Brasil se torna mais atrativo para investidor estrangeiro

O Brasil se torna mais atrativo para investidores estrangeiros

Entenda os fatores do cenário da América Latina que estão tornando o Brasil um país mais atrativo para investidores estrangeiros que os vizinhos da América Latina.

No início do ano, uma das notícias que teve grande destaque e empolgou os investidores brasileiros foi uma da Bloomberg. A pergunta era sobre qual era o país queridinho para aplicação em ação, títulos de dívida e moedas. A resposta foi: Brasil, para as três categorias.

Os meses foram passando e agora, a poucos meses do fim de 2019, ainda não pudermos ver todo este entusiasmo na vinda de fluxo estrangeiro para cá na forma de investimentos e capital mesmo para cá. Mas a situação está prestes a mudar.

Emergentes em cenário desfavorável

A situação para o investimento em países emergentes não está das mais favoráveis. Crises políticas em países como Equador, Argentina, Turquia, África do Sul e, agora no Chile e Líbano, não são os cenários ideais para que o investidor internacional opte por alocar os seus recursos em países com economias e políticas mais instáveis.

Para nós, há ainda o risco de contaminação pelo continente, já que boa parte dos países em crise está justamente na América Latina.

Com isso, os investidores tentam olhar além das manchetes sobre política, manifestações, sanções e buscam sinais de que a situação irá melhorar ou, ao menos, se estabilizar no que diz respeito aos riscos geopolíticos.

Por que o Brasil ficou mais atrativo

Por aqui, nós contamos com alguns pontos positivos que corroboram a tese de que o Brasil de fato ainda poderá ser o queridinho – para aí sim vermos dólares entrando e como consequência, o dólar cedendo um pouco.

Para começar, os juros estão baixos. A Selic no nível mais baixo da história, com tendência que caia ainda mais, é mais do que um belo atrativo para o capital externo (aqui, não um capital especulativo para carry trade, mas para ficar por um período um pouco maior). Até mesmo por lógica, se os títulos públicos estão pagando menos devido ao efeito dos juros menores, é preciso tomar risco para conseguir rendimentos melhores, ou seja, o caminho inevitável é o mercado de capitais.

Depois disso, estamos vivendo um momento de inflexão e mudança em nossa história. A aprovação da reforma da Previdência foi apenas o primeiro passo de nosso processo de ajuste fiscal. Ainda veremos medidas microeconômicas que contribuirão ainda mais para o crescimento, tais como a MP da liberdade econômica, a MP do Saneamento, o PL da Telecom, a consolidação da reforma trabalhista e uma possível reforma tributária, dentre tantas outras.

O resultado da combinação de juros baixos e reformas é de estímulo do crescimento do país, a atividade econômica volta, a economia gira e o país volta a andar nos eixos.

Nesta semana, por exemplo, vimos um sinal bem positivo. Prevendo um passo tão significativo para nós, a aprovação da reforma, que serve como um carimbo de que estamos na direção correta, os investidores ingressaram US$ 126 milhões no iShares MSCI Brazil ETF, fundo de índice conhecido por EWZ. Esta foi a maior entrada semanal em oito meses.

Por enquanto, os estrangeiros já retiraram R$ 4,1 bilhões em ações. Ao mesmo tempo que os brasileiros (fundos de ações), confiantes no cenário que vem sendo traçado, injetaram R$ 47,7 bilhões, tanto que o Ibovespa subiu mais de 20% no ano só o entusiasmo local.

Portanto, os gringos ainda parecem ter mais dúvidas e devem aguardar evidências mais fortes antes de embarcar no otimismo que contagia os locais. O PIB do próximo ano, por exemplo, poderá nos surpreender positivamente, o que poderá ser um dos gatilhos para que a atenção do estrangeiro volte para o Brasil.

Além de que, poderá inclusive trazer de volta a nota de investimento dada pelas agências de rating, que é mais do que um respaldo que os investidores precisam. E assim, então poderemos ver a vinda de mais dólares que poderão fazer com que o câmbio possa cair para chegar em novo patamar adequado à nossa realidade.

Glenda Mara Ferreira é Economista, bacharel em Relações Internacionais com experiência em planejamento financeiro. Atualmente é especialista em investimentos na Levante. Possui uma conta no Instagram sobre finanças pessoais e economia: @glendamara_ferreira