|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
O mercado de câmbio ao longo da semana refletiu uma combinação de alívio pontual e incerteza persistente no cenário internacional. A dinâmica foi marcada pela desvalorização do dólar frente a diversas moedas, em meio à oscilação das tensões no Oriente Médio e seus impactos sobre os preços do petróleo.
Quer saber mais sobre Brasil, EUA, Zona do Euro e Reino Unido? Acompanhe a seguir os desdobramentos destes e outros acontecimentos na edição #376 do “De Olho no Câmbio”.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,1594 na segunda-feira (06/abr), um nível 1,4% inferior à abertura da semana anterior (30/mar). Ao longo da semana, a moeda norte-americana perdeu força frente ao real, e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (10/abr) cotado a R$5,0576, patamar 2,0% inferior à abertura da sexta-feira anterior (03/abr). Entre as aberturas desta sexta (10/abr) e da segunda-feira da semana anterior (30/mar), vimos uma valorização do real em relação ao dólar de 3,4%.
A semana foi marcada pela desvalorização do dólar não apenas frente ao real, mas também em relação a uma cesta de moedas. O índice DXY acumula queda de cerca de 1,2% no período, refletindo principalmente a reprecificação de riscos diante das tensões geopolíticas envolvendo o Oriente Médio e os Estados Unidos.
A perspectiva de um possível cessar-fogo, somada à reabertura temporária do Estreito de Ormuz, trouxe alívio momentâneo aos preços das commodities energéticas — hoje o principal foco de tensão global. Ainda assim, a trégua se mostrou frágil, com novos ataques registrados já nas primeiras 24 horas, mantendo o ambiente de incerteza elevado.
No cenário doméstico, o diferencial de juros segue favorecendo o real frente a outras moedas emergentes. Em um contexto de maior aversão ao risco global, investidores continuam buscando retornos mais elevados em economias com taxas mais altas, o que contribui para sustentar a moeda brasileira mesmo diante da volatilidade externa.
Aproveite e confira a cotação do dólar hoje e se inscreva em nosso sistema de alertas para ser notificado sobre variações importantes.
Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (06/abr) cotado a R$5,9421. Na abertura desta sexta-feira (10/abr), a cotação foi de R$5,9559. Portanto, observou-se uma desvalorização do real frente ao euro de aproximadamente 0,2% no período, refletindo o enriquecimento do euro no mercado doméstico.
Em relação ao dólar, a moeda europeia apresentou valorização nesta semana, revertendo a tendência de desvalorização observada na semana anterior. A cotação do euro em dólar passou de US$1,1518 na segunda-feira (06/abr) para US$1,1691 nesta sexta-feira (10/abr). Assim, observou-se uma valorização de 1,5% do euro, isto é, são necessários mais dólares para adquirir um euro.
O euro apresentou valorização ao longo da semana, impulsionado principalmente pelo alívio temporário nas tensões geopolíticas. O alívio nos preços do petróleo foi decisivo para a zona do euro, que é importadora líquida de energia. Esse movimento favoreceu a moeda europeia e contribuiu para o enfraquecimento do dólar.
Apesar disso, a sustentação do euro foi limitada pela rápida deterioração da trégua. A discordância sobre a inclusão do Líbano expôs a fragilidade do acordo. A situação no Estreito de Ormuz, com centenas de petroleiros aguardando liberação, reforçou o risco de disrupções no fluxo de petróleo e voltou a pressionar o ambiente global.
Os dados da zona do euro indicaram perda de dinamismo. Os preços ao produtor registraram queda anual de 3,0%, enquanto as vendas no varejo recuaram 0,2% em fevereiro. Esse conjunto de indicadores sinaliza uma atividade mais fraca, limitando ganhos adicionais do euro mesmo em um contexto de dólar mais pressionado.
Confira a cotação do euro hoje e se inscreva em nosso sistema de alertas para ser notificado sobre variações importantes.
Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (06/abr) cotada a R$6,8070, nível superior ao registrado na abertura desta sexta-feira (10/abr), cerca de R$6,7935. Portanto, houve valorização do real de aproximadamente 0,2% em relação à moeda britânica ao longo da semana.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa ganhou força no decorrer da semana, revertendo a tendência de desvalorização observada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (10/mar) cotada a US$1,3428 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3194, uma valorização de 1,7% da moeda britânica em relação ao dólar.
A libra esterlina também apresentou valorização ao longo da semana, acompanhando o movimento de enfraquecimento global do dólar. O alívio temporário nas tensões geopolíticas contribuiu para a queda dos preços do petróleo, o que melhora as perspectivas para economias importadoras de energia como o Reino Unido.
No entanto, assim como observado em outras moedas, o avanço da libra foi limitado pela instabilidade persistente no Oriente Médio. As tensões no Estreito de Ormuz e os riscos para o fluxo de petróleo voltaram a pressionar o sentimento dos mercados, reduzindo o ímpeto de valorização.
A libra encontra suporte relativo em um contexto de política monetária ainda restritiva e inflação resiliente no Reino Unido. Por outro lado, sinais mistos da atividade econômica e a desaceleração do consumo impõem cautela adicional. Esse equilíbrio entre juros elevados e crescimento mais fraco limita movimentos mais intensos da moeda.
Aproveite e confira a cotação da libra esterlina hoje e se inscreva em nosso sistema de alertas para ser notificado sobre variações importantes.
Perspectivas
A perspectiva do dólar segue condicionada, principalmente, à evolução do cenário geopolítico no Oriente Médio. Qualquer sinal de escalada do conflito tende a fortalecer a moeda americana, diante da busca global por ativos seguros. Por outro lado, avanços concretos em negociações ou novos períodos de trégua podem manter o dólar pressionado.
Além disso, o comportamento do dólar dependerá da leitura dos dados econômicos e das expectativas para a política monetária nos Estados Unidos. No Brasil, o diferencial de juros continua atuando como fator de suporte ao real, especialmente em um ambiente de maior aversão ao risco. Assim, a expectativa é de valorização do real.
Seguimos de olho.