Getting your Trinity Audio player ready...

Mesmo em meio à guerra tarifária com os Estados Unidos, o comércio exterior da China em 2025 alcançou um volume de US$ 4,73 trilhões com a ampliação das exportações e superávit recorde, reforçando seu papel como potência global. Esse avanço vai muito além das fronteiras chinesas, influenciando diretamente o desempenho de parceiros comerciais e a economia global. 

Ficou curioso? Entenda no artigo abaixo como o crescimento do comércio exterior da China impacta o mundo, especialmente o Brasil.

Crescimento do comércio exterior da China em 2025

O comércio exterior da China manteve um ritmo de expansão em 2025, consolidando o país como potência global nas exportações. Segundo a Administração Geral das Alfândegas (AGA), nos nove primeiros meses do ano, o volume total de importações e exportações somou 33,61 trilhões de yuans (US$ 4,73 trilhões), um aumento de 4% em relação a 2024. 

Além disso, as exportações da China em 2025 cresceram 7%, alcançando 19,95 trilhões de yuans, impulsionadas principalmente por produtos de alta tecnologia e bens eletromecânicos, que já representam mais de 60% do total exportado. Já as importações chinesas registraram leve queda de 0,2%, totalizando 13,66 trilhões de yuans.

Aliás, o comércio exterior no país alcançou o oitavo mês consecutivo de resultados positivos. Em 2025, o crescimento foi:

  • Primeiro trimestre: 1,3%;
  • Segundo trimestre: 4,5%;
  • Terceiro trimestre: 6%. 

Fatores que impulsionam o crescimento do comércio exterior da China, em 2025

O papel da China como líder comercial mundial é resultado de fatores estruturais e estratégicos que fortalecem sua posição. Entre os principais motivos que impulsionam esse crescimento, estão:

  • Setores de alta tecnologia: impulsionam o crescimento das exportações com produtos de maior valor agregado;
  • Nova tríade industrial: veículos elétricos já representam 60% do total de veículos exportados da China;
  • Produtos sustentáveis: itens como locomotivas elétricas e equipamentos verdes ampliam a presença da China em mercados com foco ambiental;
  • Diversificação de mercados: expansão das parcerias com países da Iniciativa do Cinturão e Rota, cresceu 6,2%;
  • Aumento da base exportadora: mais de 700 mil empresas ativas no comércio exterior aumentam a competitividade do setor;
  • Estabilidade econômica interna: o fortalecimento da demanda doméstica estimulou as importações no terceiro trimestre;
  • Inovação e adaptação empresarial: companhias chinesas investem em tecnologia, eficiência logística e novos canais de exportação;
  • Políticas de apoio governamental: medidas coordenadas pelo governo central garantem estabilidade cambial e estímulo às exportações estratégicas.

Impacto global do comércio exterior da China em 2025

Esse crescimento do comércio exterior chinês impacta não só o país como outras economias. 

Por exemplo, enquanto o comércio exterior da China somou US$ 4,73 trilhões, os Estados Unidos registraram US$ 1,25 trilhão em exportações e US$ 2,05 trilhões em importações até julho, acumulando déficit superior a US$ 806 bilhões. 

Homem analisando os resultados do comércio exterior da China em 2025
China mantém ritmo de crescimento nas exportações apesar das tarifas dos Estados Unidos.

A Alemanha, terceira maior potência exportadora, enfrentou retração. As exportações alemãs caíram 0,5% em agosto, atingindo € 129,67 bilhões, resultado influenciado pela menor demanda dentro da União Europeia e pelas tarifas impostas pelos EUA.

Além disso, o fortalecimento das parcerias com países da Iniciativa do Cinturão e Rota e o aumento da participação de mercados emergentes consolidam o papel da China como líder comercial mundial. 

O impacto do “tarifaço de Trump” nas exportações chinesas

Mesmo com as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos, a China manteve o ritmo de crescimento nas exportações em 2025. Em setembro, as vendas externas aumentaram 8,3% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 328,6 bilhões, o maior volume mensal do ano. O resultado superou todas as previsões e reforçou a força da economia chinesa diante da guerra comercial.

As tarifas aplicadas pelo governo Trump afetaram diretamente os embarques para os Estados Unidos, que caíram 27%, completando seis meses seguidos de queda. Ainda assim, o impacto foi compensado pelo crescimento expressivo em outros mercados, já que as empresas buscam alternativas. Dessa forma, o crescimento das exportações para outros mercados foi de:

  • União Europeia: 14%;
  • Sudeste Asiático: 16%; 
  • África: 56%;
  • América Latina: 15,2%

Em meio a guerra tarifária com os EUA, a China vem redirecionando parte das exportações por meio de países como o Vietnã, que se tornou um dos principais centros de reexportação de produtos chineses. Essa manobra, aliada à ampla rede de acordos internacionais e ao domínio em setores estratégicos, reduz o efeito das tarifas sobre a economia chinesa.

Com isso, mesmo em meio a pressões, o PIB da China cresceu 5,2% nos três primeiros trimestres de 2025 e o superávit comercial atingiu US$ 90,5 bilhões em setembro.

Como a alta das exportações chinesas influencia os preços das commodities brasileiras

O avanço das exportações chinesas em 2025 também impacta o mercado de commodities brasileiras, especialmente soja, minério de ferro e carnes. A demanda crescente da China, aliada à retração das compras dos Estados Unidos, ampliou a dependência do país asiático em relação ao Brasil e impulsionou os preços internacionais desses produtos.

Em setembro, as exportações de commodities para a China aumentaram 57,1% em relação ao mesmo período de 2024. Nesse mês, enquanto a China reduziu a zero as importações de soja dos Estados Unidos, o país importou 12,87 milhões de toneladas métricas, o segundo maior volume da história. Desse total, 29,9% corresponderam à soja exportada pelo Brasil.

Além da soja, as exportações de carnes e de minério de ferro também avançaram. A China continua sendo o maior comprador de proteína animal do Brasil, respondendo por 59,5% das exportações do setor. Assim, na prática, a expansão das compras chinesas contribui para sustentar os preços internacionais das principais commodities brasileiras, beneficiando os produtores e ampliando o superávit comercial do país.

Perguntas frequentes

Quanto a China exportou e importou em 2025?

De janeiro a setembro de 2025, as exportações alcançaram 19,95 trilhões de yuans, um aumento de 7,1%. Já as importações somaram 13,66 trilhões de yuans, uma leve queda de 0,2%.

O que impulsiona o crescimento do comércio exterior chinês em 2025?

O avanço de setores tecnológicos, políticas de incentivo do governo, estabilidade econômica interna, aumento da base exportadora e ampliação das parcerias com países da Iniciativa do Cinturão e Rota.

O “tarifaço de Trump” afetou as exportações chinesas?

As vendas para os Estados Unidos caíram 27%, mas a China compensou essa queda com o aumento das exportações para a União Europeia, Ásia, África e América Latina.