|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
A nova política tarifária do presidente Donald Trump marcou uma guinada drástica na postura comercial dos Estados Unidos e iniciou uma guerra tarifária entre Estados Unidos x China. Anunciada no dia 2 de abril, a estratégia segue o princípio das “tarifas recíprocas”, impondo sobretaxas com base no tratamento que cada país dá aos produtos americanos.
O movimento reacende as tensões comerciais globais, impactando diretamente o Brasil, a China e a União Europeia — e trazendo fortes reflexos sobre o câmbio, os mercados e a economia global.
Leia este artigo e saiba como se posicionar neste momento incerto!
O que é a nova política tarifária do Trump?
Em 2 de abril de 2025, o presidente Donald Trump anunciou uma nova política tarifária baseada no conceito de “tarifas recíprocas”. Essa abordagem implica a imposição de sobretaxas a produtos importados, calculadas com base no tratamento que cada país dispensa aos produtos norte-americanos. A iniciativa, denominada “Dia da Libertação”, representa um retorno ao protecionismo e rompe com décadas de defesa do livre comércio, além de dar início a uma guerra tarifária dos Estados Unidos x China.
Para o Brasil, foi imposta uma tarifa de 10% sobre todas as exportações para os EUA, uma taxa relativamente moderada em comparação com outros países. Na América Latina, nações como Argentina, Chile, Colômbia e Peru receberam a mesma alíquota. Por outro lado, países como Vietnã (46%), China (34%) e o bloco da União Europeia (20%) foram significativamente mais penalizados.
O cálculo dessas tarifas foi realizado de forma simplificada: dividiu-se o déficit comercial dos EUA com determinado país pelo volume de importações provenientes dele, e então esse valor foi dividido pela metade.
De onde vêm as novas ideias de Trump?
As propostas atuais de Trump para as tarifas ecoam ideias mercantilistas, com foco obsessivo em superávits comerciais. No entanto, esse modelo colide com o papel dos EUA na economia global. Por ser o emissor da moeda de reserva mundial, o país precisa manter déficits comerciais para fornecer dólares ao resto do mundo — garantindo, assim, a hegemonia do dólar nas transações internacionais.
Como o câmbio tem sido afetado pela guerra de Estados Unidos x China ?
A guerra tarifária dos Estados Unidos x China elevou significativamente a incerteza no mercado global, pressionando o câmbio de países emergentes. O real foi uma das moedas mais atingidas:
- Abertura em 03/04: R$ 5,6635
- Fechamento em 04/04: R$ 5,8425
A escalada nas tarifas e os sinais de possível recessão com inflação nos EUA acentuaram a aversão ao risco.
A postura de Trump se mantém a mesma desde o anúncio?
Não. No dia 9 de abril, Trump anunciou que reduziria, por 90 dias, as tarifas para 10% sobre os países que ainda não haviam retaliado os EUA. Contudo, a China foi exceção: após uma série de respostas agressivas entre os dois países, os EUA elevaram suas tarifas para 125% sobre os produtos chineses.
Este movimento se deu após a China subir de forma sequencial suas tarifas aos EUA, chegando em faixas de 84% sobre os produtos americanos, e os EUA contra-atacaram com os 125%. Esse embate ampliou a volatilidade nos mercados cambiais, fazendo do real uma das moedas que mais perdeu valor no mundo nos últimos dias.
Mesmo com a manutenção da guerra tarifária de Estados Unidos x China, a redução das tarifas frente aos outros países do globo trouxe bastante alívio ao mercado, permitindo algum alívio no câmbio e nas bolsas. A partir deste anúncio de “trégua” de 90 dias, o real valorizou 3,15%.
Apesar da melhora temporária, o ambiente global permanece tenso e altamente incerto e a guerra tarifária deve seguir.
Estados Unidos x China e a bolsa americana?
Os mercados reagiram com extrema volatilidade. Inicialmente, as bolsas operaram em forte queda, mas inverteram o sinal após o anúncio do recuo parcial de Trump:
- Dow Jones: +7,87%
- S&P 500: +9,51% (maior alta intradiária desde 2008)
- Nasdaq: +12,16%
Apesar do alívio, o S&P 500 ainda está abaixo do patamar anterior ao anúncio das tarifas. No dia 2/04, o índice havia fechado em 5.670,97 pontos. Após a recuperação, subiu para 5.456,90 pontos — ou seja, ainda abaixo do nível pré-guerra tarifária dos Estados Unidos x China? .
Outro ponto de destaque, que mostra não apenas os efeitos das tarifas, mas de toda incerteza gerada por Trump de uma forma geral, é o fato de que o S&P500 operava para além dos 6.000 pontos entre final de janeiro e começo de fevereiro. Ou seja, mesmo sem as tarifas, o governo Trump já vinha gerando algum desgaste no mercado acionário.
Estados Unidos x China: O que esperar do câmbio nos próximos dias?
Enquanto as tarifas de Trump estiverem limitadas a 10% — especialmente durante o período de trégua de 90 dias — o mercado cambial pode apresentar alguma recuperação das moedas emergentes como o Real. Esse cenário temporário, no entanto, não elimina a incerteza. A possibilidade de uma escalada rápida, como já ocorreu com a China, mantém investidores cautelosos.
Moedas consideradas porto seguro, como o dólar e o franco suíço, devem continuar valorizadas. Já as moedas emergentes, como o real, podem seguir sob pressão, principalmente se novas medidas forem anunciadas ou se a tensão geopolítica persistir.
Perguntas frequentes
As bolsas oscilaram bastante. Após fortes quedas, houve uma recuperação expressiva com a sinalização de trégua tarifária, mas os níveis seguem abaixo do patamar anterior ao anúncio.
Sim. As tarifas elevam a incerteza global, favorecem moedas fortes e pressionam moedas emergentes, como o real, que se desvalorizou rapidamente desde o anúncio.
As medidas de Trump aumentam o risco de recessão global ao encarecer produtos, reduzir o comércio internacional e elevar a volatilidade nos mercados.