeiro trimestre de 2025 — elevou as apostas de que o Federal Reserve poderá iniciar o ciclo de cortes de juros já em junho.
A expectativa por um ambiente de liquidez mais frouxo tem favorecido os criptoativos, que nos últimos dias voltaram a testar níveis relevantes de resistência técnica. O rompimento destes níveis pode abrir caminho para um movimento mais forte de valorização nos próximos dias — principalmente se o Brasil continuar apresentando um cenário fiscal mais sólido que o de outras economias emergentes.
E os Dividendos?
Confira alguns dos pagamentos agendados no mercado brasileiro:
- Santander (SANB11, SANB3 e SANB4)
JCP respectivos de R$ 0,40, R$ 0,19 e R$ 0,21 previstos para 08 de maio. - Marcopolo (POMO3 e POMO4)
JCP de R$ 0,09 previstos para 09 de maio. - Eletrobras (ELET3 e ELET6)
Dividendos respectivos de R$ 0,90 e JCP de R$ 0,11 previstos para o dia 13 de maio. - Petrobrás (PETR3 e PETR4)
Dividendos de R$ 0,35 previstos para o dia 20 de maio. - Embraer (EMBR3)
Dividendos de R$ 0,07 e JCP de R$ 0,19 previstos para o dia 23 de maio.
De olho no câmbio
Nos próximos dias, o real tende a manter relativa estabilidade frente ao dólar, sustentado por expectativas de cortes de juros nos EUA e pela atratividade dos altos juros domésticos — reforçada por um cenário fiscal que segue surpreendendo positivamente.
Em relação ao euro e à libra, o real pode apresentar leve desvalorização, refletindo a relativa e incipiente recuperação econômica na Zona do Euro. O aumento da Selic, previsto para esta quarta, pode ajudar a blindar o real das incertezas vindas da tensão comercial.
Seguimos de olho.