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Na semana que passou, o câmbio brasileiro navegou em meio a sinais mistos, tanto no front doméstico quanto internacional. Enquanto os dados de inflação no Brasil vieram um pouco acima do esperado, nos Estados Unidos a atividade econômica mostrou desaceleração e os acordos comerciais com Japão e União Europeia reduziram parte da incerteza global.
Na Europa, o Banco Central Europeu manteve sua política estável, adotando um tom cauteloso sobre os próximos passos, e no Reino Unido, o Banco da Inglaterra enfrentou pressões políticas, mas manteve sua firmeza regulatória. A combinação entre ruídos fiscais, inflação persistente e cenário externo instável manteve o real em compasso de espera.
Leia e entenda melhor este cenário.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,5795 na segunda-feira (21/jul), um nível 0,4% superior à abertura da semana anterior (21/jun). A cotação da moeda estrangeira registrou desvalorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (25/jul) cotado a R$5,5215, patamar 0,5% inferior ao da abertura da sexta-feira anterior (18/jul). Entre as aberturas desta sexta-feira (25/jul) e da segunda-feira da semana anterior (14/jun), vimos uma desvalorização de 0,7% do real em relação ao dólar.
No Brasil, o IPCA-15 de julho avançou 0,33%, superando a leitura de junho (0,26%) e acumulando alta de 3,40% no ano e 5,30% em 12 meses. Embora a inflação mostre certa resistência, os principais focos de pressão vieram de Habitação (+0,98%) e Transportes (+0,67%), enquanto grupos como Alimentação e Vestuário registraram queda.
Paralelamente, o déficit em transações correntes cresceu para US$5,1 bilhões em junho, refletindo maior fragilidade nas contas externas. O IDP também decepcionou, com entrada líquida de apenas US$2,8 bilhões, bem abaixo do registrado um ano antes. Apesar disso, as reservas internacionais subiram US$3 bilhões, totalizando US$344,4 bilhões.
Nos Estados Unidos, os dados de atividade reforçaram um cenário de moderação. O índice de indicadores antecedentes recuou 0,3% em junho, e as vendas de casas usadas caíram 2,7%, revelando menor tração da economia. Por outro lado, os pedidos semanais de seguro-desemprego caíram para 217 mil, abaixo do esperado.
Outro ponto para alívio das tensões no mercado foi o anúncio de tarifa de 15% sobre produtos japoneses, bem abaixo dos 50% inicialmente ameaçados, e a promessa de investimentos bilionários de Tóquio nos EUA também contribuíram para um ajuste no humor dos mercados.
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Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (21/jul) cotado a R$6,4885. Na abertura desta sexta-feira (25/jul), a cotação foi de R$6,4893. Portanto, a moeda brasileira ficou relativamente estável frente ao euro nesta semana.
Com relação ao dólar, a moeda europeia ganhou força esta semana, rompendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1627 na segunda (21/jul) para US$1,1755 nesta sexta-feira (25/jul). Portanto, vimos uma valorização do euro de aproximadamente 1,1% (leia-se: é preciso mais dólares para comprar um euro).
Na zona do euro, os holofotes se voltaram para a reunião do Banco Central Europeu. Como esperado, o BCE manteve a taxa básica de juros em 2%, optando por uma postura de cautela.
Segundo a presidente Christine Lagarde, a decisão foi unânime, refletindo uma avaliação conjunta de que ainda não há clareza suficiente para sinalizar novos cortes. Lagarde destacou que qualquer passo futuro dependerá da evolução dos dados, evitando compromissos prematuros: “Não vou excluir nenhuma opção. O futuro ditará a necessidade de medidas diferentes”.
Enquanto isso, o acordo comercial entre EUA e União Europeia trouxe algum alívio ao cenário global. A tarifa acordada também ficou em 15%, afastando o temor de medidas mais agressivas.
Esse movimento favoreceu o euro frente ao dólar, mas em relação ao real, o efeito foi relativamente neutro
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Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (21/jul) cotada a R$7,4801, patamar mais alto que o registrado nesta sexta-feira (25/jul), R$7,4583. Trata-se de uma desvalorização de 0,3% do real frente à libra. Portanto, a semana foi marcada por uma desvalorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa ganhou força no decorrer da semana, rompendo a tendência de desvalorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (25/jul) cotada a US$1,3508 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3404, uma valorização de 0,8% da moeda britânica em relação ao dólar.
No Reino Unido, o debate entre governo e autoridade monetária veio à tona. Em audiência no parlamento britânico, o presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, se posicionou contra a retórica do governo que acusa as regras regulatórias de sufocarem o sistema financeiro. Segundo ele, “não podemos abrir mão da estabilidade financeira básica”.
Bailey também apontou que a recente inclinação da curva dos juros dos Gilts está em linha com outros mercados, sendo reflexo das incertezas comerciais e fiscais no globo.
A turbulência recente nos juros longos britânicos, que chegou a escalar com rumores sobre a permanência da ministra das Finanças, foi parcialmente revertida após o primeiro-ministro Keir Starmer reafirmar a confiança na ministra Rachel Reeves. Mesmo assim, as taxas de juros seguem elevadas para os títulos públicos.
Por fim, as vendas no varejo britânico mostraram alta de 0,9% em junho, abaixo do consenso de mercado que previa 1,2%. Além disso, o PMI Composto referente a julho teve foi para 51 pontos, queda de 1 ponto frente ao mês anterior, reforçando a leitura de desaceleração da atividade econômica.
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Perspectivas
O real segue pressionado. Domesticamente a inflação ainda resistente, combinada ao déficit incômodo em transações correntes, limita o apetite por ativos brasileiros. Em relação ao cenário externo, o real frente ao dólar deve continuar oscilando ao sabor das expectativas sobre juros nos EUA e da tensão comercial com o Brasil, ainda em aberto. Em relação à libra e ao euro, as posturas cautelosas das autoridades monetárias têm dificultado um processo de valorização mais expressivo do real, e mantido as cotações relativamente estáveis.
Seguimos de olho.