De Olho no Câmbio #386: Dólar avança com pressão externa a ata do Copom
Acompanhe o impacto dos acontecimentos mais relevantes sobre o real versus dólar, euro e libra esterlina, no ‘De Olho no Câmbio’ de 22 a 26 de junho.
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No De Olho no Câmbio desta semana, o fortalecimento do dólar voltou a ditar os movimentos do mercado internacional após a divulgação de indicadores robustos da economia americana e o aumento das preocupações com a inflação nos Estados Unidos. No Brasil, a revisão das projeções inflacionárias pelo Banco Central e a piora da percepção sobre o cenário fiscal pressionaram o real, enquanto euro e libra encontraram suporte principalmente na fragilidade da moeda brasileira e na manutenção de políticas monetárias restritivas na Europa e no Reino Unido.
Quer saber mais sobre Brasil, EUA, Zona do Euro e Reino Unido? Acompanhe a seguir os desdobramentos destes e outros acontecimentos na edição #386 do “De Olho no Câmbio”.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,1536 na segunda-feira (22/jun), um nível 1,8% superior à abertura da semana anterior (15/jun). Ao longo da semana, a moeda norte-americana ganhou força frente ao real, e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (26/jun) cotado a R$5,1776, patamar 0,2% superior à abertura da sexta-feira anterior (19/jun). Entre as aberturas desta sexta (26/jun) e da segunda-feira da semana anterior (15/jun), vimos uma desvalorização do real em relação ao dólar de 2,2%.
O dólar ganhou força na semana, impulsionado principalmente pela divulgação de indicadores econômicos dos EUA e pelo aumento das preocupações com o cenário doméstico brasileiro. A combinação entre um ambiente externo mais restritivo e a piora da percepção de risco fiscal favoreceu a valorização da moeda americana frente ao real.
Nos EUA, a divulgação do PIB do primeiro trimestre e a expectativa em torno do índice de inflação PCE reforçaram a percepção de que a economia segue resiliente e que as pressões inflacionárias permanecem elevadas. Esse cenário reforçou a possibilidade de um aumento de juros pelo Fed em setembro, sustentando a força da moeda americana no mundo todo. O índice DXY, que mede a força do dólar em relação a uma cesta de moedas fortes, subiu ao nível mais alto em cerca de 13 meses.
No Brasil, os ruídos em torno da ata do Copom elevou as projeções de inflação para este ano, ampliando as preocupações com o ambiente fiscal e a condução da política econômica. O aumento da percepção de risco ampliou o processo de valorização do dólar sobre o real, apesar dos maciços ingressos da moeda americana nos últimos dias.
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Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (22/jun) cotado a R$5,9062. Na abertura desta sexta-feira (26/jun), a cotação foi de R$5,9067. Portanto, observou-se uma estabilidade do real frente ao euro de aproximadamente 0,0% no período, diferente do movimento de valorização registrado na semana anterior.
Em relação ao dólar, a moeda europeia apresentou desvalorização nesta semana, mantendo a tendência de desvalorização observada na semana anterior. A cotação do euro em dólar passou de US$1,1467 na segunda-feira (22/jun) para U$1,1362 nesta sexta-feira (26/jun). Assim, observou-se uma desvalorização de 0,9% do euro, isto é, são necessários menos dólares para adquirir um euro.
O euro apresentou pouca variação frente ao real ao longo da semana, refletindo o equilíbrio entre fatores que sustentaram e limitaram a moeda europeia. Enquanto o ambiente doméstico brasileiro pressionou o real, as incertezas políticas e fiscais na Zona do Euro impediram um movimento mais consistente de valorização da divisa.
No cenário internacional, indicadores mistos de atividade econômica na Alemanha e na França reforçaram a cautela dos investidores em relação ao crescimento europeu. Ao mesmo tempo, o fortalecimento global do dólar, impulsionado pelos dados econômicos dos EUA reduziu o espaço para uma valorização mais intensa do euro frente às principais moedas.
No Brasil, a piora das expectativas para a inflação e as preocupações com o cenário fiscal mantiveram o real sob pressão durante a semana. Esse movimento compensou a fraqueza do euro no exterior, fazendo com que a moeda europeia encerrasse o período praticamente estável na comparação com a divisa brasileira.
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Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (22/jun) cotada a R$6,7994, nível inferior ao registrado na abertura desta sexta-feira (26/jun), de R$6,8290. Portanto, houve uma desvalorização do real de aproximadamente 0,4% em relação à moeda britânica ao longo da semana.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa perdeu força no decorrer da semana, mantendo a tendência de desvalorização observada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (26/jun) cotada a US$1,3187 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3197, uma desvalorização de 0,1% da moeda britânica em relação ao dólar.
A libra esterlina manteve um desempenho sólido frente ao real ao longo da semana, sustentada principalmente pela política monetária do Reino Unido. A persistência da inflação, especialmente no setor de serviços, continua reforçando a expectativa de que o BoE manterá os juros elevados por um período prolongado, favorecendo a moeda britânica.
No mercado internacional, esse diferencial de juros preservou a atratividade dos ativos denominados em libra, mesmo diante do fortalecimento global do dólar. A postura mais rígida do Banco da Inglaterra contribuiu para limitar oscilações da moeda britânica e manteve a libra entre as divisas mais resilientes do período.
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Perspectivas
O mercado deve continuar atento às sinalizações do Fed e aos novos indicadores da economia americana. Apesar da recente queda dos preços do petróleo aliviar parte das preocupações com a inflação global, a autoridade monetária dos EUA deve manter um discurso cauteloso diante da persistência das pressões inflacionárias e das incertezas relacionadas ao comércio internacional.
Nesse ambiente, cresce a expectativa de manutenção de um possível novo aperto monetário nos próximos meses, caso a inflação permaneça resistente. A combinação entre uma política monetária mais restritiva nos Estados Unidos e as incertezas fiscais no Brasil tende a manter o dólar fortalecido e a volatilidade cambial elevada no curto prazo.
Seguimos de olho.
