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A semana foi marcada por uma vitória estratégica do governo federal no Supremo Tribunal Federal, que validou os decretos sobre o aumento do IOF, reforçando a arrecadação, mas também gerando encarecimento do crédito.
Enquanto isso, o real oscilou diante de dados econômicos sinalizando desaceleração da atividade econômica. No exterior, os indicadores vieram melhores nos EUA, com aumento da produção industrial e do varejo, o que fortalece o dólar, embora a inflação ao produtor tenha vindo abaixo do esperado.
Na Europa, a indústria ensaiou reação, mas ainda de forma tímida, e no Reino Unido, os dados de emprego e inflação trouxeram novas incertezas para o caminho dos juros.
Leia mais para entender a conjuntura e as projeções para as próximas semanas.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,4211 na segunda-feira (14/jul), um nível 2,6% superior à abertura da semana anterior (07/jun). A cotação da moeda estrangeira registrou valorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (18/jul) cotado a R$5,5449, patamar 0,2% superior ao da abertura da sexta-feira anterior (11/jul). Entre as aberturas desta sexta-feira (18/jul) e da segunda-feira da semana anterior (07/jun), vimos uma desvalorização de 2,3% do real em relação ao dólar.
A tarifa anunciada por Donald Trump, de 50% às importações brasileiras, não foi revertida e as tensões entre o presidente americano e o presidente brasileiro parecem só ter aumentado. Este cenário segue gerando efeitos nos ativos brasileiros.
Quanto à atividade econômica brasileira, o IBC-Br de maio mostrou retração de 0,74%, reforçando a leitura de desaceleração. O número veio abaixo do piso das projeções de mercado e foi agravado pelo fraco desempenho do setor agropecuário, que despencou 4,25% no mês.
Mesmo o IBC-Br ex-agro caiu 0,31%, sinalizando perda de fôlego generalizada. Por outro lado, o Monitor do PIB da FGV trouxe uma leitura mais positiva, com crescimento de 0,3% puxado pelos serviços.
No front inflacionário, o IGP-10 caiu 1,65% em julho, com destaque para a retração nos preços do café em grão e da gasolina — esta última puxada por novo reajuste da Petrobras. A deflação generalizada ao produtor reforça a leitura de alívio nos preços, ainda que a inflação ao consumidor siga mais resiliente.
Em relação à política fiscal, o STF validou os decretos presidenciais que aumentaram o IOF, revertendo a tentativa de anulação pelo Congresso. A decisão representa uma vitória relevante para o Executivo, que agora conta com a medida para ampliar a arrecadação e cumprir a meta fiscal.
Nos EUA, a inflação ao consumidor subiu 0,3% em junho, acelerando em relação a maio. Contudo, o Índice de Preços ao Produtor ficou estável, abaixo das projeções. Já os dados de atividade surpreenderam positivamente, com avanço de 0,3% na produção industrial e alta de 0,6% nas vendas do varejo. Esse cenário reforça a resiliência da economia americana e pode levar o Federal Reserve a manter os juros elevados por mais tempo.
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Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (14/jul) cotado a R$6,4838. Na abertura desta sexta-feira (18/jul), a cotação foi de R$6,4474. Portanto, a moeda brasileira registrou valorização de 0,6% frente ao euro nesta semana.
Com relação ao dólar, a moeda europeia também perdeu força esta semana, mantendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1682 na segunda (14/jul) para US$1,1615 nesta sexta-feira (18/jul). Portanto, vimos uma desvalorização do euro de aproximadamente 0,6% (leia-se: é preciso menos dólares para comprar um euro).
Na zona do euro, a produção industrial avançou 1,7% em maio, após retração de 2,2% no mês anterior. Embora o resultado represente uma recuperação pontual, ele ainda não compensa a perda anterior, sugerindo que a indústria do bloco segue oscilando em meio à demanda fraca e à incerteza geopolítica.
Em termos de comércio exterior, os dados da balança mostraram melhora importante. O superávit comercial saltou para €16,2 bilhões em maio, frente a €12,7 bilhões no mesmo mês de 2024, impulsionado por um leve crescimento nas exportações (+0,9%) e queda nas importações (-0,6%).
Quanto à inflação, o índice de preços ao consumidor subiu 0,3% em junho, mantendo a taxa anual em 2%, exatamente no centro da meta do BCE.
Ainda assim, o crescimento estrutural da região segue limitando com uma demanda agregada relativamente fraca. Isso permite alguma margem de flexibilidade para o banco central europeu, que poderá calibrar sua política monetária com mais cautela nos próximos meses.
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Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (14/jul) cotada a R$7,5088, patamar mais alto que o registrado nesta sexta-feira (18/jul), R$7,4413. Trata-se de uma valorização de 0,9% do real frente à libra. Portanto, a semana foi marcada por uma valorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa perdeu força no decorrer da semana, mantendo a tendência de desvalorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (18/jul) cotada a US$1,3432 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3501, uma desvalorização de 0,5% da moeda britânica em relação ao dólar.
No Reino Unido, os dados de inflação voltaram a surpreender para cima. O IPC de junho avançou 0,3% no mês, levando a taxa anual a 3,6%. O núcleo (IPCH) ficou em 4,1%, mantendo-se acima do patamar considerado confortável pelo Banco da Inglaterra.
No mercado de trabalho, os sinais são mistos. A taxa de desemprego subiu para 4,7% em maio, enquanto o número de desempregados cresceu em 25,9 mil pessoas. Ao mesmo tempo, os salários, incluindo bônus, cresceram 5% na comparação anual.
Em relação à política monetária, o presidente do BoE, Andrew Bailey, reforçou a abordagem cautelosa da instituição. Em entrevista ao The Times, Bailey afirmou que a “folga” econômica está começando a surgir, especialmente em resposta ao aumento das contribuições previdenciárias dos empregadores. Para Bailey, “a trajetória é descendente”, com cortes de juros ocorrendo de forma “gradual e cautelosa”.
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Perspectivas
A vitória do Executivo na questão do IOF tende a fortalecer a arrecadação e contribuir para a credibilidade fiscal, o que favorece o câmbio brasileiro no médio prazo. No entanto, o foco dos mercados segue direcionado ao cenário internacional, em especial às tensões comerciais com os EUA.
Essa política agressiva de Trump deve continuar penalizando os ativos brasileiros, com possíveis reflexos também para o euro e a libra, na medida em que amplia a incerteza global. A valorização recente do dólar reflete não apenas os bons dados americanos, mas também a busca por segurança em meio à turbulência gerada por Trump na economia global.
Seguimos de olho.