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A semana foi marcada por fortalecimento consistente do real frente às principais moedas internacionais, com valorização diante do dólar, do euro e da libra. O movimento ocorreu mesmo em um ambiente de recuperação parcial da moeda norte-americana no exterior e de estabilidade relativa entre dólar e euro e entre libra e dólar. No plano doméstico, a combinação de desinflação em curso, diferencial de juros elevado e desempenho robusto da arrecadação sustentou o fluxo favorável ao Brasil. No cenário externo, dados moderados da Europa e a ausência de surpresas relevantes no Reino Unido limitaram a força das moedas europeias. O resultado foi a consolidação do real como destaque positivo no mercado cambial na semana.

Quer saber mais sobre Brasil, EUA, Zona do Euro e Reino Unido? Acompanhe a seguir os desdobramentos destes e outros acontecimentos na edição #370 do “De Olho no Câmbio”.

Real x dólar

Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,1768 na segunda-feira (23/fev), um nível 0,9% inferior à abertura da semana anterior (16/fev). Ao longo da semana, a moeda norte-americana perdeu força frente ao real, e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (27/fev) cotado a R$5,1400, patamar 1,4% inferior à abertura da sexta-feira anterior (20/fev). Entre as aberturas desta sexta (27/fev) e da segunda-feira da semana anterior (16/fev), vimos uma valorização do real em relação ao dólar de 1,6%.

A semana foi marcada por nova valorização do real, mesmo em um ambiente de recuperação do dólar no exterior. O movimento sugere fatores domésticos mais determinantes para o câmbio, com percepção de fundamentos relativamente sólidos no curto prazo.

No cenário interno, o recuo de 0,73% do IGP-M em fevereiro reforçou a leitura de descompressão inflacionária, enquanto a arrecadação recorde de janeiro sinalizou fôlego fiscal. Do lado da inflação, ou da deflação, a variação do IGP-M acumulada no primeiro bimestre é a segunda menor para o período desde quando o indicador passou a ser publicado, em 1989.

A melhora da confiança da indústria contrastou com a queda disseminada nos demais indicadores de confiança, indicando quadro econômico ainda heterogêneo. A expansão do crédito, combinada à inadimplência em nível elevado, impõe cautela, mas não foi suficiente para alterar a trajetória de apreciação da moeda na semana.

No ambiente internacional, mesmo com anúncios tarifários pelo governo dos EUA e dados mistos da economia americana, como queda nas encomendas industriais e alta na confiança do consumidor, o dólar ganhou algum suporte global.

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Real x euro

O euro abriu o pregão de segunda-feira (23/fev) cotado a R$6,0990. Na abertura desta sexta-feira (27/fev), a cotação foi de R$6,0680. Portanto, observou-se uma valorização do real frente ao euro de aproximadamente 0,5% no período, refletindo o enfraquecimento do euro no mercado doméstico.

Em relação ao dólar, a moeda europeia apresentou valorização nesta semana, revertendo a tendência de desvalorização observada na semana anterior. A cotação do euro em dólar passou de US$1,1781 na segunda-feira (23/fev) para US$1,1798 nesta sexta-feira (27/fev). Assim, observou-se uma valorização de 0,1% do euro, isto é, são necessários mais dólares para adquirir um euro.

A semana foi marcada por nova valorização do real frente ao euro, com a cotação da moeda europeia em reais atingindo o menor nível desde fevereiro do ano passado. O movimento ocorreu em meio à relativa estabilidade na paridade entre dólar e euro, após Christine Lagarde sinalizar que pretende cumprir integralmente seu mandato à frente do Banco Central Europeu, reduzindo ruídos políticos sobre a condução da política monetária.

No campo dos indicadores, a inflação ao consumidor na Zona do Euro recuou 0,6% em janeiro, ligeiramente abaixo das projeções. O dado reforçou a percepção de continuidade do processo de desinflação, alimentando expectativas de um ambiente monetário menos restritivo à frente e limitando o ímpeto de valorização do euro no curto prazo.

Além disso, o PIB da Alemanha avançou 0,3% no quarto trimestre, com crescimento anualizado de 0,4%, em linha com as estimativas. Apesar de relativamente modesto, trata-se de uma recuperação notável da maior economia da Europa, que enfrentou diversos problemas em seu parque fabril ao longo de 2025.

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Real x libra esterlina

A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (23/fev) cotada a R$6,9801, nível superior ao registrado na abertura desta sexta-feira (27/fev), cerca de R$6,9242. Portanto, houve valorização do real de aproximadamente 0,8% em relação à moeda britânica ao longo da semana.

Em relação ao dólar, a moeda inglesa perdeu força no decorrer da semana, mantendo a tendência de desvalorização observada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (27/fev) cotada a US$1,3481 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3483, uma desvalorização de 0,01% da moeda britânica em relação ao dólar.

A libra esterlina rompeu de forma mais consistente a linha psicológica dos R$7,00 ao longo da semana. Apesar de ter encerrado a semana anterior a R$6,9774, foi agora que o movimento ganhou tração, com a moeda sendo negociada a R$6,91 no intraday, o menor patamar desde junho de 2024.

A ausência de indicadores relevantes no Reino Unido reforça a leitura de que a apreciação do real teve origem predominantemente doméstica. O diferencial de juros ainda elevado e os sinais de continuidade do processo de desinflação no Brasil sustentaram o fluxo favorável à moeda brasileira.

A contenção da inflação na Europa continental sugere um cenário benigno também para os ingleses, cujo Banco Central poderá optar em breve pelo início do ciclo de cortes de juros. E, apesar da expectativa em torno da redução dos juros pelo Bank of England, a semana foi marcada por estabilidade na relação entre Libra e Dólar.

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Perspectivas

Na próxima semana, o câmbio deve permanecer em nível apreciado, ainda amparado pelo elevado diferencial de juros e pelos sinais recentes de arrefecimento inflacionário, refletidos na queda do IGP-M em fevereiro. A leitura de fundamentos domésticos mais consistentes, somada ao desempenho expressivo da arrecadação no início do ano, continua favorecendo a entrada de recursos e reduzindo pressões altistas sobre o dólar. Por outro lado, o IPCA-15 muito acima das projeções pode levantar dúvidas sobre o ritmo de corte de juros pelo Copom.Após a valorização acumulada nas últimas semanas, porém, o ritmo de apreciação tende a perder intensidade, com maior probabilidade de acomodação. No front externo, uma eventual retomada mais firme do dólar no mercado internacional ou a ampliação de incertezas relacionadas à política econômica dos Estados Unidos podem elevar a cautela dos investidores e gerar ajustes pontuais na taxa de câmbio.

Seguimos de olho.