Câmbio já sente os efeitos da crise econômica da COVID-19

por André Galhardo
3 minutos de leitura
Câmbio já sente os efeitos da crise econômica da COVID-19

A “segunda onda” – como tem sido chamada a crise econômica que sucederá o período de distanciamento social – já é dada por certa. Os governos já se prepararam para ela, mas ainda não conseguem estimar sua dimensão e impacto com clareza. De todo modo, os países já enfrentam graves problemas econômicos. Acompanhe os desdobramentos desses acontecimentos sobre o câmbio das principais moedas globais.

Dólar: desemprego e desaceleração nos Estados Unidos

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O Dólar passa por uma tsunami de dificuldades. O primeiro ponto de atenção, diretamente ligado ao Covid-19 e a quarentena, é o desemprego. Em duas semanas, o número de pedidos iniciais de seguro desemprego nos EUA saiu de 282 mil, pulou para 3,3 milhões e, no dia 2 de abril, saltou para 6,6 milhões.

O governo estadunidense, que adotou medidas de restrição tardias, já considera um número de mortos decorrentes do novo coronavírus, na casa dos 240 mil. A situação preocupa bastante, especialmente pelo fato de que os EUA não possuem um sistema de saúde estruturado como o brasileiro.

Complementarmente, como consequência dessa primeira onda do coronavírus, há enormes esforços em estimar qual o tamanho e o impacto da segunda onda – ligada mais diretamente às questões econômicas. Por enquanto, analistas e economistas falam em queda brusca do PIB. No caso brasileiro, por exemplo, algumas estimativas já apontam para queda de até 5% do produto em 2020. 

Por fim, em meio a esse cenário, o dilema do petróleo permanece. O preço do barril do petróleo preços tão baixos, que levou a Petrobras a avaliar a atual conjuntura como a pior crise em 100 anos. O Barril WTI, por exemplo, chegou a atingir o patamar de US$ 19,27. 

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (Opep+) já buscam articular um corte conjunto histórico na produção para controlar a oferta e elevar os preços a patamares condizentes com os anteriores. 

Nesse cenário de grande incerteza e dificuldades econômicas, o câmbio do dólar começou a semana cotado a R$ 5,118 na abertura do pregão de segunda-feira (30/3) e, na abertura do pregão desta sexta-feira (2/4), a moeda estava cotada a R$ 5,2557, uma depreciação de aproximadamente 2,69% do Real.

Euro: câmbio sofre com colapso da economia europeia

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Após anos de preocupação com o crescimento econômico da Zona do Euro, diante da crise decorrente do Covid-19, a atividade econômica do bloco entrou em colapso.

O Purchasing Managers’ Index (PMI) Composto final, que mensura a atividade econômica a partir das ações dos gerentes de compras das empresas, despencou de 51,6 pontos em fevereiro para a mínima recorde de 29,7 pontos em março. 

Trata-se da maior queda mensal desde que a pesquisa começou em julho de 1998. Dentro da metodologia do PMI, a marca de 50 pontos separa crescimento e contração, portanto, 29,7 pontos marca uma enorme contração da atividade econômica do bloco. 

A situação da Zona do Euro trouxe grande instabilidade para o Euro. Com relação ao Real, a moeda europeia abriu o pregão do câmbio de segunda-feira (30/3) cotado a R$ 5,6802 e, na abertura desta sexta-feira (3/4), a cotação era de R$ 5,7018, uma apreciação de aproximadamente 0,38% do Euro frente à moeda brasileira. Com relação ao Dólar, a moeda europeia perdeu valor e o Dólar se fortaleceu 2,6%.

Libra Esterlina: Reino Unido sofre impacto econômico da crise

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O Reino Unido, por sua vez, passa por grandes dificuldades também. A exemplo dos EUA, a ilha tardou em tomar decisões acerca do isolamento social. O governo estima um total de 50 mil mortos se o isolamento social não for cumprido. Segundo o governo britânico, trata-se da estimativa no pior cenário.O cenário atual implica em um total de 20 mil óbitos. 

Do ponto de vista econômico, além dos auxílios já divulgados na últimas semanas e que podem atingir £ 330 bilhões, os dados divulgados recentemente mostraram um recorde histórico das vendas no varejo (especialmente supermercados), decorrente da pandemia. 

E de modo similar ao registrado pela Zona do Euro, o PMI Composto, que mensura a atividade econômica a partir das compras das empresas, caiu de 53 pontos em fevereiro para 36 pontos em março. Desse modo, segundo a métrica do PMI, o Reino Unido deu o primeiro passo rumo a recessão.

Nesse contexto, a Libra Esterlina abriu o pregão de segunda-feira (30/3) cotada a R$ 6,3424 e registrou, na abertura do pregão de sexta-feira (2/4), a cotação de R$ 6,5135, uma desvalorização no câmbio do Real em relação a moeda britânica de 2,7%. A moeda britânica, por sua vez, perdeu valor em relação ao Dólar, depreciando 0,35%

Perspectivas

Devemos relembrar, caro leitor, que projetar o câmbio em condições de incerteza é um desafio enorme. Especialmente no caso do Dólar, por se tratar de uma moeda utilizada como reserva global de valor, uma vez que sua demanda acompanha também as expectativas que, por vezes, é irracional. 

Contudo, como temos acompanhado, o Real tem se mantido significativamente depreciado em relação às demais moedas. Mas o que vimos claramente esta semana diferentemente da semana anterior, foi o Euro e a Libra também registrando depreciação em relação ao Dólar.

Isso posto, continuamos defendendo que, com a pandemia e a quarentena em jogo, enquanto a incerteza permanecer presente na economia, o Real continuará perdendo valor. 

Seguimos de olho.

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