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O mercado de câmbio segue respondendo intensamente aos desdobramentos da nova guerra comercial liderada pelos Estados Unidos. Na semana passada, o dólar voltou a ceder frente às principais moedas globais, refletindo não apenas o aumento das tensões entre Washington e Pequim, mas também o avanço das expectativas de flexibilização monetária em várias economias desenvolvidas. O real também desempenhou bem frente ao dólar, sustentado por um cenário doméstico mais favorável, com foco na agenda fiscal. Já o euro e a libra esterlina continuaram ganhando terreno, impulsionados tanto por fatores internos quanto pela percepção de que a instabilidade americana pode comprometer a atratividade do dólar como porto seguro.
Acompanhe as nossas análises a seguir.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,7236 na segunda-feira (02/jun), um nível 1,4% superior à abertura da semana anterior (26/mai). A cotação da moeda estrangeira registrou desvalorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (06/jun) cotado a R$5,5893, patamar 1,4% inferior ao da abertura da sexta-feira anterior (30/mai). Entre as aberturas desta sexta-feira (06/jun) e da segunda-feira da semana anterior (26/mai), vimos valorização de 1% do real em relação ao dólar.
A semana foi marcada por uma nova rodada de enfraquecimento do dólar no cenário internacional, refletindo um movimento mais amplo de realinhamento das moedas globais. O índice DXY, termômetro do desempenho da divisa americana frente a uma cesta de moedas fortes, renovou sua mínima em três anos.
Esse reposicionamento da moeda americana ocorreu em meio ao aumento das tensões comerciais. O governo dos Estados Unidos voltou a endurecer o tom com a China e anunciou novas tarifas sobre aço e alumínio, com alíquotas que podem chegar a 50%. A retórica do presidente americano, ao afirmar que um acordo com Pequim seria “extremamente difícil”, reforçou a percepção de que os atritos entre as duas maiores economias do mundo estão longe de um desfecho.
A cotação do real permaneceu relativamente estável, refletindo um mercado ainda atento aos desdobramentos locais. O mercado reagiu bem à sinalização de que o governo prepara um amplo pacote de cortes de gastos para compensar grande parte das medidas do IOF. O anúncio reforçou a leitura de compromisso com a consolidação fiscal, especialmente diante das especulações sobre possíveis ajustes em subsídios e despesas sociais.
Do lado da atividade econômica, os sinais foram mais discretos. A produção industrial cresceu apenas 0,1% em abril, desacelerando frente ao avanço de 1,2% observado em março. Além disso, os PMIs divulgados para o mês de maio recuaram para níveis abaixo dos 50 pontos, indicando perda de fôlego e sugerindo uma possível desaceleração adiante.
Por fim, a combinação entre o esforço fiscal em construção e a Selic no maior patamar em quase duas décadas ajudou a sustentar a valorização do real.
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Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (02/jun) cotado a R$6,4951. Na abertura desta sexta-feira (06/jun), a cotação foi de R$6,3939. Portanto, a moeda brasileira registrou valorização de 1,6% frente ao euro nesta semana.
Com relação ao dólar, a moeda europeia ganhou força esta semana, mantendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1343 na segunda (02/jun) para US$1,1453, sexta-feira (06/jun). Portanto, vimos uma valorização do euro de aproximadamente 1% (leia-se: é preciso mais dólares para comprar um euro).
O Banco Central Europeu fez um novo corte de juros nesta semana, reduzindo a taxa básica para 2%, em mais uma tentativa de estimular uma economia que segue frágil e vulnerável aos efeitos da guerra comercial. Embora o movimento já fosse esperado pelos mercados, a decisão expôs divisões internas: segundo Christine Lagarde, presidente da instituição, não houve consenso entre os membros do BCE, e o caminho adiante permanece incerto.
Desde o chamado “Liberation Day”, quando o euro passou a ganhar fôlego frente ao dólar, a moeda europeia tem surpreendido. No início do ano, o consenso era de que o dólar retomaria força, amparado por um cenário externo instável. Mas a realidade foi outra. As incertezas nos Estados Unidos e a percepção de risco político fizeram do euro uma alternativa mais estável, o que impulsionou sua valorização nos últimos meses.
Essa força cambial, no entanto, deve começar a preocupar as autoridades europeias. Com o euro mais caro, as exportações do bloco perdem competitividade — um problema agravado pelas novas barreiras comerciais impostas por Washington. Para uma economia que já enfrenta sinais persistentes de fraqueza e pressões deflacionárias, o câmbio valorizado se torna mais um entrave.
Embora o BCE ainda evite sinalizações explícitas sobre os próximos passos, o cenário atual reforça os argumentos para a continuidade do ciclo de cortes de juros. Em um ambiente de crescimento anêmico, inflação baixa e euro em alta, a autoridade monetária segue pressionada a agir, mesmo com as resistências internas ganhando corpo.
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Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (02/jun) cotada a R$7,7042, patamar mais alto que o registrado nesta sexta-feira (06/mai), R$7,5825. Trata-se de uma valorização de 1,6% do real frente à libra. Portanto, a semana foi marcada por uma valorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa ganhou força no decorrer da semana, revertendo a tendência de desvalorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (06/mai) cotada a US$1,3579 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3458, uma valorização de 0,9% da moeda britânica em relação ao dólar.
Entre os dados divulgados na semana, os PMIs de maio indicaram alguma retomada, ainda que modesta. O índice composto subiu para 50,3, voltando à zona de expansão após ter ficado em território contracionista em abril. O destaque ficou com os serviços, cujo PMI avançou para 50,9, refletindo maior dinamismo do setor. Já a indústria da construção permanece pressionada, com PMI em 47,9.
Por outro lado, no mercado imobiliário, os sinais foram mais animadores. Os preços das moradias, medidos pelo índice Nationwide, subiram 3,5% em maio na comparação anual, bem acima das expectativas. Na margem, houve alta de 0,5%, indicando que o setor começa a reagir mesmo com o crédito ainda caro.
No geral, a economia britânica começa a dar sinais de estabilização, mas a recuperação permanece desigual. Mesmo assim, a libra, assim como o euro, tem ganhado espaço frente às incertezas vindas de Washington.
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Perspectivas
Nas próximas semanas, o dólar deve seguir pressionado, à medida que crescem as incertezas sobre os impactos da guerra comercial nos EUA. Euro e libra tendem a se beneficiar desse movimento, embora enfrentem o desafio de conciliar moeda forte com estímulos monetários. No Brasil, o real pode continuar encontrando algum suporte na combinação entre compromisso fiscal e juros elevados, mas a aproximação do ciclo eleitoral deve impor limites à valorização.
Seguimos de olho.