AUMENTO DO IOF! O que muda e como isso afeta seu dia a dia
Aumento do IOF: entenda o que mudou nas alíquotas, quais operações foram afetadas e como isso pode impactar seu bolso em 2025.
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O aumento do IOF anunciado pelo governo nesta quinta-feira, 22 de maio de 2025, gerou forte repercussão no mercado financeiro e surpreendeu consumidores que fazem transações internacionais, empréstimos ou remessas para fora do país. A mudança veio por meio do Decreto Nº 12.466 que altera o Decreto nº 6.306, de 14 de dezembro de 2007.
Em meio às críticas, parte do decreto foi revogada às pressas, mas boa parte das mudanças continua valendo — e pode pesar no seu bolso. O imposto, que incide sobre operações financeiras, agora tem alíquotas maiores em compras com cartão de crédito internacional, empréstimos e envio de dinheiro para o exterior.
Neste conteúdo, você confere o que mudou, quais operações continuam com alíquota zero e como isso pode impactar seus gastos e investimentos.
O governo espera arrecadar R$ 20,5 bilhões com o reajuste do IOF
O reajuste do IOF faz parte de uma estratégia do governo federal para reforçar o caixa e tentar equilibrar as contas públicas. Segundo estimativas oficiais, as mudanças nas alíquotas podem gerar uma arrecadação adicional de R$ 20,5 bilhões em 2025 e R$ 41 bilhões em 2026.
Quanto era o IOF antes?
Antes do reajuste, o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) variava conforme o tipo de operação. Para compras com cartões de crédito no exterior, a alíquota era de 3,38%, conforme o cronograma de redução iniciado em 2022. Já nas operações de câmbio voltadas a investimentos, bancos e corretoras aplicavam cerca de 0,38%. No caso de remessas para contas bancárias no exterior de mesma titularidade — como ao comprar moeda estrangeira para uso pessoal ou carregar um cartão internacional — a alíquota era de 1,1%.
Esses percentuais estavam em vigor até o anúncio das mudanças promovidas pelo governo em maio de 2025.
Quanto foi o aumento do IOF?
A medida de aumento do IOF em 2025 elevou a alíquota para 3,5% em operações de câmbio e compra de moeda em espécie. Em empréstimos vindos do exterior com prazo de até 364 dias, o IOF também passa a ser de 3,5%. Para operações de câmbio não especificadas, o imposto será de 0,38% na entrada e 3,5% na saída.
Contudo, as remessas para investimento no exterior seguem com a alíquota antiga de 1,1%, conforme esclarecimento do governo após a repercussão negativa.
Além disso, cooperativas que tomam mais de R$ 100 milhões em crédito por ano passam a ser tributadas pelo IOF como as empresas em geral.
Importante: a alíquota zero do IOF continua para algumas operações
A alíquota zero do IOF continua valendo para algumas operações: transações comerciais, remessas de lucros e dividendos, além do ingresso e retorno de capital estrangeiro. Essas exceções foram mantidas mesmo com as mudanças recentes.
O que muda com o aumento do IOF?
O aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) afeta diretamente quem faz transações como empréstimos, compras internacionais, investimentos e transferências de dinheiro para fora do país. Mas o impacto vai além do bolso do consumidor: também altera o comportamento de investidores e do mercado financeiro.
Segundo Márcio Riauba, líder da Mesa de Operações da StoneX Banco de Câmbio, o aumento da alíquota do IOF pode afastar investidores por conta da carga tributária elevada, tornando as operações financeiras mais caras. Ele alerta ainda que o tema deve gerar volatilidade no câmbio, nos juros futuros e na Bolsa de Valores, o que já foi percebido logo após o anúncio da medida — com o dólar oscilando e o Ibovespa indo para o campo negativo.
Já o advogado Vinícius Pimenta Seixas, do Pinheiro Neto Advogados, explica como o IOF pode funcionar como uma ferramenta para manter dinheiro estrangeiro no país. Ele cita que, no passado, empréstimos vindos do exterior só eram isentos de IOF se permanecessem no Brasil por um tempo mínimo. Ou seja, o imposto também tem função regulatória, estimulando comportamentos econômicos — como manter investimentos no país por mais tempo.
A mensagem dos especialistas é clara: mais IOF significa mais custo, menos previsibilidade e menor atratividade para o mercado financeiro, o que pode refletir no dia a dia de empresas e consumidores, com produtos e serviços mais caros.
