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A continuidade do shutdown nos Estados Unidos continua adicionando um componente de incerteza no mercado internacional, o que tem feito os agentes reposicionarem seus portfólios em busca de maior segurança. No Brasil, dados mais benignos de inflação surpreenderam, mas a derrubada da MP 1303 traz à cena novamente o risco fiscal.

Leia e entenda melhor este cenário. 

Real x dólar

Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,3374 na segunda-feira (06/out), um nível 0,1% inferior à abertura da semana anterior (29/set). A cotação da moeda estrangeira registrou elevação ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (10/out) cotado a R$5,3685, patamar 0,5% superior ao da abertura da sexta-feira anterior (03/out). Entre as aberturas desta sexta-feira (10/out) e da segunda-feira da semana anterior (29/set), vimos uma desvalorização de 0,4% do real em relação ao dólar.

A semana foi marcada pela divulgação de dados de inflação (IGP-DI e IPCA) no Brasil e pela continuidade do shutdown nos Estados Unidos. Internamente ainda, a caducidade da MP 1303 pode intensificar a incerteza fiscal no horizonte econômico do país.

No front da inflação, o IGP-DI acelerou-se na margem, mas ficou bem abaixo do observado no mesmo mês de 2024, já o IPCA apresentou aceleração na comparação com agosto, mas veio abaixo do esperado pelo mercado. Os dois indicadores podem estar sinalizando uma convergência da inflação para níveis mais baixos.

Ainda no Brasil, a Câmara dos Deputados retirou da pauta a votação da MP 1303 que previa aumento de impostos sobre Bets e Fintechs. Por um lado, o mercado reagiu positivamente a essa derrubada, por outro, o governo precisará encontrar outras fontes de arrecadação para compensar essa derrota. Enquanto isso, a incerteza fiscal pode aumentar.

Por fim, o shutdown continua nos Estados Unidos, sem previsão de que os partidos entre em acordo para a aprovação do orçamento para 2026. A persistência da paralisação de alguns serviços públicos aumenta as incertezas sobre a economia do país, o que pode pressionar ainda mais o dólar.

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Real x euro

O euro abriu o pregão de segunda-feira (06/out) cotado a R$6,2674. Na abertura desta sexta-feira (10/out), a cotação foi de R$6,2288 Portanto, a moeda brasileira teve valorização de 0,6% frente ao euro nesta semana. 

Com relação ao dólar, a moeda europeia perdeu força esta semana. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1743 na segunda (06/out) para US$1,1566 nesta sexta-feira (10/out). Portanto, vimos uma desvalorização do euro de aproximadamente 1,5% (leia-se: é preciso menos dólares para comprar um euro).

A semana na Zona do Euro foi marcada pela divulgação de dados de varejo do bloco e por alguns dados econômicos da Alemanha, maior economia da região. A sinalização é de que a atividade econômica no todo encontra-se desacelerando e na Alemanha esse indício é ainda maior. O cenário indica que o Banco Central Europeu pode retomar o ciclo de cortes de juros.

Os dados do varejo mostram relativa estabilidade na passagem de julho para agosto (+0,1%) e crescimento de 1,0% na comparação anual. O resultado mostra uma desaceleração do ritmo da atividade econômica abrindo possibilidades de uma política monetária mais frouxa (corte de juros) no curto prazo.

Já a maior economia do bloco, tem apresentado dados mais contundentes de desaceleração. Os dados da indústria do país foram decepcionantes com as encomendas à indústria sofrendo queda de 0,8% (era esperada alta de 1,2%) e a produção industrial caiu 4,3% ante previsão de queda de 1,0%.

Por fim, as exportações da Alemanha, um dos motores da sua economia, caiu 0,5% (era esperada alta de 0,3%) enquanto as importações caíram acima da expectativa (-1,3% ante -0,5%). Os resultados de comércio externo corroboram com a sinalização de desaceleração na economia do país.

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Real x libra esterlina

A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (06/out) cotada a R$7,1945, patamar mais alto que o registrado nesta sexta-feira (10/out), R$7,1406. Trata-se de uma valorização de 0,7% do real frente à libra. Portanto, a semana foi marcada por uma valorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.

Em relação ao dólar, a moeda inglesa perdeu força no decorrer da semana, revertendo a tendência de valorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (10/out) cotada a US$1,3306 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3432, uma desvalorização de 0,9% da moeda britânica em relação ao dólar.

A semana foi pouco movimentada na Inglaterra com relação a dados econômicos, sem a divulgação de nenhum indicador importante e que possa influenciar a cotação da sua moeda. As preocupações, no entanto, continuam sobre a inflação (persistentemente elevada) e o enfraquecimento do mercado de trabalho.

A atividade econômica do país tem sido impulsionada, principalmente pelo setor de serviços e a construção civil, por outro lado, a fragilidade da indústria britânica, as pressões de alta nos custos e a contínua deterioração no mercado de trabalho, indicam uma incipiente desaceleração da economia.

A persistência da inflação em patamares elevados (próxima a 4,0%) deve ser a principal razão para o Banco da Inglaterra (BoE) manter a taxa de juros no atual patamar mesmo com a atividade econômica emitindo sinais de desaceleração contínua.

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Perspectivas

A possível persistência do shutdown nos Estados Unidos no curto prazo deve continuar impondo cautela ao mercado, que deve continuar fazendo seus ajustes de portfólio substituindo ativos em dólares e recorrendo a ativos de segurança como o ouro e até mesmo a prata.

Com relação ao real especificamente, o cenário mais benigno da inflação levanta uma possibilidade remota do Banco Central cortar juros ainda em 2025, no entanto, a não aprovação da MP 1303 traz o risco fiscal novamente para a pauta, o que pode pressionar para cima a moeda brasileira.

Seguimos de olho.