Dólar em alta com queda nos juros

tendências para o dólar

Dólar fecha semana em alta, abrindo o pregão da sexta-feira a R$ 4,1674, por conta da redução dos juros no Brasil e nos Estados Unidos

O Dólar comercial começou a semana cotado a R$ 4,0854 e fechou o pregão de segunda-feira (16) cotado a R$ 4,0810 – uma leve apreciação do Real de aproximadamente 0,11%.

Esperava-se que o Dólar seguisse nessa linha durante a semana, meio que andando de lado, mas no meio do caminho tinha um Fomc e um Copom. Apesar de certa apreensão, o mercado trabalhava com a hipótese de queda nos juros, tanto nos EUA quanto no Brasil.

A confirmação das expectativas do mercado, contudo, não trouxe o alívio que se esperava para o Real, pois na quarta-feira (18), após o anúncio do Fomc, o mercado ainda achou espaço para levar o Dólar a R$ 4,1112, uma depreciação de 0,63% do Real desde a abertura da semana.

Com o anúncio do Copom, que também reduziu a taxa de juros de referência (a nossa querida Selic), o Dólar se fortaleceu ainda mais, indo para R$ 4,1678, depreciação do Real de mais de 2% em relação a abertura de segunda-feira.

Todo esse movimento foi pautado na busca por segurança por parte de investidores e, portanto, a compra de dólares foi maior, elevando a cotação da moeda estadunidense. Esta busca por segurança decorre da percepção de que as economias se encontram fragilizadas e estímulos são necessários.

No início desta sexta-feira (20), por exemplo, um dos membros do Fomc, James Bullard, defendeu um corte até maior dos juros do Fed (0,5 pp em vez dos 0,25 pp), pois vislumbra uma desaceleração mais forte da economia estadunidense no horizonte.

Aqui no Brasil, além da confirmação do corte de 0,5 pp na Selic, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Netto, também confirmou eventuais novos cortes nas próximas reuniões. O mercado já trabalha com a hipótese de um corte de 0,5 pp em outubro e outro de 0,25 pp no início de dezembro, levando a Selic a 4,75%.

A fala de Campos Netto no atual contexto externo levou a uma fuga de dólares do Brasil, especialmente mais especulativos, em busca de juros maiores com uma relação entre risco-retorno razoável, como é o caso do México, por exemplo. 

Enquanto as incertezas e preocupações se ampliam, a moeda americana saiu de R$ 4,0854 na segunda-feira e abriu o pregão de sexta-feira (20) negociada na casa dos R$ 4,1674. O Real acumula, portanto, uma depreciação de aproximadamente 2%.

Veja também a análise para o euro e a libra esterlina.

André Galhardo é economista-chefe da Análise Econômica Consultoria, professor e coordenador universitário nos cursos de Ciências Econômicas. Mestre em Economia Política pela PUC-SP, possui ampla experiência em análise de conjuntura econômica nacional e internacional, com passagens pelo setor público.