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Ao longo da semana, o câmbio brasileiro foi marcado por desvalorização do real, mesmo em um ambiente doméstico de juros elevados e discurso ainda firme do Copom. A perda de ritmo da atividade econômica e a desaceleração dos índices de preços reduziram o suporte tradicional vindo do diferencial de juros. No cenário internacional, o fortalecimento de moedas de economias avançadas, em meio a sinais mistos de crescimento e ajustes de política monetária, pressionou as divisas emergentes. Dólar, euro e libra encontraram sustentação em seus respectivos contextos regionais, enquanto fatores políticos internos ampliaram a percepção de risco no Brasil. Esse conjunto de elementos resultou em um movimento de enfraquecimento do real frente às principais moedas ao longo do período.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,4187 na segunda-feira (15/dez), um nível 0,4% inferior à abertura da semana anterior (08/dez). A cotação da moeda estrangeira registrou valorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (19/dez) cotado a R$5,5220, patamar 2,2% superior à abertura da sexta-feira anterior (12/dez). Entre as aberturas desta sexta (19/dez) e da segunda-feira da semana anterior (08/dez), vimos uma desvalorização do real em relação ao dólar de 1,5%.
O câmbio brasileiro apresentou desvalorização ao longo da semana, apesar do tom firme da ata do Copom ao reiterar a manutenção da Selic em patamar elevado por período prolongado. Em tese, esse diferencial de juros seguiria favorecendo o real. Contudo, o enfraquecimento de indicadores de atividade e inflação domésticos reduziu parte desse suporte.
No cenário interno, a queda do IBC-Br em outubro reforçou a percepção de desaceleração da economia no curto prazo. Ao mesmo tempo, os índices de preços da FGV mostraram inflação mais comportada, com IGPs e IPC em desaceleração. Esse conjunto de dados, teoricamente, abriria caminho para que o Copom procedesse com o primeiro corte de juros em janeiro, na primeira reunião do ano.
No ambiente externo, o dólar ganhou força diante de sinais mistos da economia norte-americana. A criação de empregos acima do esperado reacendeu o debate sobre a persistência de juros elevados nos EUA, mesmo com alta da taxa de desemprego, de 4,4% para 4,6%. Esse movimento contribuiu para a apreciação global da moeda americana.
Além disso, fatores políticos passaram a pesar mais sobre o câmbio doméstico. Os desdobramentos iniciais da corrida eleitoral de 2026 elevaram a percepção de risco e a volatilidade dos ativos brasileiros. Assim, mesmo com juros elevados no Brasil, a combinação de dólar forte no exterior e incerteza política interna levou à desvalorização do real na semana.
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Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (15/dez) cotado a R$6,3619. Na abertura desta sexta-feira (19/dez), a cotação foi de R$6,4725. Portanto, houve uma desvalorização de 1,7% do real frente à moeda europeia, revertendo a apreciação observada na semana anterior.
Com relação ao dólar, a moeda europeia perdeu força esta semana, revertendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1739 na segunda (15/dez) para US$1,1725, nesta sexta (19/dez). Portanto, vimos uma desvalorização do euro de aproximadamente 0,1% (leia-se: é preciso menos dólares para comprar um euro).
Na comparação com o euro, o real perdeu valor em um movimento mais associado à dinâmica europeia. A manutenção dos juros pelo Banco Central Europeu, mesmo diante de sinais claros de fraqueza da atividade, reforçou a percepção de que a autoridade monetária seguirá cautelosa antes de reiniciar um ciclo de flexibilização monetária. Isso deu sustentação ao euro no curto prazo.
Os dados da Zona do Euro ajudaram a explicar esse comportamento. Apesar da contração do PMI industrial, os riscos inflacionários continuam no radar do BCE, limitando apostas em cortes de juros rápidos. Esse cenário manteve o euro atrativo frente a moedas de maior risco, especialmente em um ambiente global ainda marcado por ajustes monetários assimétricos.
Adicionalmente, a elevação dos juros pelo Bank of Japan pode contribuir para uma reorganização dos fluxos no mercado de câmbio internacional. O movimento pode reforçar a busca por moedas de economias avançadas, em detrimento das emergentes. Nesse contexto, o real acabou se enfraquecendo frente ao euro, mesmo sem mudanças relevantes nos fundamentos domésticos ao longo da semana.
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Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (15/dez) cotada a R$7,2518, patamar mais baixo que o registrado nesta sexta-feira (19/dez), R$7,3891. Trata-se de uma desvalorização de 1,9% do real em relação à moeda britânica. Portanto, a semana foi marcada por um movimento de desvalorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa ganhou força no decorrer da semana, mantendo a tendência de valorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (19/dez) cotada a US$1,3382 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3372, uma valorização de 0,1% da moeda britânica em relação ao dólar.
Na comparação com a libra esterlina, o real também apresentou desvalorização, refletindo um ajuste específico de dados vindos do Reino Unido. A melhora do PMI composto em dezembro sinalizou alguma resiliência da atividade, contribuindo para sustentar a moeda britânica no curto prazo. Esse dado ajudou a compensar parcialmente os sinais de fraqueza em outros segmentos da economia.
Por outro lado, o recuo das vendas no varejo pelo segundo mês consecutivo reforçou a leitura de desaceleração do consumo. A queda do IPC anual para 3,2%, abaixo das expectativas, abriu espaço para que o BoE desse início ao ciclo de cortes de juros. Esse movimento reduziu o prêmio de juros da libra, mas não foi suficiente para provocar uma depreciação da moeda em relação à divisa brasileira.
Nesse contexto, o Banco da Inglaterra iniciou o ciclo de cortes ao reduzir a taxa básica de 4,0% para 3,75%, em decisão bastante dividida. A votação apertada indicou que o processo de flexibilização deve ser gradual e dependente de dados. Essa combinação de ambiguidade nos indicadores de atividade, desinflação em curso e cautela monetária sustentou a libra, contribuindo para a desvalorização do real frente à moeda britânica.
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Perspectivas
Mesmo com a Selic no patamar nominal mais elevado em aproximadamente duas décadas e com o Brasil figurando entre as economias de maior juro real do mundo, não há garantias de uma valorização adicional do real.
O quadro de incerteza está fortemente associado ao ambiente doméstico. No cenário externo, dados recentes de inflação e mercado de trabalho nos Estados Unidos reforçaram a possibilidade de um novo corte de juros pelo Fed já na primeira reunião de 2026, em janeiro, enquanto o Banco Central Europeu e o Bank of England também dispõem de espaço moderado para promover ajustes adicionais em suas taxas.
Em tese, a atuação futura do Fed, do BoE e do BCE poderia favorecer um movimento de apreciação do real. Contudo, esse efeito permanece incerto. No plano interno, os desdobramentos políticos ligados às eleições do próximo ano tendem a seguir pressionando a moeda brasileira, ampliando o movimento de desvalorização observado nas últimas semanas.
Seguimos de olho.