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Ao longo da semana, o real manteve estabilidade frente ao dólar, ao euro e à libra, refletindo um cenário de equilíbrio entre fatores domésticos e externos. No caso do dólar, a leve surpresa positiva do PIB brasileiro e o superávit comercial compensaram sinais de desaceleração da atividade, enquanto, nos Estados Unidos, indicadores de menor fôlego reduziram pressões sobre moedas emergentes. Em relação ao euro, a expectativa de pausa nos cortes de juros pelo BCE, aliada a sinais de recuperação na Europa e na China, limitou as oscilações. Já frente à libra, a divulgação de dados mais fortes de atividade no Reino Unido reforçou a percepção de que o BoE manterá cautela no afrouxamento monetário, mas o real sustentou estabilidade graças ao suporte da conjuntura doméstica.
Leia e entenda melhor este cenário.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,4237 na segunda-feira (01/set), um nível 0,02% superior à abertura da semana anterior (25/ago). A cotação da moeda estrangeira registrou desvalorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (05/set) cotado a R$5,4452, patamar 0,5% superior ao da abertura da sexta-feira anterior (29/ago). Entre as aberturas desta sexta-feira (05/set) e da segunda-feira da semana anterior (25/ago), vimos uma desvalorização de 0,4% do real em relação ao dólar.
O real manteve estabilidade frente ao dólar nesta semana, reflexo de fatores domésticos e externos que se equilibraram. No Brasil, o PIB do segundo trimestre surpreendeu levemente para cima (+0,4%), sustentado por indústria e serviços.
Apesar disso, os sinais de curto prazo apontam moderação da atividade. A produção industrial caiu 0,2% em julho e o PMI industrial recuou pelo sexto mês seguido, sugerindo perda de fôlego. O IPC-S registrou deflação de 0,44%, reforçando a percepção de demanda mais fraca e de inflação sob controle.
A balança comercial trouxe suporte relevante, com superávit de US$6,1 bilhões em agosto. O avanço das exportações à China, de quase 30%, compensou a queda das vendas aos EUA e reforçou o fluxo cambial positivo, que contribui para conter pressões de depreciação.
Nos EUA, os dados mostraram desaquecimento do mercado de trabalho e piora do déficit comercial. Esses sinais reduzem expectativas de postura mais agressiva do Fed, diminuindo a pressão compradora sobre o dólar frente a moedas emergentes.
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Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (01/set) cotado a R$6,3422. Na abertura desta sexta-feira (05/set), a cotação foi de R$6,3429. Portanto, a moeda brasileira teve desvalorização de 0,01% frente ao euro nesta semana.
Com relação ao dólar, a moeda europeia perdeu força esta semana, mantendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1693 na segunda (01/set) para US$1,1649 nesta sexta-feira (05/set). Portanto, vimos uma desvalorização do euro de aproximadamente 0,4% (leia-se: é preciso menos dólares para comprar um euro).
O real manteve estabilidade frente ao euro nesta semana, refletindo expectativas de que o BCE deve interromper o ciclo de cortes de juros. O movimento foi reforçado por sinais de recuperação moderada tanto na Europa quanto na China.
Na Zona do Euro, o PMI industrial subiu para 50,7 pontos, o maior nível em 38 meses, sugerindo uma melhora gradual. Além disso, a inflação voltou a acelerar levemente, com núcleo em 2,3% em 12 meses, o que reforça a cautela do BCE em manter juros estáveis.
Na China, o PMI industrial alcançou 50,5 pontos, sinalizando retomada do setor manufatureiro e sustentando a demanda por commodities brasileiras. Esse fator contribui para fluxos comerciais favoráveis ao Brasil, limitando pressões de alta do euro frente ao real.
Assim, entre a pausa esperada na política monetária europeia e a recuperação gradual da economia chinesa, o câmbio real-euro encontrou espaço para estabilidade ao longo da semana.
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Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (01/set) cotada a R$7,3244, patamar mais alto que o registrado nesta sexta-feira (05/set), R$7,3148. Trata-se de uma valorização de 0,1% do real frente à libra. Portanto, a semana foi marcada por uma valorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa perdeu força no decorrer da semana, mantendo a tendência de desvalorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (05/set) cotada a US$1,3433 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3504, uma desvalorização de 0,5% da moeda britânica em relação ao dólar.
O real manteve estabilidade frente à libra nesta semana, apesar de dados britânicos mais fortes que o esperado. O destaque foi o PMI de serviços, que avançou para 54,2 pontos em agosto, e o PMI composto, que chegou a 53,5, ambos acima das projeções, indicando resiliência da economia do Reino Unido.
As vendas no varejo também superaram expectativas, com alta anual de 1,1% e mensal de 0,6%, enquanto o índice Halifax mostrou avanço de 2,2% nos preços dos imóveis. Esses números reduzem a chance de cortes rápidos de juros pelo Bank of England, o que tende a sustentar a libra.
Mesmo assim, o real conseguiu manter-se estável, apoiado por fundamentos domésticos, como o saldo robusto da balança comercial, equilibrando as forças no câmbio real-libra.
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Perspectivas
Para os próximos dias, projetamos estabilidade do real frente ao euro e à libra, refletindo a expectativa de um ciclo de cortes de juros mais conservador na Zona do Euro e no Reino Unido. Já em relação ao dólar, o real pode conquistar novos ganhos, sustentado pela Selic ainda elevada e pela redução dos riscos inflacionários no Brasil. No entanto, o cenário segue permeado por incertezas, sobretudo pela imprevisibilidade do presidente Donald Trump e seus potenciais impactos sobre os mercados globais.
Seguimos de olho.