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Depois de uma longa sequência de valorização ao longo de todo o ano de 2025, o Brasil sofre novamente com volatilidade cambial e nova desvalorização de sua divisa. Desde o começo do mês a moeda brasileira já perdeu mais de 3% do seu valor em relação ao dólar.

Nem mesmo a Selic em níveis absurdos tem sido suficiente para reverter o problema. Calma, não é o fim do caminho, nem mesmo uma situação irremediável, mas chama a atenção por ser um movimento totalmente distinto do que foi visto ao longo de quase todo o ano. Ah, e nem tudo é culpa nossa.

A nossa parte da culpa

Os fatores domésticos que hoje alimentam a volatilidade no mercado de câmbio são relativamente claros e tendem a ganhar ainda mais intensidade nos próximos dias: o quadro fiscal e, sobretudo, a corrida eleitoral de 2026, que se coloca como o elemento mais relevante dessa equação.

Ainda que prevaleça a leitura de que os principais desafios das contas públicas brasileiras estejam concentrados a partir de 2027, as discussões em torno da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e do Orçamento de 2026 já foram suficientes para elevar o grau de incerteza e intensificar a volatilidade no mercado cambial.

Os fatores externos

Vale relembrar como se comportou o dólar ao longo do ano. O índice DXY, que mede a força da moeda norte-americana frente a uma cesta de divisas fortes, registrou a maior queda para um primeiro semestre desde 1973. Esse movimento de enfraquecimento do dólar acabou se estendendo também a moedas não conversíveis, como o real.

Após essa forte desvalorização, o dólar ensaiou uma recuperação moderada nos últimos dias, afetando de forma direta as moedas dos países em desenvolvimento. A expectativa de que o Federal Reserve ainda promova novos cortes de juros, especialmente diante da possibilidade de uma liderança de Kevin Hassett e após dados indicarem aumento do desemprego em novembro, também influenciou a dinâmica recente da moeda americana.

Não por acaso, apesar da percepção de que o real possa novamente estar sob pressão especulativa, à semelhança do observado em dezembro do ano passado, movimentos semelhantes de enfraquecimento têm sido registrados em outras moedas da América Latina, reforçando o caráter mais amplo e externo desse ajuste cambial.

E os criptoativos?

O Bitcoin voltou a perder força frente ao dólar após interromper um breve movimento de valorização recente, refletindo o aumento da incerteza em torno da política monetária dos Estados Unidos. Embora os dados do mercado de trabalho, com elevação da taxa de desemprego, reforcem a possibilidade de cortes de juros pelo Fed, o grau de indefinição sobre o timing e a condução desse processo tem limitado o apetite por risco. Assim, apesar de um ambiente de juros mais baixos tender a favorecer o BTC no médio prazo, no curto prazo a criptomoeda segue pressionada pela cautela dos investidores.

E os Dividendos?

Confira alguns dos pagamentos de dividendos agendados no mercado brasileiro:

AtivoEmpresaData-CompraData-PagamentoProventoValor por Ação 
CYRE3Cyrela09/12/202517/12/2025DividendosR$ 2,73
ALPA3Alpargatas18/11/202519/12/2025Red. Cap.R$ 1,25
ALPA4Alpargatas18/11/202519/12/2025Red. Cap.R$ 1,25
AXIA3Axia Energia14/11/202519/12/2025DividendosR$ 1,89
AXIA5Axia Energia14/11/202519/12/2025DividendosR$ 1,58
AXIA6Axia Energia14/11/202519/12/2025DividendosR$ 2,08
ITSA3Itaúsa09/12/202519/12/2025DividendosR$ 0,78
ITSA4Itaúsa09/12/202519/12/2025DividendosR$ 0,78
ITUB3Banco Itaú09/12/202519/12/2025DividendosR$ 1,87
ITUB4Banco Itaú09/12/202519/12/2025DividendosR$ 1,87
EMBJ3Embraer11/12/202522/12/2025DividendosR$ 0,11
GOAU3Metalúrgica Gerdau18/12/202522/12/2025Bonificação33,33%
GOAU4Metalúrgica Gerdau18/12/202522/12/2025Bonificação33,33%
KLBN11Klabin17/12/202522/12/2025Bonificação1,00%
KLBN3Klabin17/12/202522/12/2025Bonificação1,00%
KLBN4Klabin17/12/202522/12/2025Bonificação1,00%
PETR3Petrobrás21/08/202522/12/2025DividendosR$ 0,20
PETR3Petrobrás21/08/202522/12/2025JSCPR$ 0,14
PETR4Petrobrás21/08/202522/12/2025DividendosR$ 0,20
PETR4Petrobrás21/08/202522/12/2025JSCPR$ 0,14
CEAB3Cea Modas30/04/202523/12/2025DividendosR$ 0,04
CEAB3Cea Modas30/12/202423/12/2025JSCPR$ 0,34
ITSA3Itaúsa18/12/202523/12/2025Bonificação2,00%
ITSA4Itaúsa18/12/202523/12/2025Bonificação2,00%
BEEF3Minerva15/12/202529/12/2025DividendosR$ 0,16
EUCA3Eucatex06/01/202529/12/2025JSCPR$ 0,67
EUCA4Eucatex06/01/202529/12/2025JSCPR$ 0,74
ABEV3Ambev18/12/202530/12/2025DividendosR$ 0,46
ALPA3Alpargatas16/12/202530/12/2025DividendosR$ 0,34
ALPA4Alpargatas16/12/202530/12/2025DividendosR$ 0,38
BRAP3Bradespar17/12/202530/12/2025DividendosR$ 0,60
BRAP4Bradespar17/12/202530/12/2025DividendosR$ 0,66
MDIA3M. Dias Branco18/12/202530/12/2025DividendosR$ 0,03
MDIA3M. Dias Branco19/12/202530/12/2025DividendosR$ 0,60

De olho no câmbio

No curto prazo, o câmbio deve seguir marcado por elevada volatilidade, com viés assimétrico contra o real, apesar do elevado diferencial de juros ainda oferecer algum suporte. A memória da forte desvalorização de dezembro passado e a crescente incerteza política em torno da eleição de 2026 aumentam a sensibilidade da moeda a choques e episódios de aversão ao risco.

No ambiente externo, a possível recuperação do dólar, a postura mais cautelosa do Banco Central Europeu e a perspectiva de cortes de juros no Reino Unido desenham um cenário menos favorável às moedas emergentes. Assim, mesmo com juros elevados no Brasil, a dinâmica cambial tende a ser guiada mais por fatores globais e riscos domésticos do que pelo diferencial de taxas.

Seguimos de olho.