De Olho no Câmbio #387: Tom do Fed fortalece o dólar e pressiona o real
Acompanhe o impacto dos acontecimentos mais relevantes sobre o real versus dólar, euro e libra esterlina, no ‘De Olho no Câmbio’ de 29 de junho a 03 de julho.
|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
O “De Olho no Câmbio” desta semana mostra que o real voltou a perder valor frente às principais moedas internacionais, em um ambiente marcado por maior cautela nos mercados globais. A combinação entre expectativas de juros elevados nas economias desenvolvidas, fluxo de capital para ativos considerados mais seguros e fatores específicos de cada região influenciou o desempenho do dólar, do euro e da libra ao longo da semana.
Quer saber mais sobre Brasil, EUA, Zona do Euro e Reino Unido? Acompanhe a seguir os desdobramentos destes e outros acontecimentos na edição #387 do “De Olho no Câmbio”.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,1746 na segunda-feira (29/jun), um nível 0,6% superior à abertura da semana anterior (22/jun). Ao longo da semana, a moeda norte-americana ganhou força frente ao real, e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (03/jul) cotado a R$5,2028, patamar 0,6% superior à abertura da sexta-feira anterior (26/jun). Entre as aberturas desta sexta (03/jul) e da segunda-feira da semana anterior (22/jun), vimos uma desvalorização do real em relação ao dólar de 1,2%.
Os discursos de membros do Fed mantiveram o tom duro em relação à inflação, reforçando a possibilidade de uma política monetária mais restritiva caso as pressões sobre os preços persistam. A sinalização sustentou a alta dos rendimentos dos títulos americanos e favoreceu a valorização do dólar.
Por outro lado, a geração de empregos ficou abaixo das expectativas em junho e os dados dos meses anteriores foram revisados para baixo, levantando dúvidas sobre a força da economia. O desempenho do mercado de trabalho norte-americano diminuiu um pouco a percepção de que o Fed talvez seja obrigado a aumentar a taxa de juros na reunião de setembro.
Em resumo, apesar da ambiguidade dos dados, os investidores seguiram priorizando ativos americanos, refletindo a perda do apetite por risco. O movimento favoreceu o dólar globalmente e manteve pressão sobre moedas de países emergentes, como o real.
Aproveite e confira a cotação do dólar hoje e se inscreva em nosso sistema de alertas para ser notificado sobre variações importantes.
Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (29/jun) cotado a R$5,9104. Na abertura desta sexta-feira (03/jul), a cotação foi de R$5,9702. Portanto, observou-se uma desvalorização do real frente ao euro de aproximadamente 1,0% no período, diferente do movimento de valorização registrado na semana anterior.
Em relação ao dólar, a moeda europeia apresentou estabilidade nesta semana, revertendo a tendência de desvalorização observada na semana anterior. A cotação do euro em dólar passou de US$1,1422 na segunda-feira (29/jun) para U$1,1422 nesta sexta-feira (03/jul). Assim, observou-se uma estabilidade de 0,0% do euro, isto é, são necessários os mesmos dólares para adquirir um euro.
Na Zona do Euro, a prévia da inflação mostrou desaceleração em junho e sugere que os maiores impactos inflacionários decorrentes da guerra tenham ficado para trás. O resultado ajudou a estabilizar as expectativas para a política monetária do Banco Central Europeu (BCE), dando sustentação ao euro.
Os indicadores de atividade também contribuíram para esse desempenho. A relativa melhora do sentimento econômico da região sinalizou uma recuperação gradual da confiança de consumidores e empresas, limitando pressões sobre a moeda europeia.
Por fim, embora ainda pese a leitura de que a economia da Zona do Euro esteja perdendo ritmo, a manutenção da taxa de desemprego em 6,2% em junho mostra alguma resiliência da economia do bloco. A projeção do mercado financeiro era de aumento da taxa para 6,3%.
Confira a cotação do euro hoje e se inscreva em nosso sistema de alertas para ser notificado sobre variações importantes.
Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (29/jun) cotada a R$6,8602, nível inferior ao registrado na abertura desta sexta-feira (03/jul), de R$6,9431. Portanto, houve uma desvalorização do real de aproximadamente 1,2% em relação à moeda britânica ao longo da semana.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa ganhou força no decorrer da semana, revertendo a tendência de desvalorização observada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (03/jul) cotada a US$1,3338 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3258, uma valorização de 0,6% da moeda britânica em relação ao dólar.
A libra foi sustentada pela expectativa de maior estabilidade política após a vitória do Partido Trabalhista nas eleições gerais do Reino Unido. A perspectiva de um governo com ampla maioria reduziu as incertezas e favoreceu os ativos britânicos.
Além disso, a postura cautelosa do Banco da Inglaterra (BoE) reforçou a expectativa de juros elevados por mais tempo. A combinação de inflação ainda resistente e atividade econômica em queda deu suporte adicional à moeda britânica. O presidente do Bank of England, Andrew Bailey, falou que os riscos de alta na inflação ainda são elevados e que o Banco ainda avalia a extensão dos danos da guerra sobre a economia britânica.
No Brasil, a desvalorização do real ampliou esse movimento. Com a saída de capital estrangeiro nesta semana e o fortalecimento da libra no mercado internacional, a moeda britânica registrou a maior valorização entre as principais divisas frente ao real ao longo da semana.
Aproveite e confira a cotação da libra esterlina hoje e se inscreva em nosso sistema de alertas para ser notificado sobre variações importantes.
Perspectivas
O câmbio deve permanecer volátil ao longo de julho, com os mercados atentos ao avanço da política comercial dos Estados Unidos. A expectativa é de que novas tarifas sobre produtos brasileiros entrem em vigor a partir de 15 de julho, elevando as incertezas para o comércio exterior.
Além das tarifas, o desgaste na relação diplomática entre Brasil e Estados Unidos tende a aumentar a percepção de risco sobre os ativos brasileiros. Esse cenário pode favorecer a busca por proteção na moeda americana e manter pressão sobre o real nas próximas semanas.
Seguimos de olho.
