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O real se fortaleceu nesta semana diante de diferentes moedas, sustentado por fatores internos e externos. No Brasil, a deflação de 0,11% no IPCA de agosto reduziu a percepção de risco inflacionário, embora núcleos e difusão ainda limitem cortes de juros antes de dezembro. Na Europa, o BCE manteve os juros inalterados em 2%, adotando postura mais cautelosa em meio à inflação ligeiramente acima da meta. Já no Reino Unido, as vendas no varejo subiram 2,9% em agosto, acima do esperado, reforçando a visão de que o BoE seguirá vigilante. Mesmo diante da cautela das autoridades monetárias europeias, a semana foi marcada por ganhos do real frente às demais divisas.
Leia e entenda melhor este cenário.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,4237 na segunda-feira (08/set), um nível 0,02% superior à abertura da semana anterior (01/set). A cotação da moeda estrangeira registrou desvalorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (12/set) cotado a R$5,4452, patamar 0,5% superior ao da abertura da sexta-feira anterior (05/set). Entre as aberturas desta sexta-feira (12/set) e da segunda-feira da semana anterior (01/set), vimos uma desvalorização de 0,4% do real em relação ao dólar.
O dólar apresentou queda frente ao real nesta semana influenciado por fatores domésticos e externos. No Brasil, o IPCA de agosto mostrou deflação de 0,11%, resultado mais brando do que o esperado. Apesar disso, núcleos e difusão vieram pressionados, sinalizando que o alívio pode ser temporário.
Outros indicadores locais reforçaram esse movimento. O IGP-DI subiu apenas 0,20%, bem abaixo da projeção, enquanto o varejo registrou queda pelo quarto mês seguido. Essa desaceleração da atividade reduz pressões de preços e ajudou a fortalecer a percepção de menor risco inflacionário.
Nos Estados Unidos, os sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho pesaram sobre o dólar. Os pedidos de seguro-desemprego atingiram o maior nível em dois anos, enquanto o índice de preços ao produtor caiu 0,1% em agosto, indicando alívio inflacionário.
Embora o CPI tenha acelerado para 0,4% no mês, a leitura geral foi de inflação controlada combinada com perda de fôlego na atividade. Esse quadro reduziu os rendimentos dos Treasuries e favoreceu moedas emergentes, com destaque para o real, que se valorizou ao longo da semana.
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Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (08/set) cotado a R$6,3422. Na abertura desta sexta-feira (12/set), a cotação foi de R$6,3429. Portanto, a moeda brasileira teve desvalorização de 0,01% frente ao euro nesta semana.
Com relação ao dólar, a moeda europeia perdeu força esta semana, mantendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1693 na segunda (08/set) para US$1,1649 nesta sexta-feira (12/set). Portanto, vimos uma desvalorização do euro de aproximadamente 0,4% (leia-se: é preciso menos dólares para comprar um euro).
O real também se valorizou em relação ao euro nesta semana, apoiado pelo contraste entre os cenários doméstico e europeu. O Banco Central Europeu decidiu, sem surpresa, manter a taxa básica em 2% ao ano, reforçando a leitura de que a autoridade monetária europeia deve agir com maior cautela diante da inflação ainda ligeiramente acima da meta.
No Brasil, o IPCA de agosto mostrou deflação de 0,11%, menos intensa do que o projetado, mas suficiente para reforçar a percepção de menor risco inflacionário no curto prazo. Ainda assim, núcleos e difusão continuam pressionados, o que limita espaço para cortes de juros antes de dezembro.
Apesar de os dados mostrarem sinais de desaceleração da economia brasileira e de arrefecimento da inflação, os números ainda mostram alguma persistência no aumento de preços, sobretudo dos núcleos e difusão dos indicadores. Esse quadro sustenta a expectativa de manutenção da Selic em níveis elevados. A taxa segue excessivamente restritiva, servindo como fator de suporte para o real frente ao euro.
Mesmo com o BCE adotando uma postura mais cautelosa, a redução dos riscos inflacionários no Brasil, mesmo que de forma incipiente, aumenta o diferencial de juros entre a Zona do Euro e o Brasil. Esse ambiente favoreceu a moeda brasileira em relação ao euro ao longo desta semana.
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Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (08/set) cotada a R$7,3244, patamar mais alto que o registrado nesta sexta-feira (12/set), R$7,3148. Trata-se de uma valorização de 0,1% do real frente à libra. Portanto, a semana foi marcada por uma valorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa perdeu força no decorrer da semana, mantendo a tendência de desvalorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (12/set) cotada a US$1,3433 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3504, uma desvalorização de 0,5% da moeda britânica em relação ao dólar.
As vendas no varejo do Reino Unido surpreenderam em agosto, com alta anual de 2,9%, acima da projeção de 2,0% e do resultado anterior de 1,8%. O dado reforça a resiliência do consumo britânico mesmo em meio a um ambiente de juros elevados.
Esse desempenho fortalece a leitura de que o Bank of England deve manter uma postura cautelosa na condução da política monetária. A inflação acima da meta, somada à força do consumo, reduz espaço para cortes no curto prazo.
Com isso, o mercado interpreta que os juros no Reino Unido devem permanecer altos por mais tempo, preservando a atratividade da libra frente a outras moedas, assim como tem acontecido ao longo das últimas semanas.
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Perspectivas
A manutenção da Selic em 15% ao ano, em contraste com a sinalização do Federal Reserve de iniciar o ciclo de cortes, amplia o diferencial de juros Brasil–EUA e sustenta a atratividade do real frente ao dólar, sobretudo em um ambiente de riscos inflacionários mais contidos. Esse movimento pode favorecer ganhos adicionais da moeda brasileira no curto prazo, ainda que a imprevisibilidade da política norte-americana represente um risco relevante, capaz de limitar ou reverter parte da valorização. No cenário europeu, a postura mais cautelosa do Bank of England e do Banco Central Europeu deve conter, em alguma medida, a apreciação do real frente à libra e ao euro.
Seguimos de olho.