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A semana foi marcada por volatilidade no mercado de câmbio, com o real perdendo força frente às principais moedas. Apesar dos bons números da economia brasileira, como o IBC-Br de março e o bloqueio de gastos anunciado pelo governo, a tensão fiscal e o ruído em torno do aumento do IOF pesaram sobre a moeda. No exterior, os sinais de desaceleração nos EUA e o avanço da inflação no Reino Unido movimentaram os mercados, enquanto o euro oscilou em meio a dados fracos e expectativas de corte de juros. Com esse pano de fundo, o real recuou frente ao dólar, ao euro e à libra esterlina ao longo dos últimos dias.

Acompanhe as nossas análises a seguir.

Real x dólar

Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,6635 na segunda-feira (19/mai), um nível 0,3% superior à abertura da semana anterior (12/mai). A cotação da moeda estrangeira registrou valorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (23/mai) cotado a R$5,7206, patamar 0,7% superior ao da abertura da sexta-feira anterior (16/mai). Entre as aberturas desta sexta-feira (23/mai) e da segunda-feira da semana anterior (12/mai), vimos uma desvalorização do real em relação ao dólar de 1,3%.

O IBC-Br de março surpreendeu ao crescer 0,8%, com destaque para a indústria (2,1%), agropecuária (1%) e serviços (0,3%). Os números mostram uma economia resiliente, mesmo com juros elevados, e reforçam a percepção de que o Banco Central pode demorar mais para iniciar o ciclo de cortes de juros.

No campo fiscal, o governo anunciou um bloqueio/contingenciamento de R$31,4 bilhões em despesas, o que sinaliza esforço de contenção. Porém, o mercado reagiu mal à proposta de aumento do IOF, que acabou sendo parcialmente revista por Fernando Haddad, com o recuo sobre operações de investimentos no exterior. Mesmo assim, a medida repercutiu no câmbio, que saltou para R$5,70 nos minutos finais do pregão de quinta-feira (22).

Outro tema relevante foi a medida provisória do setor elétrico, que propõe isenção na conta de luz para até 60 milhões de brasileiros. A ideia é redistribuir custos por faixa de renda, sem afetar a classe média — segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

Nos EUA, o Índice de Indicadores Antecedentes caiu 1% em abril, somando-se à surpreendente queda no índice de preços ao produtor. Além disso, no âmbito político, Trump segue negociando um novo limite fiscal para poder executar maiores gastos em seu governo. 

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Real x euro

O euro abriu o pregão de segunda-feira (19/mai) cotado a R$6,3321. Na abertura desta sexta-feira (23/mai), a cotação foi de R$6,4533. Portanto, a moeda brasileira registrou desvalorização de 1,9% frente ao euro nesta semana. 

Com relação ao dólar, a moeda europeia ganhou força esta semana, revertendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1171 na segunda (19/mai) para US$1,1281, sexta-feira (23/mai). Portanto, vimos uma valorização do euro de aproximadamente 1,0% (leia-se: é preciso mais dólares para comprar um euro).

Na Europa, a inflação continua em queda gradual. O CPI da região subiu 0,6% em abril e acumula 2,2% em 12 meses. Na Alemanha, o Índice de Preços ao Produtor recuou 0,6%, reforçando o alívio inflacionário no continente.

Por outro lado, os PMIs de maio decepcionaram. Tanto na Zona do Euro quanto na Alemanha, os indicadores apontaram retração na indústria e nos serviços. O PMI composto ficou abaixo de 50 pontos, sugerindo contração da economia.

Apesar disso, o PIB da Alemanha cresceu 0,4% no primeiro trimestre — acima da projeção de 0,2%. O número trouxe algum alívio, mas não muda o diagnóstico de fraqueza estrutural na região.

Com inflação convergindo para a meta e atividade enfraquecida, o BCE deve manter o atual ciclo de cortes de juros. Isso pressiona o euro e fortalece o diferencial positivo em relação ao real.

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Real x libra esterlina

A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (19/mai) cotada a R$7,5244, patamar mais baixo que o registrado nesta sexta-feira (23/mai), R$7,6773. Trata-se de uma desvalorização de 2,0% do real em relação à moeda britânica. Portanto, a semana foi marcada por um movimento de desvalorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.

Em relação ao dólar, a moeda inglesa ganhou força no decorrer da semana, mantendo a tendência de valorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (23/mai) cotada a US$1,3420 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3274, uma valorização de 1,1% da moeda britânica em relação ao dólar.

A libra ganhou força nos últimos dias, impulsionada por dados de inflação acima do esperado no Reino Unido. Ainda assim, o real conseguiu limitar perdas diante da moeda britânica, com ajuda do bom desempenho doméstico e do recuo parcial no IOF.

O CPI britânico subiu 1,2% em abril, levando a inflação anual para 3,5%. O número superou as expectativas e adiou as apostas de novos cortes de juros por parte do Banco da Inglaterra.

Além disso, o varejo britânico surpreendeu positivamente, com alta de 1,2% em abril, frente à expectativa de queda de 0,6%. Os dados fortalecem a libra e sugerem que a economia do Reino Unido segue mais aquecida do que o esperado.

A combinação de inflação persistente e consumo resiliente aumenta a incerteza sobre o ciclo de juros no país, o que pode manter a libra valorizada no curto prazo.

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Perspectivas

O real segue apoiado por fundamentos sólidos, como superávit comercial robusto, atividade firme e esforço fiscal. A redução da aversão ao risco, com os mercados se ajustando à volta de Trump, favoreceu momentaneamente a moeda frente ao dólar. Ainda assim, a polêmica sobre o aumento do IOF gerou ruído e pode manter a volatilidade no curto prazo.

Frente ao euro e à libra, o real tem mostrado mais instabilidade, com o redirecionamento de fluxos para ativos europeus em meio à incerteza nos EUA. Esse movimento tende a sustentar a valorização das moedas europeias, mesmo diante de indicadores fracos, desvalorizando as divisas emergentes nos próximos dias.

Seguimos de olho.