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O real apresentou uma semana de valorização ampla frente às principais moedas, com destaque para a queda de 1,4% do dólar na última quinzena, movimento favorecido pelo menor risco global após o fim do shutdown nos EUA, pela ausência de sinais de corte da Selic e pela surpresa baixista do IPCA. Frente ao euro, a valorização do real refletiu a assimetria entre a resiliência da economia brasileira, puxada pelos serviços, e a estagnação europeia, mesmo com a moeda comum ganhando força frente ao dólar. Já em relação à libra, o real avançou 0,7% em uma semana marcada pelo enfraquecimento dos indicadores britânicos, incluindo piora no mercado de trabalho, queda da produção industrial e déficit comercial mais profundo.
Quer saber mais sobre Brasil, EUA, Zona do Euro e Reino Unido? Acompanhe a seguir os desdobramentos destes e outros acontecimentos.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,3331 na segunda-feira (10/nov), um nível 0,8% inferior à abertura da semana anterior (03/nov). A cotação da moeda estrangeira registrou desvalorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (14/out) cotado a R$5,2986, patamar 1,0% inferior à abertura da sexta-feira anterior (07/nov). Entre as aberturas desta sexta (14/nov) e da segunda-feira da semana anterior (03/nov), vimos uma valorização do real em relação ao dólar de 1,4%.
O real se valorizou frente ao dólar ao longo da semana, impulsionado pela redução do risco global após o fim do maior shutdown da história dos EUA. A normalização institucional diminuiu a demanda defensiva por dólar e favoreceu moedas emergentes. A ausência de sinais de corte da Selic pelo Copom reforçou a atratividade relativa do real.
No campo doméstico, a Ata do Copom manteve o viés conservador e não ofereceu qualquer pista sobre flexibilização monetária. O comitê reiterou disposição para subir juros se necessário, sustentando o diferencial de juros real. Com o IPCA de outubro surpreendendo para baixo, o câmbio encontrou suporte adicional.
A inflação de 0,09% no mês foi a menor para outubro desde 1998 e levou a taxa anual para 4,68%, abrindo espaço para cumprimento da meta. Na atividade, serviços avançaram 0,6% e renovaram máxima histórica, reforçando resiliência. Apesar da queda de 0,3% no varejo.
No exterior, os dados vieram mistos, mas insuficientes para devolver fôlego ao dólar. A China apresentou inflação ligeiramente melhor, porém crédito mais fraco, enquanto a Europa segue em estagnação industrial. Com inflação ainda pressionada em alguns países.
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Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (10/nov) cotado a R$6,1738. Na abertura desta sexta-feira (14/nov), a cotação foi de R$6,1664. Portanto, houve uma valorização de 0,1% do real frente à moeda europeia, mantendo a apreciação observada na semana anterior.
Com relação ao dólar, a moeda europeia ganhou força esta semana, mantendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1566 na segunda (10/nov) para US$1,1636, nesta sexta (14/nov). Portanto, vimos uma valorização do euro de aproximadamente 0,6% (leia-se: é preciso mais dólares para comprar um euro).
O movimento do real frente ao euro nesta semana refletiu sobretudo a assimetria entre os ciclos econômicos do Brasil e da Zona do Euro. Enquanto a economia brasileira mostrou sinais pontuais de tração, especialmente no setor de serviços, a atividade europeia permaneceu presa a um ambiente de baixa expansão. Essa divergência estrutural reduziu o ímpeto comprador pela moeda europeia.
A desaceleração da inflação no Brasil, com o IPCA surpreendendo positivamente, contribuiu para reforçar a percepção de descompressão dos preços sem perda imediata de atividade. Esse comportamento fortalece o real, pois reduz riscos macro e mantém o diferencial de juros em território amplamente favorável. Ao mesmo tempo, o varejo mais fraco não foi suficiente para reverter a leitura geral de solidez.
Na Europa, a combinação de estagnação industrial e enfraquecimento da demanda interna limita qualquer apreciação mais consistente do euro. A alta modesta da produção industrial e a melhora tênue nos indicadores de percepção econômica não alteram o quadro de fundo. A persistência de inflação estruturalmente mais elevada na Alemanha apenas reforça a dificuldade de reação do bloco.
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Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (10/nov) cotada a R$7,0251, patamar mais alto que o registrado nesta sexta-feira (14/nov), R$6,9791. Trata-se de uma valorização de 0,7% do real em relação à moeda britânica. Portanto, a semana foi marcada por um movimento de valorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa ganhou força no decorrer da semana, revertendo a tendência de desvalorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (14/nov) cotada a US$1,3171 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3161, uma valorização de 0,1% da moeda britânica em relação ao dólar.
A libra encontrou um cenário doméstico desfavorável nesta semana, marcado por sinais claros de enfraquecimento da atividade britânica. As vendas no varejo avançaram apenas 1,5%, abaixo da projeção (2,4%), e o mercado de trabalho exibiu deterioração, com aumento de 29 mil desempregados.
Os dados de crescimento reforçaram a perda de tração da economia do Reino Unido, com o PIB mensal recuando 0,1% e a produção industrial despencando 2,0% em setembro depois de ter crescido apenas marginalmente em agosto (+0,3%). A queda do investimento empresarial (-0,3%) adicionou preocupação sobre a capacidade de reação da economia no curto prazo. Mesmo com o PIB trimestral levemente positivo – mas revisado para baixo, de 0,2% para 0,1% -, o quadro geral permaneceu fraco e negativo para a libra.
No setor externo, o déficit comercial profundo (£18,88 bilhões), evidenciou fragilidades adicionais do balanço britânico. A piora simultânea da produtividade e o tom mais cauteloso do Banco da Inglaterra reforçaram a leitura de desaceleração econômica. Nesse ambiente, o real manteve desempenho superior, consolidando nova valorização frente à libra ao longo da semana.
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Perspectivas
Os próximos dias podem trazer um abrandamento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos após a reunião entre Mauro Vieira e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. A Selic elevada, combinada à melhora do diálogo diplomático, cria um ambiente mais favorável para uma nova rodada de apreciação do real. Nesse contexto de menor atrito entre as duas maiores economias das Américas, a moeda brasileira tende a ganhar terreno frente às divisas europeias, especialmente se indicadores domésticos mais robustos reforçarem a expectativa de manutenção dos juros em nível elevado por um período ainda mais prolongado.
Seguimos de olho.