De Olho no Câmbio #381: Dólar ganha força com aversão ao risco e cenário externo mais volátil
Acompanhe o impacto dos acontecimentos mais relevantes sobre o real versus dólar, euro e libra esterlina, no ‘De Olho no Câmbio’ de 11 a 15 de maio.
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No De Olho no Câmbio desta semana, destacamos a volta da pressão sobre o dólar diante da piora do cenário geopolítico internacional e do aumento da aversão ao risco nos mercados globais. A escalada das tensões no Oriente Médio e a alta do petróleo fortaleceram a moeda americana e elevaram a volatilidade cambial, enquanto euro e libra também ganharam suporte. No Brasil, apesar da pressão externa, o diferencial de juros ainda elevado e a percepção de menor espaço para cortes adicionais da Selic ajudaram a limitar movimentos mais intensos de desvalorização do real.
Quer saber mais sobre Brasil, EUA, Zona do Euro e Reino Unido? Acompanhe a seguir os desdobramentos destes e outros acontecimentos na edição #381 do “De Olho no Câmbio”.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$4,8957 na segunda-feira (11/mai), um nível 1,3% inferior à abertura da semana anterior (04/mai). Ao longo da semana, a moeda norte-americana ganhou força frente ao real, e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (15/mai) cotado a R$4,9808, patamar 1,1% superior à abertura da sexta-feira anterior (08/mai). Entre as aberturas desta sexta (15/mai) e da segunda-feira da semana anterior (04/mai), vimos uma desvalorização do real em relação ao dólar de 0,4%.
O dólar encerrou a semana pressionado diante do aumento da aversão. A valorização global da moeda americana e a alta dos rendimentos dos Treasuries refletiram a piora das tensões no Oriente Médio, com o petróleo Brent operando próximo de US$110. O movimento reduziu o apetite por ativos de risco, pressionando moedas emergentes.
A piora do ambiente externo foi intensificada pela falta de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã e pelas incertezas após a visita de Donald Trump à China. O baixo fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz aumentou os receios de interrupções na oferta global de energia, o que reforçou preocupações com inflação persistente e juros elevados.
No mercado doméstico, a percepção de menor espaço para cortes da Selic ajudou a amenizar parte da pressão sobre o real. Ao mesmo tempo, ruídos políticos envolvendo Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e o Banco Master, voltou a elevar a volatilidade nos ativos brasileiros e aumentou a percepção de risco institucional.
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Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (11/mai) cotado a R$5,7701. Na abertura desta sexta-feira (15/mai), a cotação foi de R$5,8343. Portanto, observou-se uma desvalorização do real frente ao euro de aproximadamente 1,1% no período, revertendo o movimento de valorização registrado na semana anterior.
Em relação ao dólar, a moeda europeia apresentou desvalorização nesta semana, mantendo a tendência de desvalorização observada na semana anterior. A cotação do euro em dólar passou de US$1,1781 na segunda-feira (11/mai) para US$1,1662 nesta sexta-feira (15/mai). Assim, observou-se uma desvalorização de 1,0% do euro, isto é, são necessários menos dólares para adquirir um euro.
O euro encerrou a semana em alta frente ao real, refletindo o aumento da aversão ao risco no cenário internacional e a busca dos investidores por moedas consideradas mais defensivas. A escalada das tensões no Oriente Médio e a forte alta do petróleo aumentaram a cautela nos mercados globais, favorecendo a valorização da moeda europeia.
Na zona do euro, os dados econômicos mostraram uma atividade ainda moderada, com o PIB avançando apenas 0,1% no primeiro trimestre e a produção industrial acumulando queda anual de 2,1% em março. Mesmo com o crescimento fraco, o cenário reforçou a percepção da pressão nos custos de energia e manteve o mercado atento a inflação no bloco.
Ao mesmo tempo, declarações do economista-chefe do Banco Central Europeu, Philip Lane, aumentaram as expectativas de manutenção de juros elevados. Isso fortaleceu a perspectiva de uma postura monetária mais rígida pelo BCE, o que deu sustentação adicional ao euro no mercado internacional.
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Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (11/mai) cotada a R$6,6749, nível inferior ao registrado na abertura desta sexta-feira (15/mai), de R$6,6747. Portanto, houve uma valorização do real de aproximadamente 0,002% em relação à moeda britânica ao longo da semana.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa perdeu força no decorrer da semana, mantendo a tendência de desvalorização observada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (15/mai) cotada a US$1,3392 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3615, uma desvalorização de 1,6% da moeda britânica em relação ao dólar.
A libra esterlina encerrou a semana pressionada frente ao dólar e praticamente estável em relação ao real, refletindo o aumento das incertezas políticas no Reino Unido. A moeda britânica perdeu força diante da crescente pressão sobre o primeiro-ministro Keir Starmer e das especulações sobre uma possível disputa pela liderança do Partido Trabalhista.
O ambiente político mais turbulento elevou a cautela dos investidores e aumentou a percepção de risco. A pressão sobre o governo provocou alta nos rendimentos dos títulos públicos do Reino Unido, enquanto investidores passaram a monitorar os possíveis impactos de uma eventual troca de liderança sobre a política fiscal e a condução da economia.
Apesar disso, os dados econômicos do Reino Unido mostraram sinais de resiliência, com o PIB vindo acima do esperado. Ainda assim, o mercado avalia que a combinação entre inflação pressionada e incerteza política pode levar o BoE a manter os juros elevados por mais tempo, fator que tende a limitar perdas mais intensas da libra.
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Perspectivas
A tendência de curto prazo passou a ser de maior pressão de alta para o dólar frente ao real, diante da piora do cenário geopolítico internacional e do avanço da aversão ao risco nos mercados globais. A alta do petróleo e a busca por proteção fortaleceram a moeda americana e aumentaram a volatilidade cambial.
Apesar disso, o diferencial de juros ainda elevado no Brasil e a perspectiva de manutenção da Selic em patamar alto podem limitar movimentos mais intensos de desvalorização do real. Assim, o câmbio deve seguir sensível aos desdobramentos externos, com tendência de volatilidade elevada nas próximas semanas.
Seguimos de olho.