Como ficou as operações internacionais com o aumento do IOF?
| Operação | Como era antes | Como ficou |
|---|---|---|
| Cartão de crédito e débito internacional | Era 6,38% até 2022 | 3,5% |
| Cartão pré-pago interncional, cheques de viagem para gastos pessoais | Reduções para 5,38% em 2023 e 4,38% em 2024 | 3,5% |
| Remessa de recurso para conta do contribuinte brasileiro no exterior e compra de moeda em espécie | 1,1% | 3,5% |
1. Compras com cartão de crédito internacional
- Antes: Em 2024, a alíquota era de 3,38% sobre o valor da compra
- Agora: A alíquota foi ajustada para 3,5%.
- Exemplo: Se você gastar US$ 1.000 (com dólar a R$ 5,00), o IOF será de R$ 175. Antes, era de R$ 169.
2. Compra de moeda estrangeira em espécie
- Antes: O IOF era de 1,1%.
- Agora: Subiu para 3,5%.
- Exemplo: Se você comprar US$ 1.000 em espécie (R$ 5.000), o IOF será de R$ 175. Antes, era R$ 55.
3. Remessa para conta própria no exterior
- Antes: O IOF era de 1,1%.
- Agora: Passou para 3,5%.
- Exemplo: Enviando R$ 10.000 para sua conta internacional, o IOF será de R$ 350. Antes, era R$ 110.
4. Cartão pré-pago internacional
- Antes: O IOF estava caindo gradualmente (4,38% em 2024).
- Agora: Foi fixado em 3,5%.
- Exemplo: Carregando US$ 1.000 em um cartão pré-pago (R$ 5.000), o IOF será de R$ 175. Antes, seria R$ 219 (com 4,38%).
Operações de crédito para empresas: antes e depois do aumento do IOF
| Antes | Depois |
| 0,38% na contratação | 0,95% na contratação |
| 0,0041% ao dia | 0,0082% ao dia |
| Teto de 1,88% ao ano | Teto de 3,95% ao ano |
Por que as mudanças no IOF importam para o consumidor?
As mudanças no IOF importam para o consumidor porque impactam direta e indiretamente o custo de produtos e serviços. Mesmo quem não usa crédito rotativo, não parcela compras com juros ou não contrata empréstimos sente os efeitos. Isso acontece porque, quando o IOF aumenta, o crédito fica mais caro para as empresas.
Segundo Fabrício Winter, consultor e sócio da Fábrica de Fintechs, “se as empresas nas quais ele consome tomam esse crédito, o custo de operação do negócio fica mais caro. Portanto, o custo para o consumidor fica mais caro também, tendo em vista que esses custos são repassados”. Ou seja, o consumidor paga mais, mesmo sem ter feito a operação diretamente.
Governo revoga parte de decreto que subiu IOF após repercussão negativa
O governo decidiu voltar atrás e revogar parte do decreto que aumentava o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), após a repercussão negativa da medida entre investidores e o mercado financeiro.
A decisão aconteceu poucas horas depois do anúncio do aumento do imposto, que fazia parte de um pacote para tentar cumprir as metas fiscais. A ideia inicial era elevar a alíquota do IOF para 3,5% nas remessas de dinheiro feitas por fundos de investimento nacionais para o exterior — algo que antes tinha alíquota zero. A mudança pegou mal porque muitos fundos brasileiros usam aplicações fora do país como parte da estratégia de diversificação.
Diante da reação negativa, o governo fez uma reunião de emergência na noite de quinta-feira, 22 de maio de 2025, com ministros e técnicos da área econômica e jurídica. O resultado foi o recuo sobre esse ponto do decreto. Como afirmou o Ministério da Fazenda em publicação oficial na rede X:
“Será restaurada a redação do inciso III do art. 15-B do Decreto nº 6.306, de 14 de dezembro de 2007, que previa a alíquota zero de IOF sobre aplicação de investimentos de fundos nacionais no exterior.“
Outros pontos do decreto, como o aumento do IOF em compras internacionais com cartão de crédito, débito e pré-pago, continuam valendo. A alíquota que estava em 3,38% passará para 3,5%.
A revogação parcial mostra que o governo reavaliou os efeitos práticos da medida e buscou um “ajuste com equilíbrio”, como declarou a Fazenda, ouvindo o mercado e corrigindo rumos quando necessário.
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Resumindo
Como ficou as operações internacionais com o aumento do IOF?
Com o aumento do IOF, as operações internacionais passaram a ter alíquota de 3,5% para compras com cartão de crédito, débito e pré-pago internacional, remessas para conta própria no exterior e compra de moeda em espécie. Antes, essas alíquotas variavam entre 1,1% e 3,38%, dependendo do tipo de operação. As remessas para investimentos no exterior continuam com a alíquota antiga de 1,1%, conforme esclarecimento do governo.
Quanto foi o aumento do IOF?
A medida de aumento do IOF em 2025 elevou a alíquota para 3,5% em operações de câmbio e compra de moeda em espécie
Crédito de imagem: Envato Elements
